Home TVTemporadas Crítica | Once Upon a Time – 1ª Temporada

Crítica | Once Upon a Time – 1ª Temporada

por Gabriela Miranda
275 views (a partir de agosto de 2020)

Todas as histórias de contos de fadas começam com “Era uma vez…”. Ao ser intitulada assim, a série já anuncia a premissa que será largamente explorada, firmada no questionamento: “você acredita em mágica?”. A partir disso, estabelece-se o paralelo entre o mundo contido em um livro de contos e o mundo que reconhecemos como a realidade. E no núcleo dessa abordagem reconhecemos personagens familiares como a Branca de Neve e a Rainha Má, interpretadas respectivamente por Ginnifer Goodwin e Lana Parilla.

Mas o detalhe, aqui, e talvez o segredo do sucesso de Once Upon a Time, é a maneira bem costurada como a narrativa é construída de modo a decompor os enredos que conhecemos, traçando um elo de contemporaneidade entre diversos personagens e arrastando uma história para dentro da outra, tornando possível a caracterização de novas tramas.

A maneira de contar a história se enquadra perfeitamente com as constatações de Vladimir Propp, um ícone da narratologia que estabeleceu os elementos básicos da narrativa ao analisar os contos russos. Outros estariam mais familiarizados com o conceito de Monomito de Joseph Campbell que, por sua vez, serviu de base para o Memorando Vogler.

O memorando era direcionado para roteiristas e se tornou um método aderido pela Disney, onde o autor, Christopher Vogler, trabalhava à época. Mas o que de fato ocorre nesta série é o uso de uma base narrativa muito mais próxima de Propp que de Vogler, dando origem a um roteiro flexível em torno de um núcleo constante. Tudo é encaixado e removido e realocado com sucesso nesse roteiro.

Nesta primeira temporada da série, temos o desenvolvimento da trama central que se baseia na história de Emma, interpretada por Jennifer Morrison. Uma caçadora de recompensa que é encontrada pelo filho, Henry, que deu para adoção anos atrás e que agora vem impulsionar a heroína para a jornada dela. Como nos contos que Propp analisou, essa história também começa com o distanciamento da família, o membro que deixou a Floresta Encantada foi Emma, mas chegou a hora de regressar ao lar.

A realidade esconde uma maldição que congelou o tempo na pequena cidade de Storybrooke e a memória dos moradores, extraordinariamente comuns, adormece com as lembranças do passado mágico. É em desvendar os mistérios da cidade e identificar os personagens que se baseia a trama geral da temporada. Enquanto no núcleo, o importante é o relacionamento familiar. Os obstáculos são todos impetrados pela Rainha Má, que nesse mundo, se chama Regina, com a participação de outro importante personagem, Rumpelstiltskin, ou, se preferir Mr. Gold (Robert Carlyle). O mais importante de Once Upon a Time é que a história não chegou ao final feliz.

Once Upon a Time – 1ª temporada (EUA, 2011)
Criador: Edward Kitsis, Adam Horowitz
Diretor: Diversos
Roteiro: Diversos
Elenco: Ginnifer Goodwin, Jennifer Morrison, Lana Parrilla, Josh Dallas, Jared Gilmore, Robert Carlyle, Emilie de Ravin
Duração: 946 min.

Você Também pode curtir

9 comentários

David Telio Duarte 23 de outubro de 2020 - 13:13

Me surpreendi com a série, especialmente com a descontrução dos personagens em relação ao que estamos (ou estávamos) habituados e ao cross over entre eles. Curti muito, sem me preocupar em encontrar muita lógica em certas situações do enredo em uma série que se antecipa como fábula mágica.

Responder
planocritico 23 de outubro de 2020 - 19:33

Se você gosta de quadrinhos, sugiro ler Fábulas, se já não tiver lido. É a mesma pegada de mudar as fábulas que conhecemos, só que MUITO melhor!

Abs,
Ritter.

Responder
David Telio Duarte 12 de novembro de 2020 - 12:30

Anotado! 👍👍👍

Responder
Guilherme Coral 9 de julho de 2014 - 00:56

Confesso que sempre tive um grande preconceito em relação a essa série (errado, eu sei), mas depois da sua crítica vou ter que dar uma chance!

Responder
Rafael Oliveira 10 de julho de 2014 - 04:45

Tenho preconceito por essa série até hoje, mas com aquela vontade de querer dar uma chance… rs

Responder
Gabriela Miranda 10 de julho de 2014 - 16:01

Rafael, acontece. Talvez por ser uma coisa baseada em contos de fadas a impressão inicial seja de que é uma coisa para um público infantilizado ou mesmo familiar, mas no fim das contas o interesse por roteiros criativos e dinâmicos acaba influenciando na vontade de ver a série. Isso não significa que não está aberto à falhas, mas diz muito sobre a capacidade de prender a atenção do espectador.

Responder
Erik Blaz Dos Santos 10 de julho de 2014 - 05:26

Eu achei ela bacana, mesmo sendo, creio eu, algo mais família, dá aquela vontade de “quero ver como isso acaba”…

Responder
Gabriela Miranda 10 de julho de 2014 - 15:56

E é exatamente essa vontade de ver no que vai dar que qualifica o roteiro, Erik. Os efeitos especiais e o potencial do discurso apresentado extrapola o que vemos em outras séries com mesmo perfil.

Responder
Gabriela Miranda 10 de julho de 2014 - 15:53

É muito interessante, Guilherme. Merece mesmo uma chance, porque a maneira como eles reaproveitam as histórias já, de certa forma, batidas sobre princesas e etc, é engajante. Tem vários personagens bem construídos e com o passar das temporadas é possível ver como é bem armada a teia de conexões que vão propondo.

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais