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Crítica | O Farol (2019)

por Luiz Santiago
1756 views (a partir de agosto de 2020)

Existem maneiras diferentes de conseguir uma profunda imersão do público naquilo que se está mostrando para ele, e um dos modos mais eficientes disso é fundamentar a imersão na forma e no conteúdo da obra. Em O Farol (2019), o diretor Robert Eggers (do amplamente discutido e por muitos amado A Bruxa) faz isso desde o momento em que a tela clareia e nos mostra uma razão de aspecto em 1.19:1, o quase-quadrado encontrado em inúmeros filmes dos anos 1920 e 30, com destaque para obras do Expressionismo Alemão, de onde o diretor empresta concepções visuais e a forma bastante estilizada de conceber a fotografia, assinada por Jarin Blaschke.

O tipo de lente escolhida e a maneira diferente de revelação do filme fazem com que a tonalidade do preto e banco, a impressão geral da época retratada e a composição dos quadros (com homenagens a uma boa quantidade de diretores clássicos, com mais evidências para Fritz Lang) impulsionem o primeiro papel de imersão que O Farol exige, fazendo com que o público sinta, desde os primeiros minutos, uma forte ameaça e a insistente presença — há ecos de O Corvo aqui — de um grande mal na ilha onde está o farol pelo qual Thomas Wake (Willem Dafoe) é responsável, agora em companhia de um zelador temporário, o belo e silencioso jovem Ephraim Winslow (Robert Pattinson). A claustrofobia, então, é o primeiro elemento de preparação para que os instintos primitivos desses indivíduos venham à tona.

Robert e Max Eggers não pouparam esforços para tornar o filme exagerado, sujo, aterrador, barulhento, chamando o máximo de atenção para a trajetória desses dois homens isolados em um espaço que pouco a pouco os enlouquece e, de maneira interessante, manipula também a visão do espectador sobre o que está acontecendo. Diferente de A Bruxa, que jogava com a quietude e fazia a trajetória da desgraça até a ascensão de uma mulher, aqui em O Farol temos a tempestade (literal e metaforicamente) como destaque e a trajetória da suja normalidade para a suja decadência física e mental de dois homens ou… de um estágio ou tipo de masculinidade. Com diálogos inspirados em documentos históricos (de onde veio a construção do dialeto dos homens do mar) e referências literárias para a ambientação na ilha, relação do indivíduo com o farol e vida em isolamento vindas de Herman Melville e Robert Louis Stevenson, o filme explora um tempo onde o mito é importante, igualmente sustentando a ameaça como algo atemporal.

Na passagem dos dias, a câmera investiga as mais simples atividades tornarem-se um martírio. É a partir daí que se evidencia a mudança dos isolados, um humilhando e outro humilhado, sendo esta a esteira de desenvolvimento do enredo e dos personagens, linha amparada visual e tematicamente pela obra de H.P. Lovecraft, que opunha a grandeza de grandes entidades e forças incontroláveis do céu, da terra e das águas à insignificância do homem, que ao menor contato com essas forças, entra em uma espiral de loucura. No filme, a mitologia se une às ações práticas e ao que a direção e o desenho de produção nos entrega: a subida e descida da longa escada do farol, o mistério da luz (diante da qual apenas o mais velho se vê no direito de estar, como uma espécie de fruto proibido), a história das gaivotas e mesclas de vida real com deidades — Netuno é citado e Proteu é simbolicamente relacionado ao homem mais velho — ou alterações inexplicáveis na passagem do tempo e perspectiva de quem faz o quê. Personagens e espectadores são colocados no meio desse jogo e compartilham um processo de loucura.

Quem guia isso de maneira absolutamente fascinante é a dupla protagonista. Dafoe é o guia: o homem mais velho que aparentemente domina tudo o que acontece nesse lugar. Ele tem muitas histórias para contar e uma forma nada simpática de tratar o novo zelador. Sua transformação é suave, com poucos momentos de explosão. Para ele, é como se estivesse revivendo algo, e o ator assume essa figura entre o conformismo pacífico e a carranca daquele que sabe muito mas é infame demais para compartilhar qualquer informação com qualquer pessoa, então segue explorando e, de certa forma, evitando ou provocando o mais jovem. Robert Pattinson, por sua vez, ganha um personagem mais difícil, porque precisa manter certa característica principal (a timidez, o silêncio) diante da insanidade que pouco a pouco o consome. E o que o ator faz com isso é um verdadeiro deleite para o espectador. Ele consegue passar perfeitamente nuances de maldade em olhares, em estilos de explosão emocional e, principalmente, na tomada de atitude em relação ao seu parceiro de isolamento.

O quê o farol representa, a esta altura, pouco importa, porque sempre estará atrelado a algo parcialmente abstrato, numa relação cheia de conflitos, toxidade, paranoia, desejos e violência, em atmosfera que chama à loucura. Aí está o intenso barulho do vento, das gaivotas e do mar cada vez mais revolto (grande trabalho de edição e mixagem de som aqui), o barulho da buzina e dos maquinários do farol e o contraste entre a intensa luz e a escuridão, tendo a assombrosa trilha sonora de Mark Korven como um fantasma destinado a tornar tudo ainda mais difícil. No processo, fluídos humanos, gases, gritos e violência física assumem o protagonismo e substituem os supostamente civilizados por suas versões primitivas. Ou, em outra análise, fazem com que a essência polida e supostamente domesticada de nossa espécie esteja livre para agir, agora não sob um arranjo social, mas justamente pela ausência deste. As causas da volta ao primitivo em O Farol são de ordem mística, não sociológica.

