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Crítica | O Rei Leão

por Sidnei Cassal
856 views (a partir de agosto de 2020)

Lembro que a primeira vez que vi a animação O Rei Leão me ocorreu que a história tinha elementos que lembravam uma trama shakespeariana. Ao invés de palácios, tínhamos a savana africana. E ao invés de príncipes e reis; leões, hienas e suricates. Mas o vilão invejoso que mata seu próprio irmão para lhe tomar o lugar na Pedra do Reino, o exílio do herdeiro legítimo e sua volta triunfal para tomar posse daquilo que lhe pertencia por direito tinham sim sido inspirados na trágica história de Hamlet, conforme o próprio estúdio Disney divulgou posteriormente.

Além disso, na animação o jovem leão Simba costuma ter visões de seu pai morto, o rei Mufasa, assim como em Hamlet o fantasma do rei passa a surgir para seu filho. Portanto, minha percepção não estava errada. Os autores do roteiro também admitem que beberam na fonte de outras histórias como o próprio Bambi (desde então, numa animação da Disney uma morte não era apresentada ao público infantil, causando agora igual comoção), e na história de Kimba – O Leão Branco. O Rei Leão faz parte da chamada nova era de ouro da animação Disney, que se iniciou com A Pequena Sereia, em 1989, e continuou com A Bela e a Fera, Hércules, Aladdin, formando na minha opinião um quinteto que se completa com esta animação clássica que já está fazendo 20 anos. Além de pinçar elementos dramáticos e temas em outras histórias já consagradas e saber dosá-las numa história totalmente original, os produtores tiveram cuidados de produção que incluíram uma passagem pelo Quênia, na África, para pesquisar, fotografar e desenhar cenários e animais típicos da savana.

O resultado não poderia ter sido melhor. Além da qualidade pictórica da animação, com sua exuberância de cores e detalhismos gráficos, a construção das personagens e principalmente a inspirada trilha sonora de Hans Zimmer, com canções compostas pelo cantor Elton John em parceria com o compositor Tim Rice, reservou de imediato a O Rei Leão o lugar de um novo clássico de animação da Disney. O sucesso foi tão grande que o filme ainda ocupa o 18º lugar de filme com maior bilheteria em toda história, perdendo apenas para Toy Story 3 o título de animação mais rentável. A trilha sonora, quando comercializada, atingiu, somente nos Estados Unidos, a marca de 10 milhões de cópias vendidas. E por fim, a história foi adaptada, transformando-se num musical de sucesso da Broadway, em 1997, fazendo o caminho inverso do que normalmente acontece com os filmes de Hollywood.

O Rei Leão resiste ao tempo. É uma das animações preferidas do público de todas as idades há 20 anos, e fez de seus personagens Simba, Timão e Pumba dos mais apreciados pelas crianças em todo o mundo, tendo sido comercializados e reproduzidos de diversas maneiras pelo marketing que se seguiu ao sucesso do filme. Relançado em versão 3D, em 2011, manteve-se no topo das bilheterias americanas e canadenses por duas semanas consecutivas, arrecadando em torno de 22 milhões de dólares, o que o fez chegar próximo de 1 bilhão de dólares em bilheterias somente nos cinemas.

A animação tem sequências de tirar o fôlego, como sua abertura – ao som da canção Circle of Life – a dramática cena da morte de Mufasa, pai de Simba e quase todas aquelas embaladas pelas espetaculares canções, como Be Prepared. No livro 1001 Filmes para Ver Antes de Morrer, a animação O Rei Leão foi justamente incluída. Caso contrário, seria uma ausência imperdoável da compilação. Vou mais longe e digo,  sinceramente, que se fosse escolher meus 100 filmes preferidos de todos os tempos, pouquíssimas animações fariam parte da lista, mas, sem dúvidas, estaria reservado um lugar para este clássico da Disney.

O Rei Leão (The Lion King)EUA, 1994
Direção: Roger Allers, Rob Minkoff
Roteiro: Ireni Mechi, Jonathan Roberts, Linda Woolverton
Elenco (Dublagem Original): Matthew Broderick, James Earl Jones, Jeremy Irons, Nathan Lane, Moira Kelly, Rowan Atkinson, Whoopi Goldberg, Niketa Calame-Harris, Jim Cummings, Robert Guillaume, Zoe Leader, Cheech Marin, Ernie Sabella, Madge Sinclair, Jonathan Taylor, Frank Welker
Elenco (Dublagem Brasileira): Garcia Júnior, Patrick de Oliveira, Bruno Miguel, Paulo Flores, Jorgeh Ramos, Carla Pompílio, Kika Tristão, Pedro de Saint Germain, Mauro Ramos
Duração: 89 minutos

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13 comentários

André 4 de outubro de 2020 - 22:53

Minha animação preferida de todos os tempos, eu gosto muito das sequências e do filme live action, mas nenhum se igualou ao original, na minha de filmes preferidos só perde para Star Wars Uma Nova Esperança e O Império Contra Ataca.

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Anônimo 27 de julho de 2018 - 11:10
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Ian Luz 27 de julho de 2018 - 10:37

Novamente deixo a dica, sugestão e pedido.

Não esqueçam de citar a dublagem brasileira dessas animações dos anos 90 da Disney.

O trabalho absurdamente incrível de Paulo Flores como Mufasa , Jorgeh Ramos como Scar , Garcia Junior como Simba adulto , Mauro Ramos como Pumba , entre outros são coisas que estão na memória afetiva do brasileiro que cresceu nos anos 90.

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Crítica | O Rei Leão – Críticas 26 de julho de 2018 - 22:32

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vc falou em pipoca? 26 de julho de 2018 - 16:02

Uma pena que a continuação não foi lançada no cinema, certamente teria recebido o mesmo refinamento do antecessor e abriria as portas para a expansão do mundo das terras do rei. Quem acompanha o canal imaginago sabe que é um universo bem vasto e interessante.

Lembro que quando assistia na infância sempre torcia pra cena da morte do mufasa ser diferente, sempre ficava na bad. E também amo a lição sobre o equilíbrio entre paz e responsabilidade e a crítica sobre busca do poder por auto afirmação mas sem compreender o que tal fardo significa.

Um filme que eu considero no mesmo nível de rei leão mas que aparentemente não recebeu o mesmo reconhecimento, com ultrajantes 53% no rotten, é irmão urso. Esse possui praticamente a mesma qualidade de animação, também mergulha de cabeça na mitologia e costumes daquele povo, acredito eu, e é uma linda fábula sobre alteridade e a importância de não deixar o ódio comandar nossas ações.

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Vinicius Santos 26 de julho de 2018 - 17:02

Irmão Urso é tão sensacional quanto.

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G. Hoffmann 3 de agosto de 2018 - 20:39

Pois é, cara, apesar de eu não considerar no mesmo nível de Rei Leão, eu acho muito curiosa a recepção negativa de Irmão Urso. Faz tempo que não assisto, mas me surpreende o quanto já vi detonarem esse filme, que pelo que me lembro não foi um escorregão desses!

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vc falou em pipoca? 3 de agosto de 2018 - 21:26

Acho que nem chega a ser abaixo de ótimo, pelo que entendi as maiores críticas foram por acharem parecido com era do gelo e rei leão, o que são só detalhes quando se vê a obra no geral que possui vida própria. Pra mim pode sim ser considerado o rei leão dos anos 2000.

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Flavio Batista 26 de julho de 2018 - 08:17

Me lembro perfeitamente da primeira vez q vi no cinema.
Tinha começado no meu primeiro emprego e estava de ferias da escola.
havia um shopping em frente ao trabalho e o filme ja estava pra sair de cartaz.
Havia lido no jornal criticas muito positivas e la fui eu depois do trabalho,
Sessao vazia (umas 17 horas) com alguns pais e seus filhos. Rapaz, qdo começou aquela musica e culminou na apresentaçao do Simba, eu estava em lagrimas e nem sabia exatamente o porquê: simplesmente fui tocado de uma maneira profunda pela beleza da arte.

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G. Hoffmann 3 de agosto de 2018 - 20:39

É uma cena apoteótica mesmo, @disqus_GZWEmvRlaw:disqus ! Não é a toa o quanto se tornou icônica…

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Eufrazino 8 de abril de 2016 - 17:11

Cara, eu considero Rei Leão simplesmente a melhor animação não só da Disney, mas de toda a história. O início é fantástico, fora os personagens, que são os mais carismáticos que o estúdio já fez em toda a sua história. Nota 10 mesmo, gosto muito. Lembro perfeitamente do VHS que eu tinha.

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André 4 de outubro de 2020 - 22:53

Concordo, é um filme maravilhoso, quando assisti pela primeira vez, reasisti 50 vezes sem nem enjoar.

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Eufrazino 8 de abril de 2016 - 17:11

Cara, eu considero Rei Leão simplesmente a melhor animação não só da Disney, mas de toda a história. O início é fantástico, fora os personagens, que são os mais carismáticos que o estúdio já fez em toda a sua história. Nota 10 mesmo, gosto muito. Lembro perfeitamente do VHS que eu tinha.

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