Crítica | O Misterioso Caso de Styles (Agatha Christie’s Poirot 3X01)

The Mysterious Affair at Styles PLANO CRITICO O Misterioso Caso de Styles (Agatha Christie’s Poirot 3X01)

Exibido em setembro de 1990, O Misterioso Caso de Styles abre de maneira positiva a 3ª Temporada da série Agatha Christie’s Poirot, adaptado o icônico primeiro romance policial da Ranha do Crime. Nesta aventura, que se passa durante a 1ª Guerra Mundial (tendo sido igualmente escrita durante o conflito), temos o início da jornada investigativa de Hercule Poirot, ao menos em termos cronológicos de publicação dos livros da autora, claro. Interpretado por David Suchet — que faz uma excelente construção do personagem, seguindo inúmeras dicas dadas pela autora no próprio livro — acompanhamos a chegada do Tenente Hastings à mansão de Styles e a ocorrência do crime que permite Poirot exercitar as suas pequenas células cinzentas e capturar o assassino.

Escrito por Clive Exton (responsável pelo texto de estreia da série, com o episódio A Aventura da Cozinheira de Clapham) o roteiro desta adaptação trabalha muito bem na transposição da narração do livro — a cargo de Hastings — para encontros em sua maioria orgânicos e bem estruturados. Exceto a estranheza dos planos no olhar de terror do Tenente para os filmes do campo de batalha que assistia (a montagem e a direção de Ross Devenish poderiam ter evitado o vexame) e pela presença sem muito sentido de John Cavendish na sequência inicial, não temos maiores problemas de andamento do episódio, que consegue ajustar, inclusive, o ponto mais fraco do original, que é a repetição de uma cadeia de eventos que nos dá a impressão de andar em círculos.

Tanto o inquérito quanto o julgamento são encurtados e todo o desenvolvimento da exposição do veneno — ligado a quem poderia ou não ter tido acesso ou cometido o crime — é retirado dessa adaptação. Claro que isso tem um preço, que é o desenvolvimento menor dos outros personagens da mansão, o que facilita muito mais para um espectador que não leu o livro em reconhecer o assassino. Aliás, as deixas narrativas e estéticas desse episódio parecem não querer deixar dúvidas, mesmo que brinque um pouco com nossa perspectiva, ao mostrar as observações astutas de Poirot e a contar com os palpites “comuns” de Hastings. E só para constar, o Tenente, interpretado por Hugh Fraser na série, não tem a caraterística chateante de impor opiniões desnecessariamente ou orgulhosas e fazer observações descabidas sobre Poirot e seu método… Ou ficar pessoalmente ofendido com qualquer coisa, o que me espanta muito vindo de um homem que acabou de voltar da guerra.

Aqui, não. O personagem ganha um caráter mais parecido com o de Watson, nas aventuras de Sherlock Holmes, e embora não muito astuto, certamente consegue fazer uma ponte entre o detetive belga e os moradores casa, criando situações que certamente ajudam Poirot pensar melhor (mesmo que isso seja um verdadeiro acidente de observação, por parte de Hastings). Por um momento eu comemorei o fato de a linha romântica do livro ter sido enxugada aqui, mas foi uma comemoração precipitada. Não adianta fazer com que um lado da trama fique oculto e depois insistir em colocá-lo em cena, como se o espectador tivesse o conhecimento e a preparação para adequá-lo bem ao enredo. Não digo que isso fica inteiramente fora do que o roteiro propõe, mas certamente não é orgânico, aliás, vem como um turbilhão na reta final da obra, fazendo-nos aceitar que “as coisas são realmente assim”. No todo, porém, trata-se de uma boa adaptação do primeiro romance de Agatha Christie, um bom primeiro encontro do trio Japp, Poirot e Hastings, em um espaço que ainda teria um papel definitivo na vida de Poirot.

O Misterioso Caso de Styles (Agatha Christie’s Poirot 3X01) — Reino Unido, 16 de setembro de 1990
Direção: Ross Devenish
Roteiro: Clive Exton (baseado na obra de Agatha Christie)
Elenco: David Suchet, Hugh Fraser, Philip Jackson, Beatie Edney, David Rintoul, Gillian Barge, Michael Cronin, Joanna McCallum, Anthony Calf, Allie Byrne, Lala Lloyd, Michael Godley, Morris Perry, Penelope Beaumont, David Savile, Tim Munro, Tim Preece, Merelina Kendall
Duração: 103 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.