Se no final do filme temos problemas no uso de uma elipse que é uma armadilha (seria melhor que a cena seguinte não existisse, mas existindo, então que o momento diante da luz fluísse de modo que pudéssemos acompanhar a ida de Ephraim Winslow até a praia, onde cumpre uma espécie de punição à la Prometeu, “por ter roubado o fogo dos deuses“), ainda conserva-se o aspecto geral de horror e derrocada de alguém que ousou zombar e interferir no funcionamento de algo maior que ele mesmo. Por isso que a ideia geral de proteção e guia que simbolicamente atribuímos a um farol se corrompe nesse Universo. Ou melhor, é mostrada em uma outra camada de intenções, afinal, alguém iluminado, mesmo que não queira, pode atrair os mais variados horrores para o seu meio. E não é de hoje que sabemos que o mal também pode morar na luz.

O Farol (The Lighthouse) — EUA, Brasil, 2019
Direção: Robert Eggers
Roteiro: Robert Eggers, Max Eggers
Elenco: Willem Dafoe, Robert Pattinson, Valeriia Karaman
Duração: 109 min.

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117 comentários

TheHaunted 11 de janeiro de 2021 - 22:41

esse filme foi o melhor de 2020 pra mim e o melhor filme no geral que eu vi em muito muito tempo. altamente marcante, reflexivo na dose correta, lento mas sempre nos imergindo e contando algo novo, absurdamente original e tão depressivo quanto cativante (estranhamente, pois me despertou um brilho com o cinema que eu nao via em muito tempo). um filme realmente que me pegou como poucos. para muito além de A Bruxa (que é um bom filme também) Robert Eggers entrou para a lista dos melhores da atualidade agora (pelo menos para mim).

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Jorge Duete 7 de novembro de 2020 - 13:56

Robert Pattinson deveria ter concorrido aos prêmios mais importantes por sua atuação: está soberbo! É o destaque maior do filme pra mim. O simbolismo, as metáforas pretensiosas enfim, eu passo. Menos é mais. De todo modo, reconheço que é um bom filme.

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Anônimo 1 de outubro de 2020 - 17:45
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Luiz Santiago 1 de outubro de 2020 - 23:05

DAAAAAAAAAAAAANCE!!!

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Lucas Casagrande 15 de julho de 2020 - 19:58

Que filmaço, pura arte, acabei de ver e achei sensacional

Incrivel como esse filme mexe com a nossa mente, vc entra mesmo na loucura que os personagens estão, a troca de nomes, os dialogos durante as bebedeiras, o excelente uso do cenário e do ambiente para causar a sensação de insanidade, o filme realmente te joga pra dentro dele, eu me sentia naquela ilha, naquele ambiente sujo enquanto assistia, bom demais

Excelente sua critica tbm Luiz, não poderia concordar mais, as referencias ao estilo de filmar do expressionismo alemão e o clima lovecrafitiano quea obra tem desde o inicio são a cereja do bolo, parabéns pela critica

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 15 de julho de 2020 - 21:33

Obrigado, parceiro!
Esse filme mexe demais com a gente. A criação de um clima opressivo, com um medo espiando a gente de todo lado e várias possibilidades de “ataque” desse ser oculto é a alma da obra. IMERSÃO total desde os primeiros minutos.

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Lucas Casagrande 16 de julho de 2020 - 11:46

Que pecado esse filme ser esquecido pelo Oscar, sei q teve bons concorrentes mas um Oscar de fotografia e outro de mixagem de som cairia bem pra esse filme

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 16 de julho de 2020 - 12:13

Eu esperava pelo menos uma indicação para ele. Super merecia.

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Sussurrador 5 de fevereiro de 2020 - 18:23

Esse filme me lembrou muito o estilo do David Lynch será que o diretor teve alguma inspiração nele?

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 5 de fevereiro de 2020 - 19:09

Não, não… O caminho de inspiração aqui é de outra ordem. Depois leia a crítica, eu comento sobre essa questão.

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Thiago Robertto Póvoa de Lima 30 de janeiro de 2020 - 03:07

Bastante imersivo e com atmosfera incrível. Embarcar pela forma é fácil. Gostar da viagem é outra história. Eu não curti.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 30 de janeiro de 2020 - 10:29

acontece

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Will Black 26 de janeiro de 2020 - 17:27

Acabei de assistir e logo no início dele aconteceu uma situação um tanto quanto diferente. Perguntei à namorada se ela queria que eu aumentasse mais o volume, já que senti que tava muito baixo e mal conseguia ouvir a entonação das vozes de ambos no primeiro diálogo do filme. Ela disse que se eu quisesse podia aumentar, mas que ela não fazia questão afinal tinha legenda pra ela ler. Daí ao fim dele, enquanto caminhávamos pra parada do ônibus, tentei explicar pra ela a importância de se ouvir, mas me faltava justamente a palavra e o sentimento que eu queria mostrar na hora: imersão. Filmes como esse nos fazem mais do que os outros, entrar nele, sentir ele, ouvir ele. Cada ventania forte, cada grasnado das gaivotas, cada urro do farol, eu senti como se tivesse lá, sentado naquela mesa dentro daquela cozinha claustrofóbica e isso faz total diferença. Enfim, concordo com a crítica completamente, mesmo que depois da menção à Prometeu eu imaginasse que após o contato com a luz ocorresse, o que vem a seguir seria o mais “óbvio” segundo a narrativa criada.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 26 de janeiro de 2020 - 18:29

Acredito que em TODOS os casos de obras que foram originalmente pensadas com áudio, elas devem ser consumidas com áudio. Fazer diferente disso é ver uma versão alterada e nada real da obra em si. E se isso é verdade para qualquer produto audiovisual assim pensado, imagina em filmes que exigem grande imersão como esse! Eita laiá!

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Will Black 26 de janeiro de 2020 - 20:27

Ela me contou que já chegou a mutar as coisas por conta própria e mesmo assim continuar assistindo!!! Eu fiquei simplesmente abismado com isso e não tive como tentar mudar esse pensamento dela (aparentemente consegui HEUAHEUAEHU)

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 26 de janeiro de 2020 - 21:32

Eita, eu também to abismado!

