Crítica | O Pequeno Caos

estrelas 3

Aos 21 anos de idade, o prolífico Rainer Werner Fassbinder realizou três curtas-metragens, as primeiras produções de sua curta mas muito produtiva carreira. O Pequeno Caos (1966) é um exemplo simples e interessante situado entre as primeiras realizações deste gigante do Cinema Novo Alemão.

O filme é a história de um grupo de jovens que não conseguem vender suas assinaturas de revista e precisam desesperadamente de dinheiro. As diversas recusas que recebem dos moradores e a necessidade imperativa de se manterem financeiramente faz com que o trio parta para um assalto.

Divido em duas pequenas partes, sendo a segunda, a mais importante, O Pequeno Caos é um dos muitos retratos que Fassbinder faria da Alemanha pós-guerra. As indicações dessa situação estão espalhadas por sua filmografia, sendo até o tema principal de muitas obras que se seguiriam. Aqui, o Füher é citado e Wagner é a trilha sonora que acompanha o assalto a um apartamento. Não apenas uma juventude perdida e sem escrúpulos (que voltaria em O Machão) mas toda uma dominação cultural (americana) podem ser sentidas no filme, com diversas brincadeiras dos personagens com o idioma inglês e os gêneros cinematográficos hollywoodianos, percebidos especialmente na dinâmica do assalto.

Mas se há ecos vindos do outro lado do Atlântico, eles não conseguem se propagar por todo espaço do filme. A direção de Fassbinder, embora ainda imatura, não é nada convencional. Não há nenhuma indicação de virtuosismo fotográfico e mesmo o uso da música é convencional. Mas a planificação e a montagem do filme é algo que chama a atenção. Nessas colunas, a história se sustenta e ganha força.

Ao som de I Can’t Control Myself, do The Troggs, a cena final põe fim ao pequeno caos indicado no título. Pelo menos um fim aparente. Nada indica que o grupo não voltará a assaltar e, pelo modo como o plano é executado, há quase uma certeza que sim, voltará. O cinema entra aí como um elemento de fuga para essa juventude desregrada e amoral, que imita o gângster americano e vai ao cinema assim que termina de assaltar um apartamento. O Pequeno Caos é uma crônica sobre a delinquência juvenil alemã nos anos 1960, um instantâneo de uma época.

O Pequeno Caos (Das Kleine Chaos, Alemanha, 1966)
Direção: Rainer Werner Fassbinder
Roteiro: Rainer Werner Fassbinder
Elenco: Christoph Rosser, Marite Greiselis, Greta Rehfeld, Rainer Werner Fassbinder
Duração: 12min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.