Home Colunas Crítica | O Fugitivo (1963) – 1X01: Fear in a Desert City

Crítica | O Fugitivo (1963) – 1X01: Fear in a Desert City

por Ritter Fan
256 views (a partir de agosto de 2020)

Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.

Número de temporadas: 04
Número de episódios: 120
Período de exibição: 17 de setembro de 1963 a 29 de agosto de 1967.
Há continuação ou reboot?: A série ganhou reboots na forma de filmes e de novas séries. O primeiro filme foi O Fugitivo, de 1993, estrelado por Harrison Ford e o segundo, Nirnayam, foi uma produção indiana de 1995. A primeira série, de mesmo nome, teve apenas uma temporada de 22 episódios e foi ao ar entre 06 de outubro de 2000 e 25 de maio de 2001 e a segunda, também homônima, foi uma produção para o finado serviço de streaming Quibi, com 14 mini episódios que foram ao ar entre 03 e 18 de agosto de 2020.

XXXXXXXXXX

Em 1954, o osteopata e neurocirurgião Samuel Holmes Sheppard foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato de sua esposa, Marilyn Reese Sheppard, em um julgamento controverso e que ganhou cobertura sensacionalista da imprensa americana. Em 1966, depois de passar 10 anos preso e de uma longa batalha judicial, a condenação foi revertida pela Suprema Corte.

Esse é o caso que, mesmo tecnicamente então ainda em andamento e mesmo que não creditado, inspirou Roy Huggins a criar uma das mais bem sucedidas séries dramáticas da televisão americana dos anos 60, que durou quatro temporadas, cada uma de 30 episódios e apenas a última em cores. Na história, acompanhamos a fuga do Dr. Richard Kimble (David Janssen) pelos EUA, depois que o trem que o leva para a prisão onde aguardará sua execução pelo assassinato de sua esposa descarrila, em uma estrutura de “cidade e identidade novas da semana” que, na década seguinte, ganharia eco em O Incrível Hulk.

O único contexto visual que Fear in a Desert City, o episódio inaugural originalmente produzido como telefilme, mas que nunca foi ao ar como tal, oferece é o acidente de trem, pois Kimble já nos é apresentado como condenado, com uma elipse de seis meses depois que sai dos escombros, já seguindo sua rotina de peregrinar pelo país fugindo da perseguição implacável do detetive de polícia Philip Gerard (Barry Morse), tudo explicado pela narração jamais creditada de William Conrad. No entanto, o foco permanece constantemente em Kimble, com Gerard aparecendo apenas em duas breves cenas. Igualmente, o famoso “Homem de Um Braço Só”, que Kimble diz ter visto em sua residência na noite do assassinato, só existe aqui na forma de texto expositivo do protagonista, já que o personagem famosamente vivido por Bill Raisch sequer dá as caras aqui.

Usando a identidade de James Lincoln e arrumando um emprego de barman em Tucson, no Arizona, a “cidade deserto” do título, Kimble logo se envolve com Monica Welles (Vera Miles, a irmã da mulher assassinada em Psicose), uma pianista que está ali fugindo de seu violento e dominador marido que, claro, acabou de achá-la. O tema de abuso é interessante e bem executado, especialmente considerando a época em que foi feito. No entanto, o episódio é crivado de incessantes e cansativos diálogos expositivos, o que torna o ritmo extremamente lento e cansativo, com a ação propriamente dita sendo reduzida a breves segundos esparsos ao longa da quase uma hora de projeção.

Toda a construção de tensão se dá exclusivamente pelo narrador e pelo uso da polícia como aquela boa e velha espada por sobre a cabeça de Kimble, mesmo que, aqui nesse início, ela nem se dê conta de que Lincoln é Kimble. Como se isso não bastasse, a trilha sonora é artificialmente sincronizada de maneira a ditar demasiadamente como o espectador deve se sentir, mesmo que as imagens sejam mais do que suficientes para isso. O que segura bem o episódio inaugural, porém, é a inspirada escalação de Miles cuja presença em tela ilumina as normalmente tristes expressões de Janssen e as sequências relaxadas que eles têm juntos.

Fear in a Desert City cumpre sua função de intrigar o espectador e de colocá-lo ao lado de Kimble em sua interminável jornada por sua vida, mas o episódio acaba ficando travado pela sucessão de sequências em que diversas explicações são oferecidas, o que de forma alguma se limita ao drama do fugitivo. Sua duração avantajada não contribui para essa sensação, especialmente considerando que a produção escolheu não fazer exatamente um episódio de origem, algo que só seria mostrado posteriormente. No final, faltou fuga e sobrou blá blá blá cansativo, ainda que Vera Miles faça tudo valer a pena.

O Fugitivo (1963) – 1X01: Fear in a Desert City (The Fugitive – EUA, 17 de setembro de 1963)
Criação: Roy Huggins
Direção: Walter Grauman
Roteiro: Stanford Whitmore
Elenco: David Janssen, Barry Morse, Paul Birch, William Conrad, Vera Miles, Brian Keith, Harry Townes
Duração: 51 min.

Você Também pode curtir

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais