Home FilmesCríticasCatálogos Crítica | O Predestinado (2014)

Crítica | O Predestinado (2014)

por Luiz Santiago
1196 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4,5

SPOILERS!

Em 1959 foi publicado na revista Fantasy and Science Fiction o conto All You Zombies, escrito por Robert A. Heinlein, um dos grandes e controversos escritores de ficção científica que viveu e produziu durante a era de ouro do gênero nos Estados Unidos. Dentre uma de suas grandes paixões estava o tema de viagem no tempo e, de forma muito mais forte, a ocorrência de paradoxos temporais durante essas viagens. Foi com isso em mente que Heinlein escreveu All You Zombies, uma história onde os personagens de destaque envolvidos são exatamente a mesma pessoa em fases diferentes da vida.

Baseados nesse conto, os irmãos MichaelPeter Spierig (de Canibais e 2019 – O Ano da Extinção) escreveram o roteiro de O Predestinado (2014), filme que explora com toda pompa, circunstância e genialidade as possibilidades enlouquecedoras do Paradoxo da Predestinação, respeitando ao máximo os elementos gerais do conto, inclusive reproduzindo diálogos inteiros da obra de Heinlein e adicionando uma perspectiva Retrofuturista na localização de uma versão da Terra que desenvolveu a viagem no tempo em 1981.

A direção de fotografia do filme fica a cargo de Ben Nott, que recria atmosferas não muito contrastantes mas mesmo assim únicas para cada um dos tempos visitados, de modo que cada ambientação sirva para delinear características psicológicas dos personagens. Algo idêntico se dá com a excelente escolha dos figurinos, que obedecem a um padrão de gosto similar, mas com características diferentes de moda/tempo. Todos, porém, são austeros e de cores frias, o que já nos indica elementos da psicologia do indivíduo central. Mais interessante ainda é que a composição dos figurinos para Jane é inicialmente de cores neutras e levemente frias mas aos poucos suas roupas vão se escurecendo, passando de tons de bege, branco e verde para tons de azul, marrom, cinza e preto. As variações nesse padrões são poucas, o que nos indica que a história também vai sendo contada através do guarda-roupa da personagem, que, observem com atenção, contrasta com a com a fotografia até os anos 1970, tendendo a se integrar com o ambiente a partir do “Evento Zero”, ou seja, da criação da viagem no tempo.

O trabalho da equipe de maquiagem também merece destaque, especialmente na construção das cicatrizes e na transformação da atriz Sarah Snook, que, por sinal, tem uma interpretação de tirar o fôlego, muito melhor que a de Ethan Hawke. Fechando o ciclo dos setores técnicos de destaque e que são easter-eggs que nos ajudam a entender melhor o filme, está a trilha sonora, que na parte orquestral opta por temas simples, curtos e ligados ao suspense; e dentre as canções traz I’m My Own Grandpa justamente na sequência do bar, que é onde o “primeiro encontro de tempos” acontece, tendo o ponto de vista do espectador como base.

A pergunta que nos fazemos neste momento da narrativa é: quem é o quê? Porque a primeira impressão que temos quando John (The Unmarried Mother) entra no bar e começa a conversar com o Barkeep é que ele é o Fizzle Bomber e o Barkeep está fazendo um joguinho para enfim capturá-lo e terminar a missão. Não parece algo simples, mas o primeiro raciocínio gira em torno disso: o personagem de Ethan Hawke veio do futuro para impedir que o Fizzle Bomber detone a bomba que irá matar milhares de novaiorquinos. Esta versão dos anos 1970 é a sua segunda tentativa, após falhar uma vez na mesma missão e ter o seu rosto gravemente queimado, o que fez com que uma reconstituição fosse feita, suas cordas vocais fossem afetadas e ele se olhasse no espelho pela primeira vez e dissesse: “I’ve changed so much, I doubt my own mother would recognize me“, uma frase que só tem graça depois que descobrimos que ele é a sua própria mãe. E pai também.

Creio que não exista um espectador que não fique de boca aberta pela forma inteligente como os irmãos Spierig utilizam o conto de Heinlein e criam uma caçada cujo significado é muito maior do que parece. Na primeira parte do filme, em todo o flashback que temos a partir da sequência do bar, a minha sensação foi de franco desapontamento porque, por mais interessante que seja a dinâmica entre Hawke e Snook, a sequência é longa demais e acaba nos afastando desnecessariamente. No bloco seguinte, no entanto, percebemos que esse tempo era necessário para que conhecêssemos a origem da personagem, sua chegada até aquele momento e levantássemos algumas dúvidas sobre sua identidade e a missão do Barkeep, aparentemente abandonada.

As surpresas que se seguem, no entanto, justificam esse momento e vão colocando cada peça em seu lugar, inclusive reafirmando algo que pode servir de resposta prévia para algumas perguntas após o final da película: e se tudo TIVER QUE ACONTECER? Não podemos nos esquecer que a premissa do filme é a da predestinação, então não importa o que for feito, o ciclo irá ser completado e todas as partes terão um papel muito especial nisso. Nem todos funcionam bem o tempo inteiro, nem todos estão perfeitamente localizados ou se relacionam bem com a narrativa do momento, mas vendo o roteiro por inteiro, os pequenos diálogos estranhos e as ações questionáveis acabam sendo facilmente perdoados. O Predestinado jamais deixa de ser um filme cativante e divertido pelos pequenos erros e incoerências que traz em seu desenvolvimento. E convenhamos: olha a complexidade e coragem disso tudo. Algumas incoerências são inevitáveis!

Os roteiristas tiveram o bom senso de expandir aquilo que é apenas brevemente sugerido no conto: as questões humanas que mudam e se intensificam para a personagem ao longo da vida. Os problemas de uma criança rejeitada evoluem para um deslocamento do mundo, para a amargura gerada pela solidão, para a busca por ser melhor em tudo e se distanciar cada vez mais dos outros. E ainda para o descontentamento progressivo da vida, a busca por vingança, a busca por um propósito e, enfim, um propósito para cumprir… É espantoso como o texto consegue encaixar esses sentimentos em fases diferentes e fazer com que eles tenham sentido para a mesma pessoa em cada um desses pontos. Ao lado de acessórios como os óculos, que mantém armações parecidas e a mesma dinâmica para coreografia de luta, esses aspectos existenciais vão moldando as quatro pessoas que são uma só (Jane/John/Barkeep/Fizzle Bomber) e que por caminhos diferentes, acabam chegando no mesmo lugar. Todos possuem algum grau de loucura e ousadia, todos estão deslocados do mundo, todos estão procurando por alguma coisa, todos estão prestes a ter suas vidas completamente transformadas. É assustador.

Há um certo debate sobre o papel ainda maior de Mr. Robertson em toda essa história. É dito mais de uma vez que ele está “por trás de tudo“, que ele “moldou e armou tudo aquilo“. Descobri que há algumas teorias que dão conta de que ele é uma versão de Jane/John/Barkeep/Fizzle Bomber, mas isso é um pouco difícil de aceitar, porque o arco de história da vida dessa personagem dividida em 4 é repassado com precisão no decorrer de todo o filme e inclusive recebe uma revisão ao final. Em termos de narrativa, por mais interessante que seja o pensamento de que Robertson voltou no tempo para apagar seus rastros e impedir que as investigações da Agência do Tempo chegassem nele (que no passado fora o Fizzle Bomber), não dá para ver como isso sobrevive ao falseamento do “apagar ações inteiras da linha do tempo da mesma pessoa“. Isso quebraria com a dinâmica do filme e de elementos cuidadosamente desenvolvidos como a predestinação, o paradoxo do avô, dos loops e de Bootstrap.

Mas é claro que há uma possibilidade de explicação. Em dado momento da fita, o personagem de Hawke diz que há “11 agentes temporais“. Nesse caso, podemos assumir que O Predestinado foi a vida de um desses agentes que são a mesma pessoa, mas, na verdade, existem outras linhas que funcionam sob a mesma premissa e elas podem ser formadas por variações de Jane/John/Barkeep/Fizzle Bomber, onde o produto final não seria o terrorista mas sim Mr. Robertson. Alguns espectadores até formularam explicações onde o sequestro da bebê Jane em 1964 ocorre duas vezes, uma feita por Mr. Robertson, em sua primeira vivência de intervenção e outra pelo Barkeep, que, curiosamente, tem a visita de Mr. Robertson justamente naquele momento. Chega a explodir a mente o fato de, assim como o Barkeep, Mr. Robertson também ter bigodinho e principalmente o fato de Mr. Robertson jamais envelhecer (é a mesma face desde o recrutamento de Jane para a Space Corp). As semelhanças são muitas, as coincidências são muitas e o fato de o filme nos deixar com uma pequena grande bomba narrativa (e conceitual, por que não?) nas mãos é um elemento positivo porque gera discussão e a possibilidade de criarmos teorias e formas diferentes de organizar o andamento da saga.

Ao final, quando o Barkeep se levanta da mesa e vemos as cicatrizes da retirada dos seios e da cesariana, não dá para não deixar o queixo cair até onde é possível. O encadeamento dos fatos e a última revelação fecha o ciclo de forma perfeita e ainda entra em uma auto-referência/análise que comporta a longa transformação psicológica e física do protagonista, trazendo uma pergunta, “Quando ele atacará novamente?” — o que mais uma vez nos leva a crer que a predestinação continuará ativa, lembrando que o próprio Barkeep já havia dito que o Fizzle Bomber vivia “mudando o dia” [do ataque], ou seja, aquilo provavelmente já havia acontecido outras vezes, em outras realidades/linhas do tempo. Uma coisa é certa: ao terminar a sessão de O Predestinado, nossos cérebros estão em pedaços, todos espalhado desordenadamente pelo chão. Que filme, senhoras e senhores! Que filme!

O Predestinado (Predestination) — Austrália, 2014
Direção: Michael Spierig, Peter Spierig (The Spierig Brothers)
Roteiro: Michael Spierig, Peter Spierig (The Spierig Brothers), baseados em um conto de Robert A. Heinlein.
Elenco: Ethan Hawke, Sarah Snook, Christopher Kirby, Christopher Sommers, Kuni Hashimoto, Sara El-Yafi, Paul Moder
Duração: 97 min.

Você Também pode curtir

36 comentários

Oliver '87 19 de julho de 2020 - 22:52

Luiz, acabei de assistir esse filme e reassisti em seguida de tão maluco que fiquei, mas fico em duvida em relação ao Robertson, ja que voce citou que não acha que ele faça parte de todo esse looping. Vamos lá.
SPOILERS!!! No todo são 5 personagens: Jane, John, Barman, Robertson e o Assassino. Assistindo duas vezes, pude perceber que o filme é linear e entra em um looping. [1] Temos inicialmente alguém tentando impedir o Assassino de detonar a bomba, ele fracassa tem o rosto queimado e é ajudado por outra pessoa misteriosa que o ajuda a voltar no tempo. [2] Essa pessoa volta ao departamento, faz cirurgias para obter um novo rosto, é dispensado de sua função e desde então passa a trabalhar como Barman. [3] É contada toda a historia de Jane por John em um flashback ao Barman, que por sua vez oferece a John a chance de mudar seu passado, levando-o a conhecer sua versão feminina. [4] John percebe que ele é o homem que conheceu Jane, ficam e repete toda a historia contada no flashback. [5] Barman volta para tentar impedir o Assassino na luta inicial em 1. É derrotado e cai. Em seguida o Assassino vai montar a bomba e ocorre os acontecimentos de 1. A seguir, descobrimos que o Barman ajudou o agente queimado. O estranho é que a data no Case do agente era Fev/92. [6] Frustrado, Barman adianta alguns meses em relação aonde deixou John com Jane, pega o bebê deles e retorna 18 anos para deixa-la no orfanato. Aqui, temos uma conversa com Robertson, sobre deixar um agente de fora de tudo isso e é citado sobre a cobra mordendo o proprio rabo. [7] Barman retorna para buscar John em Jun/63 e agora que ele entendeu, explica a ele que todos são o mesmo, pedindo para que ele vire agente e mude todo esse fuzuê. [8] Barman e John saltam 22 anos a frente, Jun/85, ele deixa John aos cuidados da corporação e novamente temos outra conversa com Robertson, onde ele friza q tudo ocorreu por conta do Assassino e que o admira. Barman decide se aposentar em uma data prox ao atentado em Mar/75, mais precisamente em Jan/75 e recebe documentos de quando achar o Assassino antes do atentado. [9] Barman se demite e passa a viver como escritor, onde conhece Alice que o incentiva a ser quem ele sempre quis. Aqui Barman solta a frase: eu sei de onde eu venho, mas de onde vem os zumbis? Ele le os documentos de Robertson e decide peitar o Assassino. [10] Em Ago/85 John no futuro ouve uma gravação deixada pelo Barman e se torna um agente. E é esse agente que é queimado nos acontecimentos de 1, quando ele decide voltar para impedir o Assassino. [11] Barman descobre que o Assassino é ele mesmo. O Assassino comenta que ambos se criaram e que para quebrar o looping, o Barman nao pode matá-lo ou ele se transformará nele. Aqui o Assassino fala que ambos SÃO o Robertson e que ele arquitetou tudo, os tornando marionetes. Barman o mata, logo se transformando no próprio Assassino e dando continuidade aos eventos em 1, fechando o ciclo e reiniciando tudo de novo. FIM DE SPOILER!!
Então acredito que o Robertson faz parte sim, ja que provavelmente ele fundou a organização e possivelmente foi o primeiro a retornar em 1. Pq em algum momento o EU original deles tem que ter voltado do futuro pra dar inicio nesse looping certo? Pq se vc parar pra pensar caímos naquela de quem veio primeiro, sendo igual a frase que ele cita: quem veio primeiro? O ovo ou a galinha? O galo! E até agora não consigo montar a timeline de como esse galo retornou e fez todo esse ciclo. O q vc acha? Abs.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 20 de julho de 2020 - 08:48

Esse é o tipo de obra que sempre vai sobrar espaço para discussões, embora eu jamais queira uma resposta definitiva para filmes assim, já que a proposta da obra é justamente essa confusão de temporalidades. Gostei muito da tua leitura a respeito do Robertson no meio dessa saga toda, embora ainda permaneça com a minha opinião original a respeito dele. Em algum momento devo rever a obra para ver se pego mais coisas ou vejo algumas outras de forma diferente…

Responder
Flavio Batista 10 de junho de 2019 - 16:36

Acho q alem desse filme ser sensacional e a Sarah Snook ser lindissima, me lembrei q foi por causa desse filme q descobri esse site senscional!

Responder
Luiz Santi🐂GADO 10 de junho de 2019 - 17:56

Que coisa maravilhosa! Não sabia que tinha sido O Predestinado a te trazer aqui! 😀

Responder
Flavio Batista 11 de junho de 2019 - 10:34

Mano, vc é demais! sou desses q adora trocadilhos. Tinha q ser vc, meu amigo

Responder
Luiz Santi🐂GADO 11 de junho de 2019 - 16:58

❤🤗

Responder
Giordano 3 de junho de 2018 - 20:36

Filme Sensacional! Trago aqui uma questão , que o fará assistir ao filme novamente : o pai/filho etc, foi quem criou a máquina do tenpo ! Cabumm

Responder
Luiz Santiago 3 de junho de 2018 - 22:52

É tanto nó, que nem sei lidar com essa informação. Só assistindo de novo mesmo ahahhahahhha

Responder
jv bcb 23 de fevereiro de 2017 - 01:40

O filme é incrível, um dos mais mind blowing que já vi, porém tenho um problema com o final do filme, aparentemente a reviravolta final funcionou para você, mas para mim não funcionou, pois desde o início eu já tinha previsto isso, pois o rosto do Ethan Hawke antes do acidente não era mostrado, e o filme fazia de tudo para esconder o rosto dele e do bombardeiro(outra reviravolta que eu peguei no meio do filme), e a personagem da Sarah Snook já tinha passado por uma grande mudança de aparência(primeiro paralelo entre os dois), depois o filme começa a revelar que todo mundo é a mesma pessoa(pai, mãe e filha são os mesmos) acabou ficando óbvio que o personagem do Ethan Hawke também era a personagem da Sarah Snook, além disso o filme faz muitos paralelos entre ambos, e como eu já previa essa reviravolta as dicas acabaram entregando a reviravolta de vez(ambos olhando no espelho estranhando sua nova aparência, em uma cena antes do personagem do Ethan viajar no tempo ele fala na fita para ele respirar fundo, na hora corta para a personagem da Sarah já com maquiagem masculina respirando fundo. Além disso ambos não tinham passado e família, e estavam naquilo por um propósito), além disso a cor da personagem da Sarah é o verde, ele usa verde com frequência e tem objetos e coisas verdes a rodeando a todo momento, quado o Ethan começa a usar verde no final do filme(de forma sutil, depois de forma bem explicita já velho como bombardeiro) eu saquei na hora que eu tava certo, até fiquei torcendo para o filme não revelar isso através da cicatriz na barriga, seria óbvio demais, e foi justamente isso que o filme fez.
Todas as rimas e paralelos são elegantes e geniais, mas ao meu ver o principal twist ficou muito óbvio, ver no final o filme tratando algo tão previsível como se fosse uma grande revelação foi um pouco besta, ainda acho um filme fantástico, mas se não fosse por isso seria uma obra prima.

Responder
jv bcb 23 de fevereiro de 2017 - 01:40

O filme é incrível, um dos mais mind blowing que já vi, porém tenho um problema com o final do filme, aparentemente a reviravolta final funcionou para você, mas para mim não funcionou, pois desde o início eu já tinha previsto isso, pois o rosto do Ethan Hawke antes do acidente não era mostrado, e o filme fazia de tudo para esconder o rosto dele e do bombardeiro(outra reviravolta que eu peguei no meio do filme), e a personagem da Sarah Snook já tinha passado por uma grande mudança de aparência(primeiro paralelo entre os dois), depois o filme começa a revelar que todo mundo é a mesma pessoa(pai, mãe e filha são os mesmos) acabou ficando óbvio que o personagem do Ethan Hawke também era a personagem da Sarah Snook, além disso o filme faz muitos paralelos entre ambos, e como eu já previa essa reviravolta as dicas acabaram entregando a reviravolta de vez(ambos olhando no espelho estranhando sua nova aparência, em uma cena antes do personagem do Ethan viajar no tempo ele fala na fita para ele respirar fundo, na hora corta para a personagem da Sarah já com maquiagem masculina respirando fundo. Além disso ambos não tinham passado e família, e estavam naquilo por um propósito), além disso a cor da personagem da Sarah é o verde, ele usa verde com frequência e tem objetos e coisas verdes a rodeando a todo momento, quado o Ethan começa a usar verde no final do filme(de forma sutil, depois de forma bem explicita já velho como bombardeiro) eu saquei na hora que eu tava certo, até fiquei torcendo para o filme não revelar isso através da cicatriz na barriga, seria óbvio demais, e foi justamente isso que o filme fez.
Todas as rimas e paralelos são elegantes e geniais, mas ao meu ver o principal twist ficou muito óbvio, ver no final o filme tratando algo tão previsível como se fosse uma grande revelação foi um pouco besta, ainda acho um filme fantástico, mas se não fosse por isso seria uma obra prima.

Responder
Luiz Santiago 24 de fevereiro de 2017 - 11:13

É, imagino que se você viu esses eventos de maneira óbvia, o enrendo passa a ter alguns impasses. Para mim, não foi óbvio não. Claro que a partir de alguns momentos eu percebi ligações, mas a surpresa e o impacto permaneceram os mesmos, então acabei terminando o filme totalmente estupefato com a coisa toda. hehehe

Responder
Pedro dantas 13 de fevereiro de 2017 - 01:46

Acabei de ver o filme e achei simplesmente sensacional, bela crítica, novo aqui no site e estarei acompanhando!

Responder
Luiz Santiago 13 de fevereiro de 2017 - 11:27

Seja sempre muito bem-vindo, @disqus_zR5DaSsOKa:disqus!
E esse filme é mesmo sensacional. Vi por indicação de um dos nossos leitores e fiquei impressionado com a qualidade da obra e o quanto ela tem de surpresas. Filmaço!

Responder
Luiz Santiago 13 de fevereiro de 2017 - 11:27

Seja sempre muito bem-vindo, @disqus_zR5DaSsOKa:disqus!
E esse filme é mesmo sensacional. Vi por indicação de um dos nossos leitores e fiquei impressionado com a qualidade da obra e o quanto ela tem de surpresas. Filmaço!

Responder
Chris Elly 23 de março de 2016 - 23:16

Eu vi esse e…achei q o roteirista foi longe demais, é tanto paradoxo e situações absurdas q o roteiro perde a credibilidade, eles não sabem quando parar com a bizarrice.Acho q menos é mais.

Responder
Luiz Santiago 24 de março de 2016 - 00:47

Nesse caso discordamos quanto ao tratamento dado ao roteiro, então. No meu caso, vejo cada um dos paradoxos explicados dentro de uma única linha, e ela é orgânica. Concordo que são muitos, mas eles não são jogados, ao menos no meu ponto de vista.

Responder
Luiz Santiago 24 de março de 2016 - 00:47

Nesse caso discordamos quanto ao tratamento dado ao roteiro, então. No meu caso, vejo cada um dos paradoxos explicados dentro de uma única linha, e ela é orgânica. Concordo que são muitos, mas eles não são jogados, ao menos no meu ponto de vista.

Responder
Chris Elly 23 de março de 2016 - 23:16

Eu vi esse e…achei q o roteirista foi longe demais, é tanto paradoxo e situações absurdas q o roteiro perde a credibilidade, eles não sabem quando parar com a bizarrice.Acho q menos é mais.

Responder
Rafa Silveira 12 de fevereiro de 2016 - 00:13

Um dos melhores sci-fi que já vi.
Filme fez com que eu ficasse bravo comigo mesmo, pq quando eu pensava que já tinha sacado tudo, ele vinha e me surpreendia.

Responder
Luiz Santiago 12 de fevereiro de 2016 - 11:26

É bem nesse nível! Além das surpresas, o roteiro vai enganando a gente no meio do caminho…

Responder
Fernando de Moraes 11 de fevereiro de 2016 - 18:04

Promessa feita, promessa cumprida. Finalmente pude desfrutar da sua análise desse filme sensacional. Uma análise, aliás, não menos sensacional. De fato esse foi uma crítica monstro. Muito bem construída, com muitos detalhes e com uma análise minuciosa. Parabéns pela crítica, Luiz.

Sobre o filme, esse é sem dúvida uma das melhores ficções científicas sobre viagem no tempo, já está na minha lista de clássicos absolutos do “subgênero” (lado lado com Os 12 macacos, Exterminador do Futuro, entre outros… Deixo de fora dessa relação alguns filmes fantásticos como De Volta Para o Futuro – que considero mais como um filme de aventura com viagem no tempo -, e outros muito bons como Feitiço do Tempo e Em Algum Lugar do Passado – que considero romances com viagem no tempo).

O que me surpreende (e muito), tanto como o filme em si, é a pouca divulgação que oi filme teve, não me lembro de na época de seu lançamento, em 2014, ter ouvido falar dele. É uma verdadeira pérola perdida em meio a tantos filmes ruins que são amplamente propagandeados. Eu mesmo, só o assisti por indicação de um amigo e, confesso que o primeiro ato do filme, com aquela conversa toda de boteco, não foi dos mais empolgantes, mas, assim como você, Luiz, depois vi que de fato era essencial aquela contextualização toda, e o que vem depois, como você mesmo disse, é de deixar o cérebro aos pedaços, espalhados pelo chão. 🙂

Filme sensacional.

Ps.: Ainda está na minha lista de filmes pra assistir, com prioridade aliás, os filmes “Primer” e “Um século em 43 minutos”, assim que assisti-los, se me deixarem empolgados como esse me deixou, pode ter certeza que vou amolar um certo crítico aqui do site, para que ele também veja esses filmes e faça a crítica deles (rsrsrs).

Abraço, e até mais.

Responder
Luiz Santiago 11 de fevereiro de 2016 - 19:16

@fernandodemoraes:disqus, em primeiro lugar: MUITO, MAS MUITO OBRIGADO MESMO pela indicação! Que filme maravilhoso foi esse, rapaz? O engraçado é que você vê a sinopse e o trailer e acha interessante mas parece que falta alguma coisa… No meu caso, a curiosidade acendeu. E eu não me arrependi.

Estou até agora embasbacado com aquele final. Aliás, com as surpresas que fui tendo ao longo da projeção. A inteligência do roteiro e a forma gostosa com que os diretores guiam o filme me prenderam do começo ao fim.

Esse aqui é daquele bloco de SCI-FI DE VERDADE, daqueles bem HARD mesmo. É o chefão! Pra vencer, tem que comer muito feijão com arroz! hahahahahaha

E pode amolar! Sério! Se for com filmes tão bom quanto esse, por favor, não pare! 😀

A propósito, me diga: quem você acha que é o Mr. Robertson?

Responder
Fernando de Moraes 11 de fevereiro de 2016 - 21:15

Putz.

Taí uma questão que já pensei, pensei e não cheguei a conclusão nenhum.

Particularmente, não gosto da ideia/teoria de que o Mr. Robertson seja o mesmo personagem do Ethan Hawke/Sarah Snook. Concordo com você que há algumas coincidências, que acredito tenham sido propositalmente colocadas pelo diretor e roteiristas, além de haver diversas coisas em aberto (como quando a tecnologia foi criada e por quem), enfim, embora essas questões não sejam essenciais para a trama, acredito que sejam questões interessantes para que nós possamos especular e criar teorias.

Bom, depois dessa crítica fantástica acho que vou assistir ao filme novamente, e se eu elaborar alguma teoria eu volto aqui para discutirmos sobre isso.

Responder
Luiz Santiago 12 de fevereiro de 2016 - 11:29

Eu também resisto a essa ideia porque como disse no texto, o arco de histórias do Predestinado foi trabalhado ponto a ponto e tem até uma revisão no final. Não vejo como um outro personagem pode entrar ali. Mas contando com aquela deixa de que existem 11 Agentes, aí a coisa fica mais interessante.

Ótimo! Se tiver alguma teoria, venha compartilhar. 🙂

Responder
Fernando de Moraes 13 de fevereiro de 2016 - 14:14

Pode deixar que compartilharei sim. Agora, mudando de assunto, ainda dentro da ficção científica, queria saber sua opinião sobre os trabalhos dos irmãos Wachowski.

Isso (a pergunta), obviamente, tem um porquê. Dias atrás, estava lendo a crítica do Lucas Borba da série Sense8 e no primeiro parágrafo da crítica ele discorre acerca da cinematografia deles em uma opinião que em muito se assemelha com a minha: Matrix foi excelente, suas sequências foram “oks” (nada excepcionais, concordo; mas, não foram horrendas como alguns dizem). V de Vingança (do qual eles foram produtores) é muito bom. Speed Racer confesso que não assisti.

E, agora, eis o X da questão, o porquê da pergunta: “Cloud Atlas”! Embora esse filme em particular tenha polarizado a crítica, eu gostei bastante. Já vi críticos acusarem-no de todo tipo de coisa, mas não se pode negar a ambição do projeto. É um projeto extremamente ambicioso e, repito, um filme que gostei muito.

Bom, confesso que tudo isso (a pergunta e o texto todo que escrevi acima) foi com um único intuito, que é te pedir o seguinte: Por favor, faça a crítica de Cloud Atlas (que aqui no Brasil recebeu o título tosco de “A Viagem”).

Como você sabe, acompanho grande parte de suas críticas, em especial as de Doctor Who. E confesso que me tornei seu fã. A riqueza de detalhes analisados, tantos aspectos e camadas. Muitas vezes, inclusive, depois de ler suas análises volto a assistir o filme ou episódio criticado por conta das diferentes perspectivas que suas resenhas me fazem ver.

Bom, é isso aí. Bom final de semana e até a próxima crítica (rsrsrs).

Abraço.

Luiz Santiago 13 de fevereiro de 2016 - 21:46

Cara, eu gosto dos Wachowski, mesmo eles tendo tropeçado bastante em projetos megalomaníacos… Ligadas Pelo Desejo é um ótimo filme, Matrix é sensacional (e as sequências “ok”, como você disse). também não vi Speed Racer; O Destino de Júpiter é ruizinho, Sense8 é sensacional e tem Cloud Atlas… O que esse filme já gerou de discussão, oh, meu santo Batman!!!

Vamos fazer assim: eu vou rever e prometo escrever a crítica. Pode demorar um pouquinho, porque é um filme longo e que com certeza vai exigir bastante para a crítica, mas até meados de março com certeza ele estará por aqui, pode contar.

E… fico muito feliz que goste dos meus textos e que eles te ajudem a pensar as obras de forma diferente e abrir horizontes. É a maior recompensa que um crítico tem, sabe, estabelecer esse diálogo e de fato fazer a diferença para o leitor, nem que seja para gerar uma discussão bacana e saudável de discordância. Muito obrigado mesmo pelo prestígio!

Abraço!

Fernando de Moraes 14 de fevereiro de 2016 - 12:46

Só o fato de haver essa reciprocidade nos comentários já é um super ponto positivo a favor do Plano Crítico: nós, leitores, damos sugestões, opiniões, fazemos pedidos, discordamos; e vocês do site sempre são acolhedores. Tomamos o tempo de vocês (que deve ser precioso, em virtude da quantidade de obras resenhadas diariamente aqui no site) e, ainda assim, vocês veem pacientemente bater esse papo aqui conosco. É uma imensa consideração com seus leitores. E isso, sem dúvida, só atrai mais e mais leitores.

Vocês são o melhor site de críticas do Brasil. E merecem todo o nosso carinho, apoio, respeito, consideração, admiração e reconhecimento. Parabéns a todos.

Agora, sobre sua resposta, duas observações:

Primeira: Nossa! Havia me esquecido de falar sobre o Destino de Júpiter. Dizer que essa obra é ruinzinha é um eufemismo (e um elogio ao filme), e dos grandes. Esse filme é horrível!!! Uma das maiores decepções que tive nos últimos anos! Ainda bem que Sense8 me ajudou a esquecer essa “coisa”.

Segunda, está de ótimo tamanho esperar pela crítica até março. Eu sei da dificuldade que vocês têm dado a quantidade de críticas que vocês fazem. Além disso, março já está aí afinal.

Luiz Santiago 14 de fevereiro de 2016 - 15:18

É, eu fui bem coração de ouro quando falei ruinzinho, né? O filme é uma bomba mesmo. O problema dos Wachowski talvez seja essa visão épica, maluca, colossal das coisas e que na execução acaba se tornando… problemática. E só pra fazer um mea culpa, na lista de “mais esperados para 2015”, eu coloquei “O Destino de Júpiter”. O trailer parecia tão legal! hahahahahaha

Acabei de mostrar o começo do seu comentário no nosso grupo dos redatores e você emocionou, hein! Todos agradecemos pelas palavras! Isso é um baita de um combustível para continuarmos fazendo críticas e postando coisas legais para leitores como você.

Pergunta off sci-fi: já viu o filme do Deadpool?

Fernando de Moraes 14 de fevereiro de 2016 - 18:39

Fico feliz que vocês prestigiaram meu prestígio por vocês (rsrsrs). Sobre o Deadpool, cara, queria tanto ter assistido no cinema, mas, ainda não pude ir. Sabe como é, muitas coisas pra pagar (rsrsrs). Mas, talvez eu vá nessa próxima semana.

Luiz Santiago 14 de fevereiro de 2016 - 20:29

Sei perfeitamente como é! E cinema é um horror de caro… Mas se não puder ir ver no cinema, veja quando sair em Home Video ou pela internet quando disponível. É um filme muito, mas muito divertido.

Dan 11 de fevereiro de 2016 - 11:46

Excelente crítica para um excelente filme.

Sem dúvida um dos melhores sci-fi que já vi.

Responder
Luiz Santiago 11 de fevereiro de 2016 - 19:11

Valeu, @disqus_PJzxCFXBon:disqus! Esse filme é para explodir cérebros. Também entrou para a minha lista de melhores!

Responder
joão 10 de fevereiro de 2016 - 17:05

Adorei esse filme!!! Me surpreendeu totalmente. Sensacional.

Responder
Luiz Santiago 10 de fevereiro de 2016 - 18:41

Essas são as palavras que também definem a minha sessão: surpresa total! Filmaço mesmo!

Responder
Adam William 10 de fevereiro de 2016 - 01:35

Assisti recentemente e, embora tenha percebido certas coisas no primeiro ato, o filme ainda conseguiu dar uma reviravolta maior do que pensei e, por fim, ainda surpreender. Um ótimo filme, um ótimo mindblow!

Responder
Luiz Santiago 10 de fevereiro de 2016 - 11:47

Eu julguei algumas coisas de início, mas foram bem poucas perto do que estava por vir. Quando as coisas foram se revelando eu simplesmente não podia acreditar. Me surpreendeu muito.

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais