Crítica | O Último Duelo

estrelas 3,5

O Último Duelo foi o terceiro western que Budd Boetticher dirigiu, sendo os dois primeiros O Chicote Fatal e Caçadores de Lobos, ambos de 1949. O cineasta estreara na direção em meados dos anos 40, e, por ocasião de O Último Duelo, não só tinha uma boa experiência atrás das câmeras como também um estilo próprio de narrar histórias, abordando, no caso do presente gênero, a vingança e o lado pessoal um pouco atormentado (mas dissimulado) dos personagens masculinos, elementos que seriam base para a sua heptalogia de faroestes com Randolph Scott, iniciada em 1957 no longa O Resgate do Bandoleiro.

Audie Murphy vive o protagonista de O Último Duelo (Bill Doolin / Cimarron Kid) e inicia o filme recebendo sua liberdade condicional e conselhos para que se comporte. Em pouco minutos de projeção, fica claro que sua prisão não fora necessariamente um ato de justiça e essa sensação fica cada vez mais forte à medida que outros personagens aparecem em cena.

Kid é uma espécie de azarado que sempre aparece no lugar e hora erradas, uma recorrência que definirá o seu caminho de fora-da-lei ao lado de alguns amigos, bandoleiros procurados pela polícia de várias cidades. O roteiro do filme segue a trilha do bando, acompanha alguns de seus assaltos – os frustrados e os bem sucedidos – e desenvolve o lado familiar/emotivo de alguns deles bem como sua relação de amizade.

A narrativa é bem estruturada e não falha antes do término da obra, quando se entrega à remissão vinda com o romance e pisoteia a maior parte do que fora construído no enredo até aquele momento. Mesmo que consideremos os vários exemplos e citações sobre a honestidade de um homem, o preço a ser pago por levar uma vida de criminoso e os sonhos inalcançáveis de uma vida de paz para qualquer homem do oeste que se via obrigado a ter uma “última missão” – linha comum dos westerns mais maduros da década de 1950 –, não é possível ver a finalização de O Último Duelo com bons olhos.

O filme, no entanto, alcança um resultado final definitivamente positivo porque seu desenvolvimento é livre de tons amenos e narrado quase como uma crônica sobre o desespero à qual temos acesso limitado. Os assaltos, as fugas e a caçada dos homens da lei ao bando recebem destaque episódico, cada um deles bem dirigido e, no caso das tomadas externas, com excelente uso do espaço geográfico a favor da história. No caso das internas, o destaque vai para a direção de arte e para a delicada fotografia.

Budd Boetticher faz um relato sobre homens marcados pelas ações criminosas que cometeram, um tom moral que pode incomodar o espectador se não for lido de forma crítica. A abordagem, no entanto, pode ganhar um tom de “busca” de algo externo e interno aos personagens, contendo aí as implicações existencialistas possíveis, todas elas mascaradas por uma rudeza típica do machismo imperante.

O diretor joga com o destino de seus personagens, priorizando o trágico e terminando na segunda chance, um ponto que não necessariamente foi a melhor escolha mas que pelo menos nos deixa o benefício da dúvida sobre a aceitação ou não do protagonista para aquela nova situação que se apresentava a ele. No final das contas, Kid tinha sim último duelo. Exatamente qual (contra os outros ou contra si mesmo?) é o que não sabemos.

O Último Duelo (The Cimarron Kid) – EUA, 1952
Direção:
Budd Boetticher
Roteiro: Louis Stevens, Kay Lenard
Elenco: Audie Murphy, Beverly Tyler, James Best, Yvette Duguay, John Hudson, Hugh O’Brian, Roy Roberts, David Wolfe, Noah Beery Jr., Leif Erickson, John Hubbard, Frank Silvera
Duração: 84 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.