Crítica | O Homem dos Cinco Balões (Brinquedo Louco)

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estrelas 4

Marco Ferreri nasceu em Milão, em 1928. Sua estreia no cinema ocorreu quando morava na Espanha e, nesse país, dirigiu os seus primeiros filmes: Los Chicos (1959), El Pisito (1959) e El Cochecito (1960). Suas produções transitam entre o ingênuo e o bizarro, sempre apontando o reflexo de uma sociedade burguesa viciada nos próprios símbolos e com gigante sentimento de culpa gerado pelo catolicismo. Misturando anticlericalismo com pessimismo existencial e crítica social explícita, Marco Ferreri tornou-se um dos mais originais diretores italianos e mesmo em seu canto do cisne, Nitrato de Prata (1996), quando já não gozava do vigor de sua fase áurea, conseguiu deixar uma obra nostálgica e melancólica, tendo o próprio cinema como seu objeto central. O Homem dos Cinco Balões, surgiu primeiro como um episódio do filme Homem, Mulher e Dinheiro (1965) e três anos depois foi transformado em longa-metragem. Nessa obra, o diretor sustenta o seu cinismo em relação à burguesia evocando a loucura.

Mario (Marcello Mastroiani) é um industrial. Sua vida está ligada à produção frenética, prazos, metas e ganho. Ele sonha, inclusive, com um problema relacionado à uma máquina de sua fábrica, que produz um pouco menos que o normal. Mas um pequeno episódio mudará completamente a sua vida: ele começa a ficar cada vez mais obcecado para descobrir qual é o ponto de ruptura de um balão. Quanto de ar é possível soprar até que ele exploda? O nível de pressão e temperatura do ambiente influencia nisso? O resultado varia de balão para balão?

Marco Ferreri usa a linha do humor para ensaiar a loucura de um homem. A fixação patológica por um objeto vai, aos poucos, retirando o protagonista de sua realidade social. Se o seu relacionamento amoroso já era comprometido pelo excesso de trabalho, sua dúvida vital acaba por estabelecer um fim definitivo. A fábrica sai de cena e o cada vez mais caricato Mario é possuído pela ânsia de saber o quanto um balão pode aguentar de ar. É interessante observar o modo como o diretor compõe essa ânsia, essa angústia. Ao passo que o balão é enchido, o espectador fica na expectativa da explosão, que não acontece quando o esperado e sempre assusta quando acontece. Um pouco de suspense e humor ácido ajudam a temperar a história.

Mesmo que seja simples em sua composição – o diretor usa apenas um deslocamento por vez, ou de ângulo ou de plano – O Homem dos Cinco Balões explora a questão da sanidade mental e suscita dúvidas sobre a possibilidade de já haver no protagonista um indício de loucura. Nesse caso, a dúvida se estende para todas as pessoas que nos rodeiam e para nós mesmos: algo extremamente inútil e banal poderia nos desencadear a loucura? A dúvida persiste até o fim do curta-metragem, cujo desfecho irônico e amargo põe literalmente na mesa o pântano de nosso inconsciente, a solidão do homem na cidade, a escravidão do indivíduo pelo trabalho, a deserotização da sociedade, o desaparecimento da razão e a impossibilidade de lidar com isso.

Break Up ou Brinquedo Louco ou O Homem dos Cinco Balões (L’Uomo dei Cinque Palloni, Itália, 1968)
Direção: Marco Ferreri
Roteiro: Rafael Azcona e Marco Ferreri
Elenco: Marcello Mastroianni, Catherine Spaak, Ugo Tognazzi, William Berger, Sonja Romanoff, Antonio Altoviti, Charlotte Folcher, Gian Luigi Polidoro, Ennio Balbo, Penny Brown, Marco Ferreri
Duração: 85 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.