Crítica | Os Ambiciosos Insaciáveis (Paranoia)

Os Ambiciosos Insaciáveis (1970) PLANO CRITICO PARANOIA

Parte final de uma trilogia informal composta por O Louco Desejo (1969) e Tão Doce Quanto Perversa (1969), Os Ambiciosos Insaciáveis (Paranoia, no original) teve sua estreia italiana em circuito aberto no dia 17 de março de 1970, na cidade de Turim. Com Carroll Baker no elenco e, desta vez, com Jean Sorel fazendo o seu par romântico, este filme de Umberto Lenzi se mostra um giallo bastante diferente, se comparado aos seus pares do gênero… mas segue a linha adotada pelo diretor, de priorizar emoções, relações interpessoais e um mistério ou intriga que acaba sendo maior que a trilha de sangue e mortes que normalmente esperamos nesses filmes.

Este aspecto contribui de alguma forma para um desequilíbrio dramático da fita, uma vez que o roteiro sobrepõe aqui e ali o crime e sua investigação às intrigas mais ou menos mundanas que se desenrolam na obra, inclusive alterando alguns caminhos que o próprio enredo sugere no início, especialmente quando falamos da personagem de Carroll Baker, uma mulher que passou por um traumático divórcio, tentou matar o ex-marido e entrou para o mundo das corridas. Essa independência da personagem desaparece ainda no começo do primeiro ato e dá lugar à postura de uma dondoca conspiradora e facilmente simpática ao luxo que a “nova vida” do marido (e sua atual esposa) podem lhe trazer. Ou trazer novamente, já que estamos falando de alguém que perdeu parte do capital que tinha, fruto de um casamento ‘vampírico’.

A quebra dessa primeira má impressão vem para salvar o espectador do tédio e do mar de clichês. Mesmo com sobreposições de intenções do texto, o espectador passa a se interessar pela possibilidade do crime, pelo planejamento quase infantil e principalmente pela reviravolta na execução. Existe uma certa atmosfera diabolikiana que muda constantemente o nosso ponto de vista e confunde (de maneira positiva) os suspeitos e a verdadeira intenção dos personagens, adotando a estratégia de “perdas e ganhos” até o final, após uma jornada de atribuição de culpa, investigação cheia de percalços e uma revelação do que está por trás de tudo isso. Uma revelação ao mesmo tempo interessante e frustrante.

Interessante, porque é sempre bom acompanhar um mistério se erguer sem que a gente consiga desvendá-lo, e melhor ainda, se a sua revelação é feita de modo inteligente. Mas no presente caso a história frustra a boa realidade das coisas quando cede ao clichê moral que imediatamente mina (praticamente toda) a força do final. Mesmo com uma bela direção de arte, o longa não traz o garboso capricho dos gialli mais corajosos — especialmente nos anos 1970 –, nem na direção, nem na fotografia (à exceção da cena no baile). Quem sai um pouco mais da caixa ao longo do trajeto é a montagem, a partir do segundo ato, ressaltando cenas mais interessantes através do ponto de vista perturbado da protagonista. Uma jogada de gato e rato que reafirma a ideia de que não existe crime perfeito. Ou será que existe?

Os Ambiciosos Insaciáveis (Paranoia) — Itália, França, Espanha, 1970
Direção: Umberto Lenzi
Roteiro: Marcello Coscia, Bruno Di Geronimo, Rafael Romero Marchent, Marie Claire Solleville
Elenco: Carroll Baker, Jean Sorel, Luis Dávila, Alberto Dalbés, Marina Coffa, Anna Proclemer, Hugo Blanco, Lisa Halvorsen, Manuel Díaz Velasco, Jacques Stany, Rossana Rovere, Calisto Calisti, Alfonso de la Vega, Miguel Beltrán, Gaspar Forteza, Francesco Narducci
Duração: 94 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.