Crítica | O Filho de Godzilla

PLANO CRITICO O FILHO DE GODZILLA SON OF GODZILLA PLANO CRITICO

A tradução literal para o título original deste filme é Batalha Decisiva da Ilha dos Monstros: Filho de Godzilla. Sendo o oitavo filme da franquia japonesa (aqui, obviamente, desconta-se Godzilla, O Rei dos Monstros, de 1956, versão americana do lagartão), podemos dizer que demorou até demais para encontrarem um jeito de colocar um filhote em cena. Já tinham feito isso com Mothra e o resultado foi (ao menos neste aspecto) bastante positivo. Era a vez de o Lagarto Atômico também experimentar a chegada da responsabilidade-maior em sua vida, marcada pela paternidade.

Com direção de Jun FukudaO Filho de Godzilla se estabelece como algo muito diferente dentro da franquia do monstro, deliberadamente exibindo algo mais fofo no tratamento e mais científico dentro do bloco dos humanos. O bom disso tudo é que o roteiro não deixa a ciência tornar tudo verborrágico e cheio de pseudo-explicações capazes de nos fazer revirar os olhos, o que não é uma novidade nos kaiju, convenhamos. A premissa aqui é cientificamente sólida e trabalhada com bastante competência pelo roteiro, pelo menos até a dispersão da equipe de pesquisadores das Nações Unidas em trabalho nesta misteriosa Ilha Solgell, no Pacífico. A estadia ali é para dar conta de uma pesquisa sobre controle das condições climáticas e possibilitar a fertilidade dos solos em lugares inóspitos, resolvendo, assim, um dos muitos problemas causados pela superpopulação.

Claro que existem ressalvas conceituais em relação a isso, mas tanto o conceito geral quanto a forma como o experimento é conduzido funcionam muito bem na tela, levando em conta que estamos em uma ficção kaiju. Godzilla é o primeiro monstro que aparece, mas muito rapidamente. Após o primeiro corte, já estamos na ilha do Pacífico e vemos um pouco da condução do projeto de condições climáticas, contando com a chegada de Goro Maki (Akira Kubo), o repórter investigativo que tem por objetivo conseguir um furo sobre esses misteriosos experimentos científicos. O roteiro de Sekizawa e Shiba consegue colocar com muito sucesso o humor no filme, através desse repórter que não se encaixa no padrão regrado da equipe de pesquisas e tem expressões divertidíssimas quando contrariado ou confrontado com coisas estranhas da ilha, sendo a primeira delas, a Kamacuras (Gimantis), ou o Louva-Deus gigante que acaba ficando maior ainda (e em pouquíssimo tempo) após um erro causado pela própria equipe científica.

É justamente por já ter tido contato com um elemento de humor que o espectador não sente tanta estranheza assim quando o filhote de Godzilla sai do ovo e é então defendido pelo pai, de um ataque das Kamacuras, que claramente queriam devorá-lo (ou só matá-lo? É difícil dizer, com esses bichos). Para mim, toda a ação dos monstros neste ponto é bastante orgânica. Os primeiros tropeços do roteiro acontecem após a chegada do Lagartão à ilha, claro, porque é mais difícil organizar tanto a parte visual quanto a parte narrativa dessas histórias com tanta coisa grandiosa em jogo, mas o trabalho continua sendo notavelmente acima da média, e segue assim quando outro bichão aparece, a Kumonga (Spiga), uma Aranha-Gigante que se junta à festa e, surpreendentemente, dá muito mais trabalho para o Godzilla do que parecia à primeira vista. O texto é bem medido em termos de colocação da nova ameaça, não deixando passar tempo demais de uma para outra e não fazendo com que essa nova aparição seja apenas uma parte gratuita do espetáculo.

As relações do Godzilla com seu filho — que só depois de concluído o filme recebeu o nome de Minilla, numa campanha feita pela Toho que terminou com uma festa de nomeação no próprio set — vão de irresponsáveis e absurdamente hilárias até às mais fofas possíveis, com dois destaques pessoais: a cena em que ele ensina o baby a emitir o gritão do lagartão e expelir o sopro atômico; e a cena final, com pai e filho abraçados, hibernando na ilha congelada pelo experimento. O humor proposital do roteiro e um tipo curioso de fofura são os grandes destaques dessa obra, que mesmo não estando livre de bizarrices (por mais engraçado que seja, Godzilla fazendo cafuné na cabeça do filho por ter acertado alguma coisa é demais, não é?) faz um ótimo trabalho ao inserir mais um personagem nessa saga atômica dos cinemas.

O Filho de Godzilla (Kaijûtô no kessen: Gojira no musuko) — Japão, 1967
Direção: Jun Fukuda
Roteiro: Shin’ichi Sekizawa, Kazue Shiba
Elenco: Tadao Takashima, Akira Kubo, Beverly Maeda, Akihiko Hirata, Yoshio Tsuchiya, Kenji Sahara, Ken’ichirô Maruyama, Seishirô Kuno, Yasuhiko Saijô, Susumu Kurobe, Kazuo Suzuki, Wataru Ômae, Chôtarô Tôgin, Osman Yusuf, Haruo Nakajima
Duração: 86 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.