Home FilmesCríticas Crítica | O Pai da Noiva 3

Crítica | O Pai da Noiva 3

por Ritter Fan
1498 views (a partir de agosto de 2020)

Chegando praticamente de surpresa no canal do Netflix no Youtube e produzido primordialmente para servir de campanha beneficente para a World Central Kitchen (quem quiser doar, siga o link: wck.org/father), a segunda continuação de O Pai da Noiva, de 1991, por sua vez remake do filme homônimo (no Brasil O Papai da Noiva) com Spencer Tracy e Elizabeth Taylor, chega às telinhas na forma de um “curta metragem de pandemia” 25 anos após O Pai da Noiva 2, trazendo todo o elenco clássico de volta, além de escalar Florence Pugh como Megan, filha de George (Steve Martin) e Nina (Diane Keaton) e Ben Platt como George, filho de Annie (Kimberly Williams-Paisley) e Bryan (George Newbern), além de uma bem-vinda surpresa que não vou estragar e que sugiro que não leiam a ficha técnica abaixo para descobrir. Se alguma coisa – além da nobreza do empreendimento – o curta de 26 minutos mostra que ainda talvez exista espaço para uma efetiva continuação tardia da “saga” da família Banks.

A história é muito simples, como não poderia deixar de ser diante das restrições técnicas: durante uma videoconferência com toda a família, Matty (Kieran Culkin, na esteira do sucesso de Succession) anuncia que pretende casar virtualmente, naquele momento, com Rachel (Alexandra Shipp, uma simpatia), médica que, depois de seu plantão, está hospedada em um hotel, e que é sua namorada/noiva há seis anos. Mas ela não sabe de nada ainda, pelo que tudo é uma armação para ele fazer o pedido e proceder com o casamento, o que, em circunstâncias normais, seria um risco gigantesco, mas que, aqui, dado a grau de açucaramento da proposta, transcorre sem maiores percalços. É sem dúvida uma simpatia ver todo o elenco retornando e constatando que eles ainda tem química, mesmo que completamente separados.

Mas, como disse, o nível de sacarina é gigantesco a ponto de tornar tudo deliciosamente brega, daquele jeito que deixa o espectador até desconfortável por gostar do que está vendo. No entanto, faz parte da proposta e, convenhamos, de todos os problemas, especialmente a pandemia, que o ano de 2020 vem trazendo, ou seja, é uma alívio breve para realmente nos fazer rir, talvez chorar, que oferece doses maciças de nostalgia e aquela vontade de rever os filmes anteriores que, mesmo não sendo obras-primas, oferecem diversão em boa quantidade.

É até por isso que ser o crítico chato aqui é uma função que me deixa pisando em ovos. Mas é para isso que estou aqui, não tem jeito. A proposta é legal, sem dúvida, e reunir o elenco todo depois de tanto tempo não é uma tarefa fácil, especialmente com cenários que funcionam muito bem como uma perfeita continuidade daquilo que vimos nos filmes noventistas. Há até uma boa desculpa para separar George de Nina que é inserida no roteiro que, também, usa George e suas obsessões para servir de peça publicitária sobre o que fazer e o que não fazer durante a pandemia. Simpático, sem dúvida.

Mas – e é aí que meu lado chato começa a falar mais alto – falta uma história minimamente elaborada. Só a proposta de casamento, que transforma George efetivamente no “Pai do Noivo” pela primeira vez não é suficiente par segurar mesmo esses 26 minutos, o que faz com que o curta recorra a breves sequências dos filmes, além de abrir (depois que Reese Whitherspoon faz a apresentação) com um “resumo” do que veio antes. Em termos comparativos com “filmes de pandemia”, esse me pareceu um tantinho quanto preguiçoso no lado do conteúdo, por assim dizer.

As caracterizações estão todas boas – e é impressionante notar como Kimberly Williams-Paisley praticamente não mudou! – com todos muito à vontade e  com Pugh e Platt funcionando como boas adições à família (além da já mencionada surpresa, claro). O ponto fora da curva é, infelizmente, Martin Short e seu Franck. Sim, o personagem sempre foi exagerado, sempre foi um chato de galochas, mas, aqui, ele está extremamente artificial, com um sotaque bem mais carregado e menos preparado do que o que ele tinha nos filmes. É como ver um pastiche do personagem que já é um pastiche.

O Pai da Noiva 3 é uma descompromissada diversão nostálgica que realmente sabe tocar em todos os botões corretos. Era necessário apenas um polimento maior, um cuidado maior com as arestas e um roteiro que fosse menos “mágico” por assim dizer. Por outro lado, magia pode ser o que mais precisamos nesses momentos difíceis!

Confiram o curta:

O Pai da Noiva 3 (The Father of the Bride Part 3 (ish)), EUA – 25 de setembro de 2020)
Direção: Nancy Meyers
Roteiro: Nancy Meyers
Elenco: Reese Witherspoon, Diane Keaton, Kieran Culkin, Kimberly Williams-Paisley, Florence Pugh, Ben Platt, Steve Martin, George Newbern, Alexandra Shipp, Robert de Niro, Martin Short
Duração: 26 min.

Você Também pode curtir

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais