Crítica | O Jeito Google de Trabalhar

Na contemporaneidade, tornou-se quase impossível pensar em utilizar aparatos tecnológicos do terreno da cibercultura sem alguma relação com o Google, a “simpática” empresa que hoje já se tornou verbo para ações de seus usuários na internet e adentrou profundamente em nossas vidas por meio dos smartphones, das agendas empresariais, nos mecanismos de buscas em nossas pesquisas, etc. O Google fez para as nossas vidas o que os coachs fizeram para muitas pessoas que os seguem fidedignamente: tornaram-se imprescindíveis. Há diversos tópicos para reflexão neste processo de dominação global da indexação da informação, tais como a privacidade de nossos dados, mas o documentário O Jeito Google de Trabalhar, lançado em 2010, sob a produção da National Geographic, foca apenas no lado “mágico” das coisas. Plano Crítico.

Na contemporaneidade, tornou-se quase impossível pensar em utilizar aparatos tecnológicos do terreno da cibercultura sem alguma relação com o Google, a “simpática” empresa que hoje já se tornou verbo para ações de seus usuários na internet e adentrou profundamente em nossas vidas por meio dos smartphones, das agendas empresariais, nos mecanismos de buscas em nossas pesquisas, etc. O Google fez para as nossas vidas o que os coachs fizeram para muitas pessoas que os seguem fidedignamente: tornaram-se imprescindíveis. Há diversos tópicos para reflexão neste processo de dominação global da indexação da informação, tais como a privacidade de nossos dados, mas o documentário O Jeito Google de Trabalhar, lançado em 2010, sob a produção da National Geographic, foca apenas no lado “mágico” das coisas.

Embasado na pesquisa de Terri Foxman, a produção televisiva foi escrita, dirigida e narrada de maneira bastante didática e fluente por Ted Remerowisk, realizador que expõe aos espectadores o surgimento do Google e seus desdobramentos na era da cibercultura. Somos apresentados aos fundadores, Larry Page e Sergey Brin, os idealizadores do projeto que ganhou forma enquanto eram estudantes de Doutorado em Ciência da Computação na Universidade de Stanford, na Califórnia. Tal como outros empreendimentos que começaram sem orçamento e com faro para a experimentação de seus inventores, o site de buscas ganhou forma numa garagem em 1998, impulsionado por dois jovens cientistas que tinha interesse em compactar “toda a informação do mundo e disponibilizar gratuitamente na internet”.

Assim surgiu o Google, interativo, adaptado aos avanços do próprio terreno de onde surgiu, mecanismo que se fixou de tal forma na cultura ocidental e oriental, neste último, restrito e polêmico em alguns países arredios diante de suas regras operacionais que não prezam pela total privacidade dos usuários. Com imagens captadas pela eficiente direção de fotografia de Russel Gienapp Neville, diversos tópicos sobre a presença do Google em nossas vidas, tendo como foco central, como o mundo se transformou com a empresa e o seu modo de operação que preza pelo otimismo e bem-estar dos colaboradores, tudo corroborado pelas filmagens nos escritórios em territórios geográficos distintos de nosso planeta, tais como a China, Rússia e sua sede no Vale do Silício.

Observamos, no desenvolvimento de O Jeito Google de Trabalhar, a exposição de uma filosofia corporativa supostamente singular, voltada para a ideia de que o crescimento exponencial da empresa está conectado ao bom desenvolvimento do trabalho por parte de seus funcionários. Assim, a cada depoimento otimista, acompanhamos as opiniões acerca da revolução dos computadores pessoais, as atividades realizadas sem uso de papel algum, tudo voltado aos mecanismos virtuais, a entrada do Google no dicionário como verbo da cultura pop, bem como o seu projeto de dominação que o tornou a “entidade que tudo sabe”, algo que expõe a importância do site para as dinâmicas atuais nos diversos campos de atuação de nossas vidas, mas que também assusta um pouco quando nos damos conta de como somos vigiados diariamente.

Na seara dos depoimentos, temos a exposição de informações de Paul Buchet, criador do Gmail; dos fundadores Larry Page e Sergey Brin; além de Craig Silverstein, David Chricton, Chris Hoofnagle, Eric Schimdit, dentre outros. As opiniões no geral são bem otimistas, afinal, é fato que o Google criou um mecanismo de interação que facilita o nosso trabalho na internet, com vantagens que vão desde o seu navegador bastante eficiente aos recursos de buscas, ao Google News, You Tube, Google Maps e outros tantos aplicativos. Junto a isso, no entanto, vem uma espécie de “escravização”, onde não conseguimos driblar muitas das regras estabelecidas e se comunicar por outros meios sem parecer desconectado com a realidade que nos circunda.

Ademais, ao longo de seus 45 minutos, de O Jeito Google de Trabalhar foca no lado inofensivo da coisa e nos faz viajar por meio de gráficos explicativos, elaborados de maneira cuidadosa pelo didático Denis Takacs, também editor do documentário, profissional que ganha projeção com as animações de Peter Kovalik, membro também eficiente da equipe de efeitos visuais, todos em prol de uma breve, mas elucidativa radiografia do aspirador mundial de dados digitais que surgiu em 1998 e mais de duas décadas depois, ainda é grande referência para os usuários de internet, sem perspectiva de fixação de seu crescimento vertiginoso a cada novo avanço da nossa Era da Informação.

O Jeito Google de Trabalhar (Inside Google) – EUA, 2010
Direção:
Ted Remerowisk
Roteiro: Ted Remerowisk
Elenco: Ted Remerowisk, Paul Buchet, Larry Page, Sergey Brin, Craig Silverstein, David Chricton, Chris Hoofnagle, Eric Schimdit
Duração: 45 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.