Crítica | O Retorno dos Tomates Assassinos

“__ Preciso de ajuda para combater a ameaça vermelha.
__ Comunistas?
__ Pior… tomates!”

Um dos poucos casos em que a sequência supera o original, O Retorno dos Tomates Assassinos ainda sustenta o humor leve baseado na metalinguagem. No entanto, com um pé a mais no chão, a franquia agora arrisca em uma narrativa mais realística, sobretudo pela diminuição expressiva da presença de tomates assassinos. Surpreendentemente, a falta dos “antagonistas” não arranca a essência da película. No segundo filme da franquia, o cientista Professor Gangreen (John Astin) tem o plano de construir um exército de tomates assassinos produzidos artificialmente. Com uma máquina que transforma tomates em pessoas reais, o cientista constrói Tara (Karen M. Waldron), uma mulher que se vira contra seu criador.

É incrível que um filme intitulado “tomates assassinos” não tenha sua base na premissa do título. Normalmente, essa falta de coerência seria muito prejudicial à obra, ainda mais que a franquia só veio a ser conhecida devido a esta pauta… diferente. Contudo, como acontece no primeiro filme, a sequência não tem sua força principal nos tomates propriamente dito, mas em reconhecer o excesso de absurdo na trama e brincar consigo mesma. Mais uma vez, John de Bello utiliza a metalinguagem como tema central para alavancar o humor. Desta vez, entretanto, com um “quê” a mais. Se no primeiro filme da franquia esse recurso foi muito bem avaliado, o mais inteligente a se fazer era abusar dele em uma sequência. E o diretor pareceu entender esse conceito: agora, além de brincar com a própria pauta absurda, ele expande para o universo real, quebrando a quarta parede. No exemplo da cena em que se inicia uma perseguição de automóveis, mas logo é cortada com o personagem olhando para a câmera e falando: “o orçamento do filme está baixo demais para uma perseguição”. Novamente, momentos simples com piadas leves que conseguem humorizar muito mais do que algo exagerado e abusivo.

No mais, o maior erro do primeiro filme aqui não se mostra presente. Todos os protagonistas são bem aproveitados, embora a atuação de Tara perturbe um pouco, pois a todo momento ela precisa falar e agir como um robô. Realmente é um elemento que podia ser evitado, visto que o próprio roteiro pareceu entender isso a partir do segundo ato quando nos é “revelado” que Tara, na verdade, é um tomate artificial e, então, a protagonista passa a agir de forma mais humanizada. No caso dos outros personagens, não há do que se queixar. Pelo contrário: as pequenas sátiras, principalmente do exército formado por “rambos”, levantam ainda mais o humor e relembra a essência da franquia.

O Retorno dos Tomates Assassinos é um belo trash que, ao todo, não possui exatamente tomates assassinos. No entanto, se analisarmos a essência da franquia, que se constitui em um humor leve e metalinguístico, a sequência cumpre bem com a premissa, a ponto de até superar o primeiro longa. Embora encontramos erros na roteirização da personagem Tara, John de Bello pareceu aprender com os desvios da primeira obra e, dessa vez, aproveitou mais os personagens. De lição, o diretor mostra que não é preciso algo muito complexo para ser uma boa película. Basta inteligência.

O Retorno dos Tomates Assassinos (Return of the Killer Tomatoes!) – EUA, 1988
Direção: John de Bello
Roteiro: John de Bello, Stephen Andrich, Costa Dillon, J. Stephen Peace
Elenco: John Astin, Karen M. Waldron, George Clooney, Steve Lundquist, Charlie Jones, Frank Davis, Havey Weber, Michael Villani, Rick Rockwell, Gordon Howard, Ian Hutton
Duração: 98 minutos.

FERNANDO ANNUNZIATA . . . Por meio de um sonho, fui convocado pessoalmente pela Marilyn Monroe a participar do mundo das críticas cinematográficas. Sem saber o que esse mundo me reservava, cavalguei com a Lady Godiva em busca do Lendário Livro de Verdades. Atravessamos Gotham, Hogwarts e Twin Peaks atrás do nosso objetivo. Com a revelação dentro de um baú feito de mármore a dois metros dos nossos olhos, nos deparamos com o melhor final possível: o Livro era um espelho. Agora sou o dono de todas as verdades e faço parte de um culto de bruxos chamado Plano Crítico. A única resposta que não tenho é se prefiro minha antiga vida, quando eu era um mortal estudante de Comunicação Social de 18 anos, ou a vida atual, na qual eu descobri a verdade sobre Bohemian Rhapsody.