Crítica | O Retorno à Razão

Man Ray foi um artista plural, e o principal artista americano do surrealismo. Além de dirigir filmes, também pintava e fotografava. Em 1924, atuou para René Clair em Entreatos. Também foi assistente de Marcel Duchamp durante o período em que passou na França – no qual também integrou a chamada “Geração Perdida”.

Sua obra O retorno à razão (1923), é um curta-metragem enigma, assim como todo o trabalho surrealista. Os significados e as conclusões para o que nos é apresentado pela câmera podem ser diversos, mesmo para um único indivíduo.

Não há créditos de abertura, no filme. A cena inicial é uma sequência de imagens granuladas, multi-caleidoscópios em preto e branco. Pregos soltos na tela e algumas imagens surrealistas se seguem. A primeira quebra narrativa (talvez uma tentativa de alusão muda ao título) é a imagem de um carrossel funcionando em um parque de diversões, à noite. Vários ângulos são mostrados. A câmera nunca está parada, e se torna subjetiva às vezes. É o primeiro momento em que vemos algo que faça sentido real: closes de um carrossel. Na sequência seguinte, uma outra mudança estrutural-narrativa: uma engrenagem de uma máquina em tamanho gigante (como as de Tempos Modernos, 1936, de Chaplin) é mostrada. No fundo da imagem das máquinas parece haver um palco. Uma luz diagonal reflete o que parece ser a roupa de uma pessoa. No canto superior esquerdo podemos ler a palavra DANCER. Seria o trabalhador que usa essas máquinas, apontado aqui como “dançarino”?

Outras imagens surrealistas se seguem, em alta velocidade. Um “cone” de papel desce em frente à câmera. Uma pequena armação de madeira roda, presa a um barbante, em frente a uma janela iluminada pela luz do sol.

O fechamento do curta, é, novamente, uma “volta à razão”: uma mulher, com os seios à mostra, está em frente à uma janela. O reflexo da cortina sobre seus seios e sua barriga fazem-na parecer um jarro desenhado e alto-relevo. A mesma imagem é mostrada em negativo. E o curta termina com a mulher tomada em um ângulo diagonal.

O que poderia ser o “retorno à razão”, proposto por Man Ray? A tirar pelo término do curta, esse “retorno” a tal razão é falso, porque a razão não existe, segundo as suas experiências fotográficas que alteram a imagem-realidade: ou, o que seriam aquelas imagens reproduzidas pela câmera? Que efeito de “real” produziram no espectador? Seria o ininteligível a “verdadeira razão” do homem, e a sua convencional realidade uma falsidade produzida por ele? Um retorno a qual razão, o cineasta propõe? Questões filosóficas e surrealistas…

O Retorno à Razão (Le Retour à la Raison) – França, 1923
Direção: Man Ray
Roteiro: Man Ray
Duração: 3min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.