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Crítica | Orange is the New Black – 1ª Temporada

por Ritter Fan
19 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 3,5

Mais uma série produzida pelo canal de streaming Netflix, Orange is the New Black, baseada em um livro de memórias de mesmo nome escrito por Piper Kerman, é uma refrescante visão de “drama de prisão” sob o ponto de vista feminino. Composta de 13 episódios, cada um com duração que varia entre 51 e 60 minutos, a série mistura fortes pitadas de comédia com personagens cativantes.

Sem perder muito tempo, a série já estabelece a situação: Piper Chapman (Taylor Schilling), uma jovem loira de classe média alta é condenada a 15 meses de prisão por tráfico de drogas. O crime fora cometido há 10 anos, mas a condenação vem mesmo assim e, nos momentos iniciais, a série se esmera em mostrar a vida de conforto de sua protagonista com seu noivo Larry (Jaso Biggs da série American Pie) que a apoia em absolutamente tudo. Piper está juntando suas forças para se entregar voluntariamente ao encarceramento em um presídio feminino de segurança mínima.

Mas é evidente que, por mais preparado que alguém possa estar, o choque com a vida prisional é inevitável. Piper é a loirinha bonitinha e inocente que está perdida no meio de prisioneiras veteranas. Sua vidinha de luxo acaba como que por um passe de mágica e seu inferno começa. Sem entender as regras de convívio em uma prisão (que marinheiro de primeira viagem efetivamente entende, não é mesmo?), Piper logo cria antagonismo com a chefe de cozinha Red (uma russa ruiva vivida por Kate Mulgrew) e literalmente passa fome até que consegue, a duras penas, dar a volta por cima.

Na medida em que vai aprendendo como se comportar em ambiente tão diverso, ela cria amizades e inimizades com diferentes personagens, cada uma mais interessante que o outro (bom, pelo menos para nós, espectadores). Piper é obrigada a amadurecer rapidamente, a pensar com rapidez e a lidar com pessoas que nunca fizeram parte de seu restrito universo.

Mas não se enganem se o espectador espera uma série padrão sobre “prisão”. Não estamos falando de Prison Break nem de qualquer tipo de filme semelhante. A prisão para onde Piper vai funciona muito bem como um artifício da narrativa – por mais que a série seja baseada em fatos – para um estudo de personagens. Sim, é bem verdade que vários, se não todos, são personagens caricatos ou que caminham fortemente para esse lado, mas, cada um a sua maneira representa uma categoria de pessoas cujo tratamento aberto dado por Jenji Kohan, criadora de Weeds e de Orange – sem filtros ou embelezamentos – engaja o público.

Temos a já citada Red que, como se pode deduzir muito facilmente, tem relação com a máfia russa. Temos Pennsatucky (Taryn Manning), uma carola viciada em drogas; Crazy Eyes (Uso Aduba), uma louquinha que desenvolve uma fixação por Piper; Nicky Nichols (Natasha Lyonne), uma ex-viciada em drogas com bastante experiência de vida e que tem a proteção de Red; Sophia (Laverne Cox), um homem que passou por uma operação de mudança completa de sexo e é, agora, a cabeleireira da prisão; Daya (Dascha Polanco), uma latina que desenvolve uma relação amorosa secreta com John Bennett (Matt McGorry), um dos agentes correcionais; Irmã Ingalls (Beth Fowler), uma freira que foi presa por seu ativismo contra uso de energia nuclear; Poussey Washington (Samira Wiley), jovem que vive em um entra e sai de prisão e que tem possibilidade de sair mais uma vez; Big Boo (Lea DeLaria), uma lésbica dominadora que já teve diversas esposas na prisão e mais um sem-número de personagens cativantes.

Chega um ponto – e aí talvez seja meu maior “problema” com a série – que ela deixa de ser sobre Piper e sua ex-amante (Alex Vause, vivida por Laura Prepon) e responsável por ela estar na prisão – e que cumpre pena, coincidentemente, no mesmo local que Piper – e passa a ser difusamente sobre todas as prisioneiras e suas inter-relações dentro e fora da prisão, sendo que o “fora da prisão” nos é mostrado por intermédio de flashbacks. Piper se transforma na “loirinha sem graça” que é mero fio condutor para a narrativa.

Acontece que esse meu “problema” com a série, e daí vêm minhas aspas, seja justamente sua maior qualidade. O investimento de Jenji Kohan em desenvolver um grande número de coadjuvantes é corajoso e, de certa forma, inédito. E, durante toda essa primeira temporada, o artifício dos flashbacks é usado comedidamente, por relativamente poucos minutos, sem que a narrativa no presente perca com isso.

O Netflix caminha por um mar de possibilidades e Orange is the New Black pode não ser sua melhor série exclusiva até agora, mas ela definitivamente agradará em cheio àqueles que procuram uma comédia “séria” que faz pensar e que nos dá uma visão diferente do que costumamos imaginar quando a expressão “filme de prisão” é usada para classificar alguma coisa. Resta saber se, com as modificações vindouras para a Segunda Temporada – Laura Prepon já anunciou sua saída como personagem regular – a qualidade se manterá.

Orange is the New Black – 1ª Temporada (EUA, 2013)
Showrunner: Jenj Kohan
Direção: Vários
Roteiro: Vários
Elenco: Taylor Schilling, Jason Biggs, Kate Mulgrew, Taryn Manning, Natasha Lyonne, Uzo Aduba, Laverne Cox, Dascha Polanco, Matt McGorry, Beth Fowler, Samira Wiley, Lea DeLaria, Laura Prepon, Pablo Schreiber
Duração: 715 min. (aprox.)

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