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Crítica | O Método Kominsky – 1ª Temporada

por Ritter Fan
150 views (a partir de agosto de 2020)

Chuck Lorre, o incansável Midas da sitcom de TV aberta, responsável pelo mega-sucesso The Big Bang Theory dentre muitas outras séries, havia ingressado em território diferente com Disjointed, exclusiva do Netflix e que foi cancelada ao final da 1ª temporada. Com O Método Kominsky, o produtor e showrunner não só insiste no mesmo território do streaming como traz sua série mais… digamos… diferente. Pelo menos diferente do que estamos acostumados a ver dele, claro.

Inevitavelmente lembrando-nos do conceito de Grace and Frankie, também do Netflix, O Método Kominsky lida com a vida de personagens na terceira idade, com muitas das abordagens girando em torno da perspectiva da morte. Michael Douglas vive Sandy Kominsky ator que chegou a ver sucesso no começo de carreira, mas que, hoje, é um professor de dramaturgia respeitado, mas quebrado financeira e amorosamente, tendo passado por três casamentos falidos. Alan Arkin, por sua vez, vive o bem-sucedido agente de talentos Norman Newlander, melhor amigo de Sandy (no estilo Dois Velhos Rabugentos de ser, claro) e casado com a mesma mulher há 46 anos. O estopim narrativo é justamente o falecimento de Eileen (Susan Sullivan), esposa de Norman há tempos muito doente, que faz com que ele perca seu norte e força com que Sandy aproxime-se ainda mais do amigo.

A premissa literalmente fúnebre é o que traz a “diferença” que salientei, pois foge um pouco da “praia” usual de Lorre, especialmente considerando que nem sei ao certo se seria correto classificar O Método Kominsky simplesmente como uma sitcom. Claro, há uma esperada veia cômica por trás principalmente da interação entre Sandy e Norman, com os dois atores estabelecendo química instantânea e mastigando os cenários onde aparecem, com Arkin compondo um personagem complexo em sua forma de lidar com a dor da perda e Douglas vivendo ele mesmo, mas no bom sentido da expressão. O ponto é que, bem mais do que Grace and Frankie, que se beneficia de um elenco maior e de tramas paralelas de diferentes naturezas, a nova série de Lorre gravita mais detidamente em torno da morte iminente, com o falecimento de Eileen sendo esmiuçado em detalhes ao longo dos breve oito episódios, até mesmo com um surreal velório que chega a dar vergonha alheia de tão bizarro.

Ao focar primordialmente em Sandy e Norman, há uma pessoalidade muito grande, com tudo emanando deles. Vemos a relação distante, mas não tanto de Sandy com sua filha Mindy (Sarah Baker), que gerencia sua escola de dramaturgia, assim como vemos a dolorosa relação de Norman com sua filha Phoebe (Lisa Edelstein) viciada em medicamentos e constantemente entrando e saindo de clínicas de reabilitação. Também passeamos pela vida amorosa de Sandy que tenta conectar-se com sua aluna Lisa (Nancy Travis) e sua investigação sobre o que pode ser um problema na próstata, o que o coloca perante o amalucado Dr. Wexler (Danny DeVito em uma divertida ponta) e diante de seu próprio tangenciamento com a morte.

Portanto, a “sitcom” ganha um peso maior do que estamos acostumados a ver por aí o que acaba até mesmo tornando as piadas mais acridoces do que propriamente engraçadas. A leveza se esvai e entra uma pegada que, diria, chega a ser pessimista, finalista mesmo, que incomoda, mas que, por outro lado, soa real. Talvez incomode por parecer tão real. E é isso que, além da interação sem preço entre Douglas e Arkin, que separa O Método Kominsky de seus pares.

O problema é que os roteiros se fiam demais em piadas repetitivas que, se já não são engraçadas de início pela questão que levantei acima, cansam muito quando ganham sua terceira, quarta ou quinta versões. O maior exemplo disso é o quanto os textos se preocupam com Sandy lidando com sua incapacidade de urinar. Sem dúvida é divertido vê-lo desesperado correr para a cerca viva ao redor da casa de sua namorada para ele se aliviar, mas a coisa começa a cansar quando, em um banheiro masculino, ele lida não uma, mas duas vezes com jovens com um fluxo potente no mictório. Dá para esboçar um sorriso, mas ele não convencerá ninguém.

Como se isso não bastasse, apesar de a temporada contar uma história em tese una, costurada principalmente ao redor da morte de Eileen, diversas pequenas subtramas ou ganham resoluções abruptas ou simplesmente são esquecidas. Esse é o caso do tratamento de desintoxicação de Phoebe e até mesmo do relacionamento de Sandy com Lisa. As abordagens fora do eixo realmente central da série são rasos e erráticos, algo que jamais poderia acontecer em uma temporada tão curta.

