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Crítica | O Último Mestre do Ar

por Rafael W. Oliveira
157 views (a partir de agosto de 2020)

Como qualquer cineasta vítima da má visão do público e, tão impiedosa quanto, da crítica, era natural que Shyamalan recorresse, em algum momento, a alguma saída que lhe desse novas perspectivas de, se não recuperar o respeito adquirido no passado por O Sexto Sentido de imediato, ao menos segurar seu nome na indústria. Após as recepções nada amistosas da fantasia contemporânea A Dama na Água e da sátira B, Fim dos Tempos, o indiano recorreu, pasmem, a uma adaptação de um popular desenho animado da TV. Motivado por suas filhas, de acordo com as línguas mais curiosas, o live-action do indiano para Avatar: The Last Airbender parecia sim, ser a oportunidade ideal para Shyamalan conquistar novamente o carinho do público através de um gênero inédito em sua filmografia, mas debaixo das amarras dos estúdios, o tiro acabou saindo pela culatra.

Claro, pois é bastante notável os constantes esforços de Shyamalan em abraçar as oportunidades do material que carrega em mãos, inicialmente ricos em simbolismos envolvendo a natureza e a humanidade (temas recorrentes no filme do diretor), mas também está bastante latente a limitação de tudo o que envolve o projeto, seja pelo roteiro formulaico que dá dois passos para trás a cada nova inserção de uma boa ideia, seja pela técnica artificializada que pouco auxilia na ambientação mágica daquele universo, seja pelo elenco mal preparado e desconfortável em ser obrigado a recitar um número incontável de diálogos prontamente calculados para causar algum efeito. Em suma, O Último Mestre do Ar é um filme fadado ao vexame.

O que, em nenhum momento, se torna culpa do indiano. Como dito, os esforços em levar seu toque autoral a uma história de apelo tão popular (mas tão mal aceita em seu lançamento quanto os filmes anteriores do diretor) são perceptíveis, desde a elaboração de planos-sequência nas cenas de ação que priorizam o acompanhamento gradual da movimentação ou os planos abertos que expandem a beleza daquele universo (mas como já mencionado, a técnica não ajuda). Shyamalan também denota respeito pelo material adaptado e não se poupa nas referências ao desenho original, algo comprovado na abertura fiel onde vemos os elementos Fogo, Água e Terra serem manipulados.

Ou seja, boa vontade por parte de Shyamalan o filme têm, mas seu formato imposto para uma fórmula propositalmente limitada e mastigada pelo estúdio impede que a aventura alce voos maiores. O Último Mestre do Ar ainda denota o talento de Shyamalan como artesão de imagens e contador de histórias, só faltou a liberdade devida para que a adaptação, inicialmente pensada como uma trilogia, não tivesse naufragado logo em sua primeira investida.

O Último Mestre do Ar (The Last Airbender) — EUA, 2010
Direção:
 M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Elenco: Noah Ringer, Nicola Peltz, Jackson Rathbone, Dev Patel, Shaun Toub, Aasif Mandvi, Cliff Curtis, Seychelle Gabriel, Katharine Houghton
Duração: 103 min.

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