Crítica | Os Assassinos (1946)

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Lançado em 1946, Os Assassinosfilme dirigido por Robert Siodmak, que trouxe a estreia de Burt Lancaster no cinema, pega a premissa básica do conto homônimo de Ernest Hemingway sobre dois assassinos que chegam em uma pequena cidade para matar um homem que aceita silenciosamente a morte, e a transforma em uma típica narrativa Noir, ao explorar o que levou esse homem a tal situação.

A trama escrita a seis mãos por Anthony Veiller, Richard Brooks e John Huston, tem início com o assassinato do Sueco (Burt Lancaster) por dois pistoleiros, o que choca a pequena cidade aonde a vítima morava há um ano. Como o Sueco havia feito um pequeno seguro de vida no nome de uma arrumadeira de um hotel de Atlantic City, a seguradora envia um detetive, Jim Reardon (Edmond O’Brien) para investigar o caso. A investigação leva Jim a descobrir sobre o envolvimento do Sueco em um grande assalto, e o papel da bela e misteriosa Kitty Collins (Ava Gardner) em todo o esquema.

Os Assassinos é um filme que, mesmo usando diversos elementos típicos da narrativa Noir, como o homem caído em desgraça, o detetive cínico e moralmente ambíguo e a Femme Fatale, parte de um ponto de partida incomum para chegar nestes elementos. A sequência de abertura apresenta um ótimo crescendo de tensão, ao mostrar a chegada de dois pistoleiros em uma lanchonete da pequena cidade onde o personagem de Lancaster se refugiou, que lentamente intimidam os presentes até revelarem as suas verdadeiras intenções. Esses quinze minutos iniciais habilmente conduzidos por Siodmak conseguem construir uma atmosfera sufocante com muito pouco, ao mesmo tempo em que deixa o público intrigado sobre o motivo que levou o Sueco a desistir tão fácil da própria vida.

Passando essa sequência de abertura, a narrativa, através das investigações do detetive Jim Reardon, vai nos revelando a história do Sueco de forma quase não linear, por meio de Flashbacks narrados por pessoas que o detetive vai entrevistando — um recurso interessante, mas que se torna um pouco cansativo depois de um certo tempo. Além disso, o roteiro passa a apresentar uma certa carência de foco narrativo, não sabendo se deve se concentrar na derrocada do Sueco ou na busca de Reardon para recuperar o dinheiro roubado.

Se o roteiro e a montagem tem certos problemas em manter o dinamismo da estrutura de entrevistas escolhidas, ele é competente em estabelecer a dinâmica entre os seus personagens, como a amizade entre o protagonista e seu colega de cela (Vince Barnett), a devoção do mesmo em relação a Kitty, e a intrigante conexão da garota com o líder dos assaltantes, o esperto Big Jim Colfax (Albert Dekker). O elenco também compreende muito bem os seus personagens, com Lancaster entregando um sueco emocionalmente frágil, sendo assim facilmente manipulável, e Gardner retratando Kitty como uma mulher plenamente consciente do poder que a sua beleza exerce sobre os homens.

Mas os grandes méritos do longa-metragem estão mesmo na direção de Siodmak, que eleva o roteiro que recebeu, e a direção de fotografia de Elwood Bredell. Siodmak mostra um grande domínio sobre a sua Mise én scène e decupagem, vide a citada sequência de abertura, com a dