Crítica | O Monstro de Veneza

Embora seja um pouco mais ajeitadinho que A Hiena de Londres, giallo da safra anterior na cronologia do gênero, O Monstro de Veneza (1965), dirigido por Dino Tavella, ainda mostra grande disparidade de qualidade em relação aos ótimos longas de Mario Bava que estabeleceram esse estilo de terror no cinema: A Garota Que Sabia Demais (1963) e Seis Mulheres Para o Assassino (1964). Ainda assim, trata-se de um filme com um valor que o longa de Gino Mangini não tinha: utilizar-se das recém-criadas regras dessa abordagem para apresentar um assassino em série… mascarado.

Embora a maturidade desse tratamento para um psicopata mascarado (que serviria de inspiração para diversos cineastas americanos, na gênese do slasher) só chegasse aos gialli em 1973, com Torso, de Sergio Martino, é interessantíssimo ver como neste filme de 1965 um recurso antigo do cinema (máscaras em filmes de terror) passa a ser refigurado, trabalhado em uma linha que não tinha como foco principal o macabro, mas o estabelecimento de uma figura que representava algo maior, um vício e um prazer de morte capazes de apavorar toda uma localidade (aqui, como o título diz, a cidade de Veneza, relativamente bem aproveitada pelo diretor), carregar um método de assassinatos em série, ter o foco em mulheres e se cercar de adereços e memorável iconografia, algo que diretores mais competentes conseguiriam trabalhar com primazia no futuro.

A curiosa atenção para a direção de arte já pode ser vista na abertura, com uma bela e macabra representação do “covil” do assassino (as catacumbas da cidade), local que volta a ser explorado no final, mostrando mais detalhes do espaço onde também fica o laboratório utilizado pelo monstro para embalsamar as mulheres bonitas que mata, a fim de guardá-las em sua coleção. Algo em comum entre as vítimas é o fato de serem muito jovens (17 ou 18 anos) e que desaparecem sem deixar rastros. Mesmo que isso não seja um mistério para o espectador — porque vemos o “monstro” usar um equipamento de mergulho para ir dos canais ao seu covil — o roteiro trabalha bem o mistério em torno desses desaparecimentos, cabendo ao jornalista Andrea (Luigi Martocci) o papel de investigador amador da vez.

O desenvolvimento da história, porém, não faz jus à boa ideia proposta. E nesse aspecto temos uma coleção de coisas ruins acontecendo: diálogos infantis ou simplesmente estúpidos, parte do elenco em performances duvidosas, montagem que não ajuda a manter um bom ritmo para a trama, trilha sonora usada com grande exagero e mal arranjo de tramas paralelas, especialmente dos romances. Entretanto, o filme logra nos impressionar visualmente em alguns momentos, especialmente através da direção de arte, retrabalhando um cenário que seria o típico barroco dos filmes de terror para a nova abordagem proposta pelo giallo. O fim ainda tem o mérito de não poupar personagens, o que é sempre bom de se ver em obras com uma grande ameaça que precisa ser controlada. Um interessante, apenar de problemático, exemplar do gênero ainda no início de sua formação.

Il Mostro di Venezia (Itália, 1965)
Direção: Dino Tavella
Roteiro: Paolo Lombardo, Gian Battista Mussetto, Dino Tavella, Antonio Walter
Elenco: Maureen Brown, Luigi Martocci, Alcide Gazzotto, Alba Brotto, E. Caruso, Viki Castillo, Carlo Russo, Paola Vaccari, Maria Rosa Vizzina, Gaetano Dell’Era, Pietro Walter, Roberto Contero, Francesco Bagarin, Luciano Gasper, Anita Todesco, Antonio Grossi, Jack Judd
Duração: 83 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.