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Camilo Mateus 25 de janeiro de 2020 - 19:58

acabei de assistir e ainda estou digerindo, então vou comentar (antes que esqueça ou que perca a vontade) apenas sobre um dos aspectos que me chamou atenção.
evidentemente se trata de uma obra bastante metafórica, uma mensagem “disfarçada” no que vemos na tela. recentemente eu vi um vídeo falando sobre “texto” e “subtexto” e como este só possui valor se aquele também possuir, de forma que uma metáfora apenas metafórica é vazia.
não é o caso.
além das muitas interpretações cabíveis para a mensagem que é transmitida e como ela impacta o espectador, a obra, em si, consegue ser um terror psicológico muito eficiente. quero dizer, mesmo que o filme fosse só sobre dois homens abandonados num farol, ainda assim, seria um filmão.
quando a obra, seja ela qual for, se resume a maquiar a mensagem que quer entregar, penso que perde em qualidade e efeito, porque, como já disse não existe subtexto sem texto (pelo menos não com qualidade).
então, se por um momento, esquecemos o questionamento sobre a masculinidade que é feito e nos dedicamos a apreciar apenas a estória, ainda assim temos uma experiência emocionante e perturbadora, que, imagino, é o objetivo, aqui. ouso dizer que, imersos no texto, entra o subtexto mais efetivamente em nossas mentes.
em resumo, achei o filme excepcional, tecnicamente excelente, referenciando movimentos passados com muita qualidade, mas também com originalidade, entregando algo novo com material que já foi usado (o que é um mérito por si só).
os atores encontraram terreno fértil para entregar, cada um, performances excepcionais, pois o exagero aqui é muito bem encaixado, e a demasia é bem vinda.
pra mim, é um filme no qual texto e subtexto se bastam individualmente, mas, não satisfeitos, se complementam, criando algo maior, mais bonito, mais perturbador e melhor.

em tempo: aparentemente, 2019 foi um bom ano em termos de filmes relativamente mainstream. uma pena “o farol” ter sido “esnobado”, mas reconheço que o espaço é miúdo nas premiações esse ano.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 25 de janeiro de 2020 - 20:03

Adorei o teu comentário e estou de acordo com ele. O aspecto da linguagem em que texto e subtexto precisam se alinhar para formar um todo com um sentido e qualidade é algo que gera discussões em obras desse porte, especialmente em casos onde alguns espectadores só conseguem ver um dos lados. O Farol mostra que consegue se segurar bem em cada uma dessas colunas. Baita filme.

E de fato, 2019 foi um ano fantástico para o cinema, com um número enorme de grandes filmes, o que faz a temporada de premiações, salvo os lobby da vida, ser bem alta e cheias de ótimas indicações.

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Felipe Augusto 25 de janeiro de 2020 - 01:41

Q foi isso meu pai? Senti o impacto! Q filmaço, incrivel! TD é sublime nele, direção, atuações, roteiro, trilha, fotografia, um pouco de Hitchcock, um pouco de Lovecraft, um pouco de outras coisas, enfim…e vsf Oscar, vc não merece esse filme kkkk legal q Cannes o reconheceu como ele merece. Eggers 2 filmes na carreira e q filmes, adorei mto A Bruxa, mas esse squi peloamor…palmas e mais palmas, ou melhor, Tocantins inteiro kkkk. Dafoe é Dafoe, nenhuma surpresa, mas Pattinson se supera dmais aqui, q atuação! Mtas interpretações, minha mente ainda está fervilhando aqui c as múltiplas visões q o filme dá, os dois serem um só ou não, realidade, fantasia, embriaguez, psicológico, final foda e aberto a interpretações…ufa, q porrada viu! Amo qdo um filme me deixa assim, obrigado Eggers.

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BethBrown24 25 de janeiro de 2020 - 16:21

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 25 de janeiro de 2020 - 11:12

Porrada mesmo! E o diretor é mesmo bom. Não gostei tanto assim de A Bruxa, apesar de considerar um baita filme bom. Odiei com todas as minhas forças aquele final tenebroso. Aqui, porém, o caso é diferente. E mesmo que tenha um único problema com esse final, todo o restante é simplesmente matador. Se continuar nesse nível, ainda mais nesse gênero, Eggers vai trazer um bom retorno e um puta renovo…

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Felipe Augusto 25 de janeiro de 2020 - 12:39

Adoro o final de A Bruxa, o encontro e diálogo c a entidade demoníaca, a libertação dela, o ritual das bruxas, catártico!

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Natália Coelho Freitas 5 de março de 2020 - 18:19

Eu também, A Bruxa é uma obra prima!

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Bruno [FM] 20 de janeiro de 2020 - 21:08

A curiosidade mata? Não sei. Mas prefiro não gerar interesses em algo que não é pra meu interesse.

Na tentativa de ser um filme cult, “O Farol” nos entrega algo abstrato e “diferentão”, que deu certo no filme “Mãe!” por exemplo, mas que ao meu ver não funcionou muito bem dessa vez. A unica coisa boa nesse filme é a parte técnica (fotografia) e a trilha sonora que é tão expressiva e presente que se torna praticamente o 3° personagem nas cenas.

As atuações são boas, mas dentro de um contexto ridículo. E o Willen Dafoe já é feio e estranho, não precisou se esforçar muito pra ficar assustador em preto e branco. O roteiro não nos faz sentir absolutamente nada, e pra um filme isso é bem ruim. Afinal, filmes devem tocar nosso emocional de alguma forma e em “O Farol” as coisas doidas simplesmente vão acontecendo, mas de forma vazia. O preto e branco não incomoda, mas me fez valorizar MUITO vivermos na era do colorido.

Mais uma vez, não entendi tantas críticas positivas em torno de uma produção. Mesmo podendo-se utilizar da expressão “esse não é um filme para todos”, acho que existem vários caminhos pra um filme ser bom e notável, mas não necessariamente seja o caminho que Robert Eggers escolheu.

Logo, “O Farol” será apagado. E sem luz, esquecido.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 20 de janeiro de 2020 - 21:21

Discordo de tudo isso que tu escreveu. Mas quanto a entender as críticas positivas em relação à produção, a técnica é uma mutação: transformar curiosidade em atenção para o que essas opiniões positivas estão dizendo. Assim, poderás até não mudar tua visão pessoal do filme, mas certamente vai entender o outro lado. No fim, porém, é a velha história de que nem todo mundo gosta de tudo. Coisa mais normal do mundo, especialmente nas Artes.

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wagnermir 25 de janeiro de 2020 - 07:20

Desculpe perguntar, mas o que um filme como Velozes e furiosos, frozen ou os recentes Star Wars te tocam, se vc os asistiu ?

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Fabricio Aragão 13 de fevereiro de 2020 - 02:13

Arte não tem obrigação de enocionar ninguém. Talvez se você ler as críticas positivas ao invés de rejeitá-las, possa aprender um pouco mais sobre cinema e arte.
Não existe “filme que não é pra todos”. Existem analises artisticas limitadas.

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Gladiador 19 de janeiro de 2020 - 08:46

Pelo que entendi deste filme, o personagem do Pattisson possui dupla personalidade: Winslow que é a personalidade trabalhadora, tímida, curiosa e solitária; e do outro lado, Wake que é a personalidade bronca, severa, misteriosa e pirada. Em algumas cenas quando os dois estão discutindo, o Wake acusa Winslow de ser o culpado do ocorrido; é como se no filme todo, Pattisson estivesse interagindo com ele mesmo. Dialogando com suas duas personalidades.

Aí lembrei de Fragmentado, onde o protagonista do James McAvoy possui várias personalidades. Mas em Fragmentado o protagonista tem noção quanto a essas personalidades, mesmo não controlando a troca delas. Porém, no Farol, o protagonista não apresenta ter essa noção, por isso que Winslow e Wake ficam acusando um ao outro de não ajudar, de mentir, de atrapalhar.

A cena final é emblemática mesmo. Talvez ele tenha caído do farol ou se acidentado de outra forma e todo o filme não passou dos delírios dele, enquanto estava ali deitado e aguardando a morte.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 19 de janeiro de 2020 - 11:07

Na minha leitura, a questão da dupla personalidade sequer é cogitada para este filme. Aqui, a proposta é mostrar o homem passando de um estágio para outro. Considerando que todos nós usamos máscaras e temos comportamentos diferentes de espaço para espaço que visitamos, a obra joga com o extremo disso, testando o isolamento e a influência de certas forças externas.

Responder
Luis 16 de janeiro de 2020 - 22:58

Gostei demais de “a bruxa”, mas esse eu assisti e tô sem entender do início ao fim… Não sei se eu sou lerdo, ou se o filme é chato de entender

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 16 de janeiro de 2020 - 23:13

O caminho interpretativo não é assim tão distante do caminho de A Bruxa não, viu. Em termos de comparar realidade e simbologia própria de cada filme, no caso…

Responder
Diogo Maia 15 de janeiro de 2020 - 08:42

Um farol não me assustava tanto desde a Família Twist.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 15 de janeiro de 2020 - 10:07

Orra!

Responder
Pedro Duzzi 15 de janeiro de 2020 - 02:01

SPOILER SOBRE A ÚLTIMA CENA NO FIM: Vi o filme com dois amigos hoje e não entendemos que o final é uma elipse, como o Luiz Santiago interpretou em sua crítica, mas sim que todo o filme se passa nos devaneios daquele homem naufragado sendo comido vivo. Temos vários indicativos disso como a sede da ressaca x desidratação, fome, estar cagado tanto nos devaneios quanto na realidade, tentáculos x tripas expostas, ele é atacado pela gaivota quando ele cai do farol no começo do filme, indicando que ali ele começou a ser atacado na vida real. O farol pode ser o sol cegando ele, ou então a gaivota comendo seu olho.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 15 de janeiro de 2020 - 02:09

Mas a elipse não é uma interpretação. É um fato. Agora, cada espectador pode dar o significado que mais achar interessante para essa elipse ou qualquer outra parte do filme. Cinema, especialmente com essas obras simbólicas, é pra isso mesmo. Deixe a imaginação voar!

Responder
JC 9 de janeiro de 2020 - 18:09

Ah….e Pattison tá me fazendo queimar a língua que nem Pitt e DiCaprio, que ator, segundo filme dele que fico assustado com a atuação, excelente, se tudo der certo, ele promete como Wayne.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 10 de janeiro de 2020 - 08:35

Vai ser interessante ver esse cara como Morcegão.

Responder
JC 9 de janeiro de 2020 - 17:42

Poxa, amei A Bruxa, mas nesse, não consegui me conectar, talvez daqui há uns anos tente de novo, mas achei muito viagem-demais-moral-só-legal-cult-wanna-be.

Não é ruim, mas não achei mil maravilhas como A bruxa

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 10 de janeiro de 2020 - 08:35

Minha experiência foi exatamente oposta.

Responder
Luis 16 de janeiro de 2020 - 22:58

Exato! Eu adorei demais a bruxa! Mas esse eu assisti, acabou e eu fiquei, “nossa, não entendi nada”, única coisa que me deixou abismado foi a atuação dos principais, a fotografia e o som que lembra uma buzina que chega a ser agoniante

Responder
Raskolnikóv 20 de janeiro de 2020 - 00:11

Depois que comecei a apreciar mais os filmes por si só sem me preocupar tanto com o significado das coisas, comecei a ter experiências muito melhores no cinema. Acabei de assistí-lo no cinema e ainda estou impressionado com a atmosfera que conseguiram criar…

Responder
Bruno de Luca 9 de janeiro de 2020 - 15:38

No final das contas, o filme é Terror, Suspense ou Drama? Pq não quero assistir um filme esperando uma coisa e me sentir enganado depois (Sim, me refiro justamente à “Bruxa”).

