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Crítica | O Paizão (1999)

por Matheus Carvalho
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Se hoje enxergamos os filmes de Adam Sandler quase como um subgênero do cinema, tudo começou com suas comédias dos anos 1990. O ator já havia se destacado na série Saturday Night Live quando passou de vez para a carreira nas telonas. Quase sempre interpretando um jovem adulto com comportamento de criança, sua filmografia fez parte da infância de muita gente na Sessão da Tarde. Filmes como Billy Madison: Um Herdeiro Bobalhão, Um Maluco no Golfe e Afinado no Amor foram colocando o ator cada vez mais em evidência. Se as críticas não eram das mais favoráveis (sendo bem generoso), o resultado nas bilheterias era melhor a cada novo filme que estreava.

Nessa mesma linha, O Paizão não foi diferente. Repetindo a parceria com o diretor Dennis Dugan, que já havia feito Um Maluco no Golfe e voltaria a dirigir vários filmes com Adam Sandler, como Gente Grande e Esposa de Mentirinha, a fórmula de sucesso comercial foi a mesma dos filmes anteriores. Na trama, Sandler interpreta Sonny, um cobrador de pedágio que trabalha uma vez por semana e não tem qualquer perspectiva de evoluir na vida, seja conseguindo um emprego melhor ou assumindo um relacionamento estável. Tudo muda quando um garotinho aparece em sua porta e ele precisa tomar conta da criança até conseguir uma família para adotá-la.

Se dá para apontar uma novidade em relação aos filmes anteriores, ela tem que ser o fato de Adam Sandler estar dividindo o protagonismo na história. Acostumado a ter seu carisma como único ponto de sustentação e sucesso de seus filmes até então, dessa vez o ator contou com a ajuda do pequeno Julian, interpretado pelos gêmeos Cole e Dylan Sprouse, que não importa o quanto o tempo passe, sempre serão lembrados como Zack e Cody: Gêmeos em Ação, série da Disney. A dinâmica entre Sandler e os irmãos Sprouse é o que segura o filme e a relação desenvolvida entre eles é, sem dúvida, o ponto alto do longa.

Se as atuações dos protagonistas são razoáveis, o resto do elenco não é muito ajudado pelo roteiro escrito pelo próprio Adam Sandler, em parceria com Steve Franks e Tim Herlihy. Joey Lauren Adams, no papel de Layla, até se esforça como par romântico de Sonny, mas o romance é tão forçado que compromete sua atuação. Quanto ao roteiro propriamente dito, a apresentação apressada dos personagens e o desenvolvimento preguiçoso e repetitivo da trama decepcionam e não conseguem ser salvos pela animada trilha sonora, que conta com clássicos de Guns N’ Roses e Everlast. Por fim, o terceiro ato se desmancha em um sentimentalismo tão exagerado que chega a ser tosco, mas combina com tudo o que o filme vinha construindo até então.

A fragilidade da trama fez com que a crítica novamente pegasse pesado na época de seu lançamento, mas as bilheterias mostraram mais uma vez que Adam Sandler era um sucesso de público e se tornava cada vez mais popular. Seu carisma e o estilo leve e família da comédia fez com que, dentro dos Estados Unidos, o filme tivesse a sétima maior bilheteria daquele ano, à frente de filmes como Clube da Luta, À Espera de um Milagre, Beleza Americana e Um Lugar Chamado Notting Hill.

O Paizão é um daqueles filmes que adoramos assistir pela nostalgia e que deixamos passar diversos furos e absurdos no roteiro em nome da diversão sem compromisso. Adam Sandler avança em sua caminhada rumo ao título não escrito de “personalidade de Hollywood” e o espectador se sente contemplado com uma obra que cumpre o que promete, afinal, nem todo filme precisa revolucionar o cinema e a forma como enxergamos a sétima arte. 

O Paizão (Big Daddy) – EUA, 1999
Direção: Dennis Dugan
Roteiro: Adam Sandler, Steve Franks, Tim Herlihy
Elenco: Adam Sandler, Cole Sprouse, Dylan Sprouse, Joey Lauren Adams, Jon Stewart, Rob Schneider, Leslie Mann, Jonathan Loughran, Allen Covert, Peter Dante, Kristy Swanson, Joseph Bologna, Steve Buscemi
Duração: 93 min.

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