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Crítica | “Ok Human” – Weezer

por Handerson Ornelas
610 views (a partir de agosto de 2020)

O Weezer é uma das bandas mais interessantes de serem debatidas entre nerds musicais. Sua fanbase mistura uma constante fidelidade com uma certa desconfiança e crítica forte que já resultou até em um maravilhoso sketch do Saturday Night Live.  Rivers Cuomo deve ser um dos músicos que mais se diverte fazendo o que bem quiser, surgindo com ideias inesperadas e sem aparentar qualquer preocupação com repercussão entre fãs ou críticas sobre a maturidade de sua música. Apenas um cara disposto a fazer seja lá o que tiver vontade com sua banda. Basta observar os 5 álbuns lançados nos últimos 5 anos pela banda, todos com sonoridades bem diferentes. Ok Human, o mais novo desses trabalhos, é mais uma abordagem fresca na discografia do grupo e possivelmente seu melhor disco desde White Album.

Ok Human parece uma antítese de Black Album, a obra anterior do grupo. Enquanto o disco de 2019 era um pop caótico, superproduzido e recheado de sintetizadores, o novo álbum é extremamente orgânico, harmônico e intimista. Os refrões chicletes que marcam a carreira do grupo seguem firmes aqui, mesmo em meio a essa abordagem polida. A própria faixa de abertura, All My Favorite Songs, faz questão de garantir isso em seus versos marcantes e cantaroláveis que parecem servir de metáfora para o próprio álbum: “Todas as minhas músicas favoritas são lentas e tristes”.

Se a primeira faixa já surpreende com a inserção de arranjos orquestrados, Aloo Gobi faz questão de salientar que estamos diante de um álbum um tanto diferente do Weezer, com a aparição de um conjunto instrumental de cordas lindíssimo que sustenta o ótimo refrão e carrega a canção em um crescendo épico extraordinário, criando algo similar à clássica experiência de produção wall of sound. O flerte com o chamber pop – gênero correspondente a um pop orquestrado que nasceu lá em Pet Sounds – é algo constante na obra, mas possui picos incríveis de criatividade, como a linda dobradinha Numbers e Playing My Piano, ou o catártico encerramento de La Brea Tar Pits, com arranjos melancólicos absurdamente harmônicos que deixariam Brian Wilson orgulhoso.

Se há alguma ressalva a ser feita na obra, talvez seja apenas o fato de algumas canções aparentarem funcionar também fora do arranjo orquestrado, como se todo a inserção do instrumental orquestrado tivesse meras qualidades percussivas. Em alguns momentos fica a sensação que a produção orquestrada está ali para dar somente roupagem, mas que a base ainda é essencialmente o Weezer tradicional. Isso de forma alguma soa exclusivamente como demérito, bem pelo contrário, já que por um lado mostra também como o grupo consegue renovar sua abordagem e ainda se manter ligado a sua sonoridade raiz. No entanto, não deixo de ter um leve sentimento de que essa sonoridade ainda poderia ser explorada de maneira mais experimental.

Ok Human pode vir facilmente a se tornar um dos álbuns preferidos dos fãs da banda, se tornando melhor a cada audição. Em termos instrumentais e melódicos é, sem dúvida nenhuma, um dos mais belos trabalhos já feitos pelo Weezer, o que não deixa de ser bem surpreendente, principalmente considerando a pouca divulgação e pequena antecipação criada, já que a maior parte do público parecia bem mais interessada no tão prometido Van Weezer, álbum de covers de Van Halen. No fim, Weezer mostrou – mais uma vez – que não é bem uma banda fácil de prever movimentos.

Aumenta!: Numbers
Diminui!: All My Favorite Songs

Ok Human
Artista: Weezer
País: Estados Unidos
Lançamento: 29 de janeiro de 2021
Gravadora: Atlantic Records / Crush Music
Estilo: Rock alternativo

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