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Crítica | O Mestre do Yin Yang

por Guilherme Rodrigues
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Em um primeiro momento, é difícil não se impressionar com O Mestre do YinYang, já que é difícil negar a dedicação em tornar real o mundo mágico do longa por meio de efeitos práticos. Não que o uso de CGI seja negativo por si só, mas tudo em excesso faz mal, e o longa chinês apresenta certo equilíbrio, mesmo que o CGI não seja tão fotorrealista como estamos acostumados, o uso de maquiagem e sets práticos mais que compensa, e o resultado é de encher os olhos. Quando dois personagens passam por um cenário do mundo dos monstros, cada monstro que vemos destacado são bem distintos um do outro, e todo o cenário é incrivelmente detalhado, dando a impressão de um mundo bem vivo. Mas todo esse apuro técnico, está a serviço de quê, exatamente?

Em O Mestre do Yin Yang, somos apresentados a um mundo dividido entre humanos e monstros. A muitos anos atrás, o Rei Demônio usou dos monstros para tentar invadir o reino humano, mas foi derrotado pela agência YinYang, que protege o equilíbrio entre os mundos, sendo os guardas da Pedra Escama, que pode trazer o Rei de volta à vida. Qing Ming (Chen Kun) é um mestre da agência que é dividido entre os dois mundos, sendo metade humano e metade monstro, e é rechaçado pelos membros da agência, preferindo viver de modo isolado. Tudo isso muda quando a Pedra Escama é roubada e um dos monstros sob o cuidado de Qing Ming é implicado no roubo, e o mestre precisará lidar com a situação, que pode ser um indício do retorno do Rei Demônio.

É uma trama carregada da mitologia desse mundo, que não se preocupa muito em dar tempo de ambientar o espectador nela. Logo de cara os termos “Pedra Escama” e “Rei Demônio” são ditos pelos personagens sem que qualquer contextualização seja oferecida. A priori isso não é um problema, visto que essa informação pode ser oferecida mais adiante, mas isso nunca acontece de fato, e assim, Mestre do Yin Yang é um longa interessante de se ver, mas não tanto de acompanhar narrativamente, o encanto com o trabalho de maquiagem tem seu limite.

O longa dirigido por Li Weiran simplesmente passa de cena em cena sem se preocupar muito com seus personagens e com os desafios que enfrentam em sua jornada, é tudo muito célere, e a trama avança sem, de fato, se desenvolver, sendo constituída por uma série de buscas por macguffins que podem mudar o jogo, se não a tal pedra, há também uma poderosa espada capaz de derrotar o Rei. Diversos outros personagens fazem parte do enredo, mas muito mal consigo me lembrar do que eles fazem na trama.

Assim, momentos que deveriam ser chocantes ou até épicos tem o impacto de uma folha caindo no chão. Ao final, é revelado que o Rei Demônio é na verdade uma pessoa muito querida a Qing Ming, informação que era para causar grande impacto na trama, mas não altera em nada, visto que tal personagem não era presença importante, exceto por uns flashbacks, nem a angústia de Ming por ter que lutar contra um amigo é explorada: a informação chega a ele mas o conflito segue da mesma maneira. Outro momento, que deveria ser uma épica cena de resistência de um pequeno grupo contra um exercito, pouco comove, visto que o resistentes são compostos em sua maioria de personagens que ficavam no plano de fundo, tal qual as paisagens.

Há uma explicação para isso, já que o longa tem como base o jogo de estratégia Onmyōji , onde os personagens se digladiam em campos de batalha. Nesse sentido, O Mestre do Yin Yang é fiel à fonte de origem, já que esse é claramente o foco do filme, com cenas de luta até elaboradas e interessantes visualmente. Deve ser algo interessante de se jogar, mas de assistir somente, mesmo com todo o trabalho de produção, nem tanto.

O Mestre do Yin Yang  (The Yinyang Master) – China, 2021
Direção: Li Weiran
Roteiro: Even Jian
Elenco: Chen Kun, Zhou Xun, William Chan, Qu Chuxiao
Duração: 113 min.

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