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 9 de janeiro de 2020 - 16:04

É um drama. De terror. O suspense é apenas uma sugestão.

Responder
Bruno de Luca 9 de janeiro de 2020 - 16:10

Valeu…

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 9 de janeiro de 2020 - 16:39

É nóis!

Responder
marco 9 de janeiro de 2020 - 00:44

que manancial de gente intelectual, jargões cinematográficos, elipses, hipérboles, metáforas, quiasmos, merismos, plongée, contra plongée, travelling, hard cut, vou usar o comentário p pagar de intelectual tbm q sabe muito mas esqueceu do filme hehehe

*qto ao filme…”aparência é td conteúdo é nd”*

Responder
Raskolnikóv 20 de janeiro de 2020 - 00:11

Achei de boa o texto velho, não está prolixo não…

Responder
R.Sand 7 de janeiro de 2020 - 13:41

Esse daqui é mais um daqueles que vai pra lista “precisa ser assistido pelo menos duas ou três vezes”, são MUITAS interpretações possíveis. E parece ter também inúmeras referências a outros trabalhos. Confesso que não entendi – ou não captei? – qual seria a ideia do fim do filme. Mas sem dúvidas excelente.
Quantos as atuações… será que é pedir demais pelo menos uma indicação ao Oscar pra dupla? São a pedra fundamental do filme

Responder
Jadiel 4 de janeiro de 2020 - 15:27

A grande questão agora é (além das inúmeras proporcionadas pelo filme): Top 10 melhores filmes de 2019 ou Top 10 melhores filmes de 2020.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 4 de janeiro de 2020 - 17:23

Segundo as nossas regras de TOP 10 anual, 2020, porque o filme estreou no Brasil apenas em 2 de janeiro de 2020.

Já na lista da década, aí é considerado o ano de lançamento original da obra.

Responder
Jadiel 4 de janeiro de 2020 - 17:43

Bom, só sei que está entre os melhores. O “de que” já não é comigo. Pra mim está no mesmo nível de Parasita.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 4 de janeiro de 2020 - 18:08

Entre os melhores com certeza está! Acho que em qualquer lista que fizer parte haahahhahahhaha

Responder
Sabrina 6 de janeiro de 2020 - 12:01

A década acaba em 2019 ou 2020 ? A muita controvérsia

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 6 de janeiro de 2020 - 20:08

MATEMATICAMENTE FALANDO décadas, séculos e milênios acabam em 0 e começam em 1. Assim, MATEMATICAMENTE FALANDO, a década acabaria em 2020 e a outra começaria em 2021. Mas aqui, como em pelo menos uma alta % das coisas matemáticas ou de áreas da ciência em nossa vida, estamos usando o senso comum.

OU a linha de raciocínio do ISO 8601, que é a norma internacional para representação de data e hora que considera o início da década em 2010 e o fim em 2019.

Responder
Wander Santos 3 de janeiro de 2020 - 16:04

Assisti na exibição que teve na mostra com a participação do Dafoe e foi sensacional ver toda aquela loucura e depois que acaba o filme, ver ele todo tímido no palco! Que ator 👏🏻👏🏻👏🏻
Pretendo assistir de novo, mais tranquilo no cinema e aproveitar mais essa insanidade de filme

Responder
Guilherme 3 de janeiro de 2020 - 14:10

Muito Boa Crítica e Ótimo filme, gostei muito da atuação do Robert Pattinson, a cada filme ele se prova como muito mais do que um vampirinho brilhante. E ai @Luiz Santiago acha que ele vai dar um show no futuro “The Batman”?

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 3 de janeiro de 2020 - 15:54

Cara, eu to contando que ele vai mandar muito bem, viu! Depois de O Farol fiquei ainda mais curioso pelo que será do novo Morcegão…

Responder
Sergio Capinã 3 de janeiro de 2020 - 03:55

Bela crítica @Luiz Santiago, gosto de aprender sobre cinema (técnica de roteiro, oq cada posicionamento de câmera propõe etc). Poderia me explicar sobre oq é essa elipse que vc cita na crítica?
Parabéns pelo trabalho !!

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 3 de janeiro de 2020 - 08:51

Olá, @sergiocapin:disqus.

Posso sim, meu caro. Darei a definição do termo e em seguida vou explicá-lo de maneira contextualizada ao filme.

Elipse, em linguagem, é a retirada de um termo que pode ser entendido pelo contexto. O exemplo mais comum no cinema é quando você vê uma pessoa caminhando para abrir uma porta e, no momento seguinte, essa pessoa já está fechando a porta dentro de casa. Você não a viu chegar diante do local, pegar a chave, colocar na fechadura e abrir. Mas ao vê-la dentro de casa, você subtende que isso aconteceu. Em resumo, podemos definir como “algo que acontece entre uma cena e outra que a gente não vê, mas sabe que ocorreu“.

SPOILERS ABAIXO!!!

Aqui em O Farol, a elipse que eu cito e que você pergunta diretamente, seria a caminhada dele de dentro do farol para aquele estado em que está com as gaivotas. Numa cena nós o vemos dentro do farol. Daí tem um corte. E na cena seguinte já o vemos jogado na areia. Não acompanhamos a penosa jornada de um lugar para outro e tudo o que indicativamente interessante aconteceu aí. Mas a gente sabe que isso aconteceu. Meu argumento no texto é que a retirada dessa sequência de ligação (no caso, o uso da elipse pela montagem) não fez tão bem assim ao final, é uma espécie de armadilha.