Mesmo com seus problemas, O Método Kominsky encanta pela harmonia entre Douglas e Arkin, com o segundo realmente destacando-se como um homem que efetivamente desmorona sem sua cara-metade. É fácil criar uma conexão com a dupla e deliciar-se com as atuações, ainda que a série de Chuck Lorre surpreendentemente nos force a encarar de frente aquele inafastável fim que a todos aguarda, mas que sempre procuramos afastar de nossos pensamentos.

O Método Kominsky (The Kominsky Method, EUA – 16 de novembro de 2018)
Criação: Chuck Lorre
Direção: Chuck Lorre, Andy Tennant, Donald Petrie, Beth McCarthy-Miller
Roteiro: Chuck Lorre, Al Higgins, David Javerbaum
Elenco: Michael Douglas, Alan Arkin, Sarah Baker, Nancy Travis, Graham Rogers, Ashleigh LaThrop, Melissa Tang,  Jenna Lyng Adams, Casey Brown, Emily Osment, Susan Sullivan, Lisa Edelstein, Ramon Hilario, Cedric Begley, Danny DeVito, Anoush NeVart, Ann-Margret
Duração: 22 a 33 min. (oito episódios no total)

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17 comentários

Mau Andrade 13 de janeiro de 2019 - 05:30

4 estrelas e meia pra série! Recomendo.

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planocritico 17 de janeiro de 2019 - 09:55

Também recomendo!

Abs,
Ritter.

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Leonardo Sette Pinheiro 21 de novembro de 2018 - 11:17

se tem rabugices tem selo Ritter de Qualidade!

Responder
planocritico 21 de novembro de 2018 - 12:10

Exatamente!!! HAHAHAHHAHAHAHAAH

Abs,
Ritter.

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Pedro Brito 20 de novembro de 2018 - 21:11

Não curto muito comédias, mas resolvi assistir a série pelos dois atores principais. Não me arrependo, ambos os atores estão muito bem e me surpreendi pela forma como a série lida com a morte (confesso q chorei em alguns momentos). O problema são algumas piadas repetitivas mesmo, mas da pra suportar.

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planocritico 20 de novembro de 2018 - 23:43

Também não gosto muito de sitcoms, mas a pegada mais “pesada” aqui foi muito bem-vinda!

Abs,
Ritter.

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planocritico 20 de novembro de 2018 - 19:26

Douglas é um ator que, mesmo quando não faz esforço, mesmo quando está em filme ruim, funciona bem. Mas a estrela aqui é o Alan Arkin!

Abs,
Ritter.

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William O. Costa 20 de novembro de 2018 - 23:40

E eu sequer me lembro de filmes com Alan Arkin. Interessante ele ser o verdadeiro destaque.

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planocritico 20 de novembro de 2018 - 23:43

Um grande ator!

Abs,
Ritter.

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William O. Costa 20 de novembro de 2018 - 23:48

Entendi agora porque não me lembrava dele. Ele faz mais coadjuvantes e seu filme de maior destaque, Pequena Miss Sunshine, eu ainda não vi, mas já estou marcando pra ver, assim como a série.

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Daniel Barros 10 de janeiro de 2019 - 14:26

Tipo de frase que gera DR lá em casa….Como pode não ter assistido Pequena Miss Sunshine!?

Responder
planocritico 17 de janeiro de 2019 - 07:49

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Abs,
Ritter.

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planocritico 20 de novembro de 2018 - 16:00

Ela é bem bacana mesmo.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 20 de novembro de 2018 - 16:00

@WilliamAbsoluto:disqus , eu comecei a ver completamente sem querer, em um daqueles “passeios” pelo cardápio do Netflix. Claro que o que me chamou atenção foi a dupla principal, mas a série me pegou de surpresa pela forma direta e sem firulas com que lida com a morte.

Se assistir, depois volte aqui para dizer o que achou!

Abs,
Ritter.

Responder
William O. Costa 20 de novembro de 2018 - 16:14

Sim, sei, esses “passeios” nos quais eu às vezes mais tempo do que realmente assistindo a alguma coisa. Pois é, o Michael Douglas aí na foto foi o que mais me impeliu a entrar para ler a crítica. Voltarei, sim, assim que tiver assistido.

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William O. Costa 20 de novembro de 2018 - 12:01

A série estava quase passando batida pra mim, mas depois dessa ótima e bem construída crítica, fiquei empolgado pra ver. Obrigado por isso. Muito bom trabalho!

Responder
Giovani R 20 de novembro de 2018 - 08:07

Gostei da série

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