Crítica | O Que Aconteceria Se… Sgt. Fury e Seu Comando Selvagem Tivessem Lutado a 2ª Guerra Mundial no Espaço?

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A primeira grande chacoalhada na linha editorial da revista What If? Vol.1 aconteceu em sua edição #13: O Que Aconteceria Se… Conan, o Bárbaro Andasse Pela Terra Hoje?. A partir dela, o editor Roy Thomas procurou orientar os roteiristas a assumir posturas ainda mais ousadas, além de colocarem em cena personagens que não fossem exatamente os medalhões da Marvel à época. A partir de então, uma nova e mais interessante forma de representar aventuras alternativas chegou ao título, sempre jogando com cenários extremos e procurando elencar personagens fora do grande hype da editora.

Ambientada na Terra-7918, esta aventura de título bastante interessante faz um paralelo imediato entre realidades, tendo o dia 7 de dezembro de 1941 — dia do ataque da Marinha Imperial Japonesa à base norte-americana de Pearl Harbor — como ponto de partida para grande parte do enredo. Aqui, o sargento Nick Fury se une aos soldados de elite para uma missão contra os invasores Betans e contra o Almirante Alfa infiltrado (Barão Strucker), que apesar de fazer parte de um ponto bastante instigante do roteiro, acaba tendo uma parte de sua base narrativa arrastada, talvez com a tentativa de o roteiro manter o calor da batalha e ainda sustentar um suspense de ordem militar. Não é ruim, mas tem um ritmo bem menos palatável que o restante da revista.

Nesta realidade, o Vigia narra o paralelismo entre as duas Terras dentro da 2ª Guerra Mundial como um acontecimento orgânico e bem demarcado. Há um momento didático, mas bem interessante, onde o observador cabeçudo explica como esta Terra-7918 se tornou muitíssimo mais desenvolvida tecnologicamente do que a Terra-616, a casa-central da Marvel e isso vai tendo boas implicações comparativas no decorrer das páginas. A arte de Herb Trimpe também ajuda nessa empreitada, ganhando pontos também na diagramação, que é majoritariamente simples, mas não preguiçosa. Há uma boa dinâmica de interação entre soldados e inimigos Betans (que basicamente encarnam os militares do Eixo), além de boas cenas de batalha no espaço. Fury e seus Comandos estão o tempo inteiro em movimento e a ação aqui é a palavra de ordem. A cada bloco, porém, o roteiro arrasta explicações ou repete conceitos utilizando palavras diferentes, vindas de diferentes soldados, o que torna pontos específicos de toda essa saga um tanto chateantes, embora nada realmente grave.

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Ocultar o traidor foi uma escolha óbvia do roteiro, porque isso torna a edição mais… intensa em algum ponto. O problema disso é que esse “segundo vilão” não é bem inserido ao longo da edição, por um motivo que a gente até consegue entender, o que dá na cara que esta é uma armadilha de roteiro. Acredito, porém, que se o texto desse deixas mais claras de que havia um plano interno para boicote do lado democrático, na base espacial, e não explorasse de verdade isso apenas na reta final, talvez o Barão tivesse uma posição bem mais interessante na história.

Cheia de boas referências aos quadrinhos de guerra e à própria História da 2ª Guerra Mundial, esta edição da revista O Que Aconteceria Se…? é um ótimo exercício de deslocamento e uma boa ideia de como retrabalhar um grande evento em um outro espaço de ação. O texto traz alguns problemas de ritmo e exploração de personagem, é verdade, mas no todo é bem divertido, com um típico bom humor dessas histórias com o Sargento Fury e com um final que deixa uma bem escolhida porta aberta para que o leitor imagine a continuação dessas batalhas (considerando a continuação da guerra tal qual fora em nossa realidade). Dá para sentir falta de algumas consequências mais trágicas — até porque, estamos falando de uma guerra mais ou menos nos moldes Star Wars, aqui! — mas isso não diminui a qualidade da história não.

What If? Vol.1 #14: What If Sgt. Fury and His Howling Commandos Had Fought World War II in Outer Space? (EUA, abrl de 1979)
Roteiro: Roy Thomas (conceito), Gary Friedrich (enredo), Don Glut (roteiro)
Arte: Herb Trimpe
Arte-final: Pablo Marcos
Cores: D. R. Martin
Letras: Tom Orzechowski
Capa: Herb Trimpe, Joe Sinnott
Editoria: Roy Thomas
24 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.