Responder
Sergio Capinã 3 de janeiro de 2020 - 14:09

Poxa, muito obrigado. Por isso que acompanho e gosto do seu trabalho e o da equipe do site.

Agora entendi… No caso a elipse se dá no momento em que ele cai da escada após ver a luz e já aparece na areia.

Obrigado novamente por explicar, sempre bom aprender um pouco mais.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 3 de janeiro de 2020 - 15:54

É para isso que estamos aqui! Sempre que tiver dúvidas, só perguntar, se a gente souber, responderemos numa boa!

Responder
Matheus Felipe 2 de janeiro de 2020 - 19:12

Assisti na semana retrasada e achei um ótimo filme, na primeira vez que assisti não tinha entendido quase nada e, na cena final, que sofre elipsada (que também achei desnecessário) me deixou mais claro que teria que ver novamente para entender as diferentes interpretações e metáforas (a da homoafetividade e a do farol ter formato de pênis me rendeu boas risadas) que o filme possui. Então, depois que eu li sobre o filme ter se baseado no mistério das ilhas Flannan (única coisa que havia pesquisado antes de ver o filme pela primeira vez) esperava que no final ocorresse algum evento em que um navio iria chegar e se surpreender com o ocorrido, para deixar num tom ainda mais perturbador por não ter havido uma tempestade na realidade segundo os visitantes, apesar do final do filme estar de acordo com que o mesmo indicava no início e a longo prazo.
Enfim, dentre os filmes da década de incontáveis interpretações, este para mim só perde para Mãe de Darren Aronofsky.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 2 de janeiro de 2020 - 21:43

Uma passagem e tanto de um filme que inicialmente não colou em você para um dos melhores da década, hein!

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Matheus Felipe 2 de janeiro de 2020 - 22:08

Foi muito aleatório assistir esse filme.

Ver um filme sem saber do que se trata e será explorado… as vezes é uma maldição, vc sente que está ali pra passar sua raiva.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 2 de janeiro de 2020 - 22:08

Às vezes sim. Mas quando é um bom filme, a experiência parece ser recompensada em dobro!

Responder
Matheus Felipe 2 de janeiro de 2020 - 22:14

Sim, neste filme de fato. Pois a tensão e as atuações te recompensam, as metáforas ficaram na segunda revisão para mim kkkk.
Aliás, assisti midsommar e, na crítica vou dar minha humilde opinião, já aviso que o terror me proporcionou o contrário do proposto.

Evandro Mesquita Lucas 2 de janeiro de 2020 - 18:49

Grande filme. Os primeiros planos, com as paisagens da ilha, bem como a imersão na insanidade lembrou-me um pouco Bergman, principalmente “A hora do lobo”.
Só achei a cadência do segundo ato um pouco irregular, prolixa, cansativa em alguns momentos. Mas nada que tire os méritos dessa grande obra.
Certamente um dos melhores filmes do ano.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 2 de janeiro de 2020 - 21:28

De fato, lembra a estética de Bergman em alguns pontos mesmo.

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Rodrigo Rocha Vaz 2 de janeiro de 2020 - 17:03

Show de crítica. Também tenho minhas ressalvas quanto ao final, mas nada que atrapalhe. Desnecessário fala sobre Dafoe. Quanto a Pattinson, mudei minha opinião sobre ele há tempos. O cara vem colecionando boas atuações, mas o que faz aqui é monstruoso, especialmente considerando que sua verdadeira natureza fica escondida por boa parte da projeção para crescer absurdamente no terceiro ato. Batman está em ótimas mãos, meus amigos.
ABS

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 2 de janeiro de 2020 - 21:28

O final deixou bastante gente “meio assim”, mas ao mesmo tempo é algo que acrescenta bem mais lenha na fogueira para discussão, não?

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Rodrigo Rocha Vaz 3 de janeiro de 2020 - 20:23

Sim, com certeza. Ademais, grande crossover involuntário da história recente
Batman vs Duende Verde hahahaha
Abs

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Dante 2 de janeiro de 2020 - 12:57

Obra-prima.

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Felipe 2 de janeiro de 2020 - 12:51

Um filme excelente e uma ótima crítica, parabéns a toda equipe do Plano Crítico, sempre passo aqui para conferir o trabalho de vocês. O Pattinson fez uma grande atuação, já tive a oportunidade de acompanhar outros trabalhos dele também e gostei muito mas infelizmente o ator ainda é muito subestimado, espero que isso mude.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 2 de janeiro de 2020 - 13:44

Obrigado, @disqus_TaLyl114J1:disqus! O Farol é um filmaço mesmo e o Pattinson está maravilhoso aqui. Também espero que as pessoas mudem de opinião em relação ao trabalho dele depois de assistirem a esse filme.

Responder
Here's Johnny 2 de janeiro de 2020 - 11:08

Verei hoje à tarde, feliz que um cinema alternativo da cidade colocou em cartaz, pq já tem na internet há dias e estou me segurando.

Aliás, quando você coloca Robert Louis Stevenson, HP Lovecraft e Expressionismo Alemão numa crítica cheia de elogios como essa você eleva meu hype lá pro céu.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 2 de janeiro de 2020 - 13:44

É aquela receita que não dá pra resistir, né?

Responder
Victor Martins 2 de janeiro de 2020 - 19:45

Também acho que tem uma pitada de E Não Sobrou Nenhum, da Agatha Christie, principalmente na questão da clausura.

(Eu odeio os finais de ambas as obras kkk)

Responder
Jose Claudio Gomes Souza 2 de janeiro de 2020 - 10:15

Fantástico! A primeira surpresa foi com a técnica utilizada: preto e branco, enquadramento fechamento, pois eu não tinha visto o trailler. Realmente me senti assistindo a um dos clássicos do expressionismo alemão. A segunda surpresa é a atuação do Robert Pattinson (o Dafoe a gente nem precisa falar, não é?). Ele tem que matar um leão por filme que faz para se livrar da maldição crepuscular, e está conseguindo. Mal posso esperar por The Batman.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 2 de janeiro de 2020 - 10:38

Robert Pattinson cresceu como um gigante com o passar do tempo! O cara tá fenomenal aqui e tem feito outros papéis maravilhosos também!

Responder
Victor Martins 2 de janeiro de 2020 - 10:08

Agora não consigo mais olhar para a cara do Dafoe sem pensar “Why did ya spill yer beans, Winslow?”

“Winslow” é uma referência ao pintor Winslow Homer, que era obcecado por desenhar mares, tempestades e faróis. Também era uma pessoa extremamente isolada, conhecida como Robinson Crusoe yankee, e ele, veja só, já morou em um farol.

Eu gosto de pensar que esse filme é só sobre duas pessoas enlouquecendo com o isolamento sem nada paranormal ou sobrenatural. Eu prefiro esse do que A Bruxa porque nesse filme o Eggers soube segurar a onda e manter a ambiguidade na trama.

Creio que o Tommy não vê nada no Farol e na luz, e isso é a coisa mais aterrorizante que poderia acontecer, porque agora ele está sozinho e a luz a qual ele tinha colocado sua esperança não vai ajudá-lo. Acho que o filme deveria ter acabado naquela cena, confesso que não gostei do final com Prometheus.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 2 de janeiro de 2020 - 10:38

Já eu gosto mais de ir pelo caminho do sobrenatural, vejo como a essência do filme aliás. Mas o bom da obra é justamente a POSSIBILIDADE que o diretor dá, pra gente né.

Responder
Tamires W. 5 de janeiro de 2020 - 00:06

Oii, também tive minha interpretação exatamente como a sua! Apenas levando para o lado da insanidade psíquica, sem a parte do sobrenatural. Inclusive com a parte da luz, que também não era nada. Bom filme né?

Responder
Jean Corrêa 1 de janeiro de 2020 - 18:35

Excelente resenha

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 1 de janeiro de 2020 - 19:34

Valeu, Jean!
Curtiu o filme?

Responder
nuwgott 28 de dezembro de 2019 - 22:47

Filme fantástico, já nasceu clássico. Logo nos primeiros momentos me lembrou muito o cinema de Tarkovski (a forma como o silêncio e a ausência compõe a obra e também a sua fotografia, lembrou-me muito Adrey Rublev, Stalker e O Sacrifício, além de passagens de Solaris).

O Conhecimento Absoluto, ou a consciência divina, capaz de abarcar tudo, é tão somente possível alcançar por meio da loucura, e este é o grande problema humano: O homem é incapaz de conhecer a verdade, pois sua psique se baseia sempre em um fragmento da realidade, um conjunto de crenças e predisposições. Só quando se perde a capacidade de compreender as coisas é que é possível estar diante do todo…

Na antiguidade, acreditava-se que o fígado era quem ditava sobre os humores (a biles), sendo portanto, a contraparte da razão e o órgão que o representa: o cérebro. Por isso que, quando Prometeu rouba o conhecimento divino, o seu castigo é a perda do fígado. Trata-se de um sacrifício: não é possível ter o conhecimento divino e ainda ser tomado pelos humores.

Na astrologia, o fígado é regido por Júpiter, o planeta que é associado à visão divina e a capacidade de compreender e existir no mundo através de uma consciência elevada e predisposição a se entregar a Deus. Na literatura clássica, quando Júpiter está “afligido”, a pessoa sofre doenças crônicas do fígado. A incapacidade de compreender Deus e suas manifestações leva a uma compensação: o sofrimento dos humores e dos instintos, para que o sujeito possa se entregar. Na astrologia, Júpiter e Netuno são regentes de Peixes, signo da loucura e da plena absorção do divino. Signo também de dionísio, que foi dilacerado. Só se alcança Deus com a plena perda da razão, e por meio do sacrifício da biles.

Eu acredito que, Defoe, na tentativa de afastar Pattinson do Farol, insistentemente produziu nele a loucura. Fazendo-o confundir-se e esquecer quem é. Pois enquanto louco, Pattinson jamais poderia conhecer o Farol. Ele era indigno. Mas, no auge da insanidade e controlado por seus humores, Pattinson ousou acessar o farol e conhecê-lo. Ao tocá-lo, fora rejeitado e caiu da altura em que ousou escalar.

Como castigo, tem seu fígado devorado.
É impossível alcançar o Logos e a plena gnose e ainda ser um escravo de seus humores.

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Rickardo Oliveira 27 de dezembro de 2019 - 16:19

Ótima crítica. Tive a sorte de achar esse filme com a imagem excelente. Encontrei um aquivo em torrent de 6GB e achei a legenda para ele. Assisti no sábado e domingo passado. Que filme!! As atuações de Willem Dafoe e Robert Pattison estão magníficas. Mas, destaco o Pattinson. Esse cara me surpreendeu na atuação. A curiosidade dele em saber o que tem no Farol é algo sensacional. Eu estava curioso juntamente com o personagem. A ansiedade em saber o que tinha naquele farol era enorme! Ainda mais quando as cenas mostravam o Thomas Wake (Willem Dafoe) lá em cima. Destaco também as cenas que envolvem aquela sereia. São perturbadoras… Com certeza irei vê-lo no cinema na estréia. Agora quero conferir esse filme no grande telão. Assim quele ele for lançado em DVD e Blu-ray, vai fazer parte da minha coleção.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de dezembro de 2019 - 22:28

Vale a pena ver em tela grande. E é um filme que exige realmente uma profunda imersão desde o início, mas a partir do momento em que você está lá, tudo é simplesmente uma explosão de sensações…

Responder
Gabriel Groscke 1 de janeiro de 2020 - 12:25

Você viu em que cinema, Luiz?

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 1 de janeiro de 2020 - 12:41

Eu vi na Mostra SP, em outubro do ano passado.

Responder
Daniel Castro 25 de dezembro de 2019 - 22:27

Boa crítica (mais uma), mas gostaria que tivesse desenvolvido melhor o último parágrafo, já que foi tão bem ao cerne da coisa.

Como interpreta a cena metáfora de Thomas nu, com o olhar fixo (e com luzes de farol) em Eprahim? Seria ele a representação de Netuno ante um transgressor a ser castigado?

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 26 de dezembro de 2019 - 00:58

O símbolo ou a vontade dele é a de Netuno. Ele, como Ser, não. Oi isso ou ele era (em símbolo e Ser) Netuno, mas encontrou — ou brincou — com uma divindade maior do que ele… e deu no que deu.

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Victor Martins 2 de janeiro de 2020 - 09:34

8 dias atrás, mas aquela cena é uma referência a uma pintura do Sascha Schneider chamada Hypnose.

Responder
cleiton rosa92 25 de dezembro de 2019 - 19:50

tava até curtindo, mas não entendi nada do final do filme.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 25 de dezembro de 2019 - 20:18

Leu a crítica?

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Ghostface 22 de dezembro de 2019 - 04:02

Eu tô só a última cena depois de ver esse filme.
Sinceramente, tem tudo para se tornar um clássico do gênero.

Responder
Cahê Gündel 🇦🇹 31 de outubro de 2019 - 15:02

Critica excelente como sempre, Luiz! É o filme mais esperado por mim esse ano, pena que no cinema só em janeiro (ótima época pra lançar filme de terror sqn). O jeito vai ser apelar para a Nossa Senhora do Torrent.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 31 de outubro de 2019 - 19:15

Fico muito feliz que tenha gostado da crítica, @cahegundel:disqus! Torço pra que você tenha a mesma imersão que eu tive nessa maravilha. E venha aqui bater um papo sobre o que achou, quando vir o filme! 😀

Responder
Wander 1 de novembro de 2019 - 00:47

Sem querer ser o chato do “vá ao cinema” até pq não tenho moral kkk
Mas esse filme vale uma telona e principalmente um som bom ! Vale a pena

Responder
Jason Todd 31 de outubro de 2019 - 14:46

Orgulho do Pattinson ♥ em The Batman eu tenho razao que ele nao vai decepcionar o/ incrivel demais, fico feliz por ele

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 31 de outubro de 2019 - 19:15

O cara é bom mesmo.

Responder
Jason Todd 1 de novembro de 2019 - 01:54

Santiago como esse filme se encaixa na tematica Lovecraft ? rsrs eu nao sabia muito do filme, depois dessa faço questao de ir prestigia-lo ano que vem.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 1 de novembro de 2019 - 02:05

Em dois pontos:

1 – Na temática marinha e…

2 – na exposição do roteiro em relação à presença de uma força maior que o homem agindo sobre e em torno dele, ocultando-se, mostrando-se, moldando despreocupadamente o Universo. E o frágil homem tentando descobrir os mistérios dessas forças… e caindo naquilo que a maioria dos desafortunados personagens de Lovecraft caem. Mas não posso falar mais do que isso.

Responder
Jason Todd 2 de novembro de 2019 - 13:45

Entendi amigo, obrigado, eu farei o possivel pra ver esse filme, despertou mais ainda minha curiosidade (:

Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 2 de novembro de 2019 - 15:24

Depois volte aqui pra me dizer o que achou da obra!

victor lima 31 de outubro de 2019 - 11:41

Critica genial mano, vc sabe mt bem como contemplar os detalhes de um filme.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 31 de outubro de 2019 - 13:08

Muito obrigado, @disqus_DtoTGmA4fn:disqus! E num caso assim, um filme como O Farol ajuda demais, porque olha… tem muita coisa bacana aqui.

Responder
Teco Sodre 31 de outubro de 2019 - 11:15

Quero ler sua resenha mas não posso. Preciso ver esse filmeeeeeeee! Um dos mais aguardados por mim, esse ano.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 31 de outubro de 2019 - 13:08

Filmaço, viu! Pura imersão!

Responder
Teco Sodre 26 de dezembro de 2019 - 09:07

Vi no Festival do Rio e saí do cinema odiando o filme, de tão bom que ele é. Uma obra-prima do nosso tempo.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 26 de dezembro de 2019 - 09:09

É tão gostoso odiar um filme porque ele é bom demais! HAHAHAHAAHAHAHA melhor sensação!

Responder
Teco Sodre 26 de dezembro de 2019 - 09:13

Hahahahaha! É isso mesmo! O filme deu vários nós de marinheiro na minha cabeça, passei raiva na sessão! Mas é um desbunde para os olhos e um sargaço para a mente!

Teco Sodre 26 de dezembro de 2019 - 09:07

Ah! E sua crítica está sensacional! Parabéns, Luiz!

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 26 de dezembro de 2019 - 09:09

Muito obrigado, meu querido!

Responder
Wander Santos 31 de outubro de 2019 - 10:47

Filmao! Ele incomoda na imagem suja e o som daquela buzina que arrepia… perturbador! Não sou fã de A Bruxa, então não sabia o que esperar do diretor, mas gostei! Filme de atuação 👏🏻👏🏻👏🏻

Cena de sexo perturbadora! Amei manda mais kkkk

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 31 de outubro de 2019 - 13:08

Pois é. O povo me massacrou nos comentários da crítica de A Bruxa, e olha que eu até gostei do filme, exceto do final. Hahahahahahahahaha. Eu esperava pelo menos uma boa construção do medo, ago que o diretor já tinha mostrado que sabia fazer. E aqui ele ele isso a um ponto bem mais alto. O isolamento e as interpretações soberbas aqui… PQP!!!

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