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Crítica | O Pequeno Stuart Little

por Iann Jeliel
814 views (a partir de agosto de 2020)

O Pequeno Stuart Little

Um little aqui, um little lá, um little hey, um little viva! O Pequeno Stuart Little

Clássico sempre presente na saudosa “Sessão da Tarde”, O Pequeno Stuart Little é uma produção maior do que aparenta pelo título traduzido redundantemente “pequeno”, especialmente se olharmos o renome das mentes realizadores por trás. Estamos falando de um filme de familia protagonizado por Geena Davis (A Mosca, Thelma & Louise, Os Fantasmas se Divertem) ainda no auge da carreira, com a promessa Jonathan Lipnicki (que não vingou, é verdade, mas tinha-se muita expectativa a época) de Jerry Maguire e um jovem Hugh Laurie que pouco tempo depois protagonizaria Dr. House, além de claro, ter seu personagem digital principal dublado por Michael J. Fox, ou o Marty MacFly da trilogia De Volta Para o Futuro.

Também estamos falando de um filme dirigido por Rob Minkoff, co-diretor de nada mais nada menos que O Rei Leão, um roteiro escrito em parte por M.N Shyamalan, que naquele mesmo ano ficaria conhecido pelo mundo por um tal de O Sexto Sentido e tem sua trilha – maravilhosa por sinal – composta por Alan Silvestri, também de De Volta Para o Futuro. Vale destacar além do talento da equipe principal, que o filme baseado em livro infantil homônimo de E. B. White de 1945 chegou a ser indicado ao Oscar de efeitos visuais, ou seja, definitivamente não era uma produção de quintal. A Imageworks, responsável pela criação do ratinho, fez um trabalho primoroso a época que se sustenta em vivacidade até hoje. A movimentação dos pelos, a expressividade sutil dos olhares e gesticulação corporal, são fundamentais para que aquela fantasia seja aceita em nosso subconsciente.

Por que sim, é um tanto estranho pensar minimamente de forma racional o mundo de Stuart Little; em que humanos se comunicam com ratos, mas não com os gatos; em que pais preferiram adotar um rato falante como filho e não uma criança de verdade, sendo que uma coisa não anula a outra e Stuart poderia ser facilmente um pet também, como é o Snowbell (Nathan Lane); em que a sociedade olhe para isso tudo e veja como normal ou até natural, bem como o restante da familia e estranhamente George, justamente aquele quem queira um irmão, não consiga aceitar isso de primeira. Essas difusões da funcionalidade da fantasia inclusive, não permitem o filme ser uma alegoria tão direta a crianças especiais ou adoções tardias, temáticas que circundam o texto de Shyamalan, leituras validas, mas que parecem não se fechar em concretude pela excentricidade do desenvolvimento da história.

No entanto, o encanto da narrativa vem desta via alegórica ser um pretexto para uma conexão universal com a mensagem principal, que é viver na familia como em um conto de fadas, unida e harmônica. Tanto que os principais conflitos do filme estão relacionados a rixas internas dentro da familia. Aquela velha rivalidade entre “irmãos” por receber mais ou menos atenção que o outro e depois se entendem, vale tanto para George, quanto para Snowbell e cada arco contribui de uma maneira para o lado mais aventuresco da trama, como nas divertidas sequências da corrida de barquinhos nos lagos de Central Park e da perseguição ala Tom & Jerry de Stuart com uma gangue de gatos contratadas pelo ciumento e posteriormente arrependido Snowbell. Existe também a parcela de conflito dedicada a crise de identidade íntima do protagonista, de sentir um vazio no coração e querer conhecer sua familia de verdade, com aquela máxima clichê dele perceber depois que os “Little”, independentemente de serem humanos, são essa familia.

A construção estrutural dessas viradas todas, é bem comum na verdade, até mesmo apressada, mas há uma sensibilidade, fofura e ingenuidade particular na execução que as fazem ser facilmente conquistadoras ou mesmo icônicas, principalmente para olhares infantis. O Pequeno Stuart Little não foi um dos filmes que marcaram a minha infância atoa, e mesmo ao revisitá-lo depois de tanto tempo, ele segue genuinamente carismático, vibrante, engraçado e emocionante.

O Pequeno Stuart Little (Stuart Little | EUA – Alemanha, 1999)
Direção: Rob Minkoff
Roteiro: M. Night Shyamalan, Greg Brooker (Baseado no livro A História de Stuart Little de E.B. White)
Elenco: Michael J. Fox, Geena Davis, Hugh Laurie, Jonathan Lipnicki, Nathan Lane, Chazz Palminteri, Steve Zahn, Jim Doughan, David Alan Grier, Bruno Kirby, Jennifer Tilly, Stan Freberg, Jeffrey Jones, Connie Ray, Allyce Beasley, Brian Doyle-Murray, Estelle Getty, Harold Gould, Patrick Thomas O’Brien, Julia Sweeney, Dabney Coleman
Duração: 84 minutos

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