Crítica | O Sepulcro Indiano

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Continuação do ótimo O Tigre da Índia (1959) e terceira versão cinematográfica da obra de Thea von HarbouO Sepulcro Indiano é aquele tipo de filme que facilmente nos enche os olhos com sua beleza, mas consegue, em igual medida, nos fazer revirá-los a cada grupo de cenas, tamanhas são as facilidades e conveniências às quais o roteiro se permite. Tudo isso para narrar a conclusão de uma história de amor improvável (e tornada impossível) entre um arquiteto alemão e uma belíssima dançarina hindu, interpretada por Debra Paget.

O drama segue a mesma linha de argumento deixada no primeiro longa. O narrador faz uma retomada breve dos acontecimentos da obra anterior e dá rapidamente o tom de emboscada e caça a um inimigo, estando, de um lado, o Marajá Chandra (Walther Reyer), lutando contra seus demônios e procurando infligir em Seetha e Harald (Paul Hubschmid) uma punição que o faça se ver livre da vergonha da rejeição e, inconscientemente, que sublime o desejo guardado pela dançaria do templo. Existe uma tensão erótica na obra, que se estrutura na prática como um estranho triângulo amoroso, mas o roteiro se esparrama por tantos lados possíveis que o espectador não consegue aproveitar bem as sugestões mais instigantes do enredo.

Até poderíamos citar a sequência em que Seetha é colocada sob julgamento da deusa e, diante de uma grande imagem, precisa dançar e “encantar” uma serpente, sem ser picada. O figurino minúsculo utilizado por Debra Paget expõe ainda mais a sua beleza e faz de sua presença ali o grande destaque. Mas se compararmos este momento com uma mesma cena de dança do primeiro filme, constatamos que, exceto a beleza da atriz, todas as outras coisas estão muito abaixo em qualidade. A coreografia, a direção e a montagem parecem assinadas por uma equipe criativa completamente diferente e tudo se torna ainda mais problemático quando vemos os fios que seguram a serpente aparecerem o tempo inteiro nas filmagens, com direito a um incompreensível e horrendo close da dançarina diante do animal mortal e os fios ali mostrados abertamente para quem quisesse ver.

À história de amor mistura-se uma intriga palaciana com um golpe de Estado sendo preparado pelo príncipe Ramigani (René Deltgen), o ambicioso irmão do Marajá. Talvez fosse possível aproveitar esse bloco da fita se esses eventos tivessem uma construção mais escrupulosa, algo que não ocorre. A questão é que nem a montagem ajuda a organizar esses eventos e, constantemente, passamos para cenas de amor, cenas de um arquiteto reclamando, cenas da irmã de Harald agindo de maneira estúpida, cenas dos tormentos do Marajá, da prisão de Seetha, da construção de uma tumba… Existem muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo e elas não estão bem conectadas ao longo da obra, o que faz do resultado final uma bagunça que só ganha mesmo algum destaque pela esplêndida fotografia, direção de arte e figurinos. A trilha sonora também tem bons momentos, mas não ao longo de toda a projeção.

Sofrendo da mesma maldição que acometera O Barco de Diamantes, medíocre sequência de O Lago Dourado, o Mestre Fritz Lang vê mais uma de suas obras sequenciais sair bem diferente do que ele tinha imaginado e com resultados que não não fazem jus à sua grandeza como diretor. É aquela história… não dá para ser perfeito o tempo todo.

O Sepulcro Indiano (Das indische Grabmal) — Alemanha Ocidental, França, Itália, 1959
Direção: Fritz Lang
Roteiro: Fritz Lang, Werner Jörg Lüddecke (baseado na obra de Thea von Harbou e no roteiro original de Richard Eichberg).
Elenco: Debra Paget, Paul Hubschmid, Walther Reyer, Claus Holm, Sabine Bethmann, René Deltgen, Valéry Inkijinoff, Jochen Brockmann, Richard Lauffen, Jochen Blume, Helmut Hildebrand, Guido Celano, Victor Francen
Duração: 102 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.