Crítica | O Que Aconteceria Se… Outra Pessoa se Transformasse em Nova?

Nesta 15ª edição da série What If…?, o maior destaque está nos diferentes desenhistas que receberam a tarefa de ilustrar quatro realidades diferentes onde o manto de Nova acabou caindo em mãos de pessoas com as mais diversas jornadas de vida, motivação e trajetória de uso desse poder. Todas as histórias possuem um bom princípio narrativo e um bom fim, mas o que impede que a edição tenha um resultado final muito melhor, no cômputo de todas as histórias, são os diálogos e o desenvolvimento de Marv Wolfman para essas tramas.

A primeira realidade alternativa dessa saga se dá na Terra-79715, onde o poder de Nova é dado a uma mulher que assume a vingança como o maior foco de sua vida, ou seja, encontrar e fazer o assassino de seu marido pagar pelo que lhe tirou. Com desenhos de Walt SimonsonBob Wiacek, vemos Helen Taylor entrar em uma fúria assassina pelo mundo do crime, matando e espancando todo mundo que vê pela frente, cega em sua vingança e achando que todos (inclusive o Quarteto Fantástico) está conta ela. Trata-se de uma reflexão interessante sobre a vingança como sentimento e como norte para as ações da vida inteira de uma pessoa, uma linha de pensamento que fica ainda mais amarga no final, quando descobrimos aonde está o procurado assassino que acabou levando Helen Taylor a esse estágio e, por fim, colocando-a na Zona Negativa.

Já na Terra-15797, os poderes são passados para um homem negro, em situação de rua, chamado Jesse. Desenhada por Carmine InfantinoFrank Springer, essa trama poderia ser a melhor do volume porque se passa em uma Terra onde não existem super-heróis, o que coloca o vagabundo com o manto de Nova em uma posição bem curiosa, já que ele não sabe o que é aquilo ou como usar. O roteiro torna o problema central grande dessa vez, apresentando uma invasão Skrull, mas mesmo com muita coisa em mãos para fazer a história funcionar, nada de muito interessante acaba aparecendo. As ideias transversais são interessantes, o homem defendendo as crianças no orfanato que lhe deu abrigo também… mas o texto desvia rápido demais dos cenários e não dá tempo para que o personagem central se desenvolva (exceto no primeiro conto, todos os outros sofrem do mesmo mal) e mesmo com um belo significado no encerramento, a aventura me pareceu bem chatinha.

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Como era de se esperar, tinha que ter Peter Parker no meio, não é mesmo? Ross AndruFrank Giacoia ilustram este capítulo da Terra-51977, onde a história do Homem-Aranha que conhecemos é misturada à origem do Nova e, mais uma vez, temos um início interessante que rapidamente descamba para algo um tanto intragável. O menino Parker aqui é um mimado que realmente acredita ser um cara azarado, amaldiçoado. Por um lado, é possível entender o princípio de pensamento dele, mas é bem ridículo que essa culpa seja assumida aqui como um elemento fatal, de criminoso mesmo, quando na verdade é algo colateral, circunstancial. Se alguém morre do coração por ficar preocupado demais com alguém, a culpa aqui tem nome: doença do coração, não este tal alguém. Sem esse discernimento, a história — que tem bons momentos — acaba irritando progressivamente.

No derradeiro conto, na Terra-97751, um criminoso recebe o manto de Nova e, nesse caso, não se redime. Em vez disso, entra para o time dos grandes vilões, ao lado do Doutor Destino, Caveira Vermelha e Esfinge (Anath-Na Mut), um grupo que dizima os heróis da Terra. Este é o meu conto favorito da revista, porque tem a linha de ação mais coerente e mais livre de diálogos e ações estúpidas. Os desenhos de George PerezTom Palmer dão um ar épico à saga e a maneira compreensível com que as coisas terminam — gente dessa laia vive traindo uns aos outros — torna a história ainda melhor e com uma conclusão que mais uma vez traz uma reflexão sobre o caráter da busca de alguém, aquilo que definiu para sua vida e que tipo de mundo ou cenário está lutando para ter no final.

What If? Vol.1 #15: What If Nova Had Been Four Other People? (EUA, julho de 1979)
No Brasil: 
Almanaque Premiere Marvel n°2 (Editora RGE, abril de 1982)
Roteiro: Marv Wolfman
Arte: John Buscema, Walt Simonson, Carmine Infantino, Ross Andru, George Perez
Arte-final: Joe Sinnott, Bob Wiacek, Frank Springer, Frank Giacoia, Tom Palmer
Cores: Michele Wolfman, Nel Yomtov, Roger Slifer
Letras: Michael Higgins, Irv Watanabe
Capa: Rich Buckler, Joe Sinnott, Irv Watanabe
Editoria: Roy Thomas, Marv Wolfman
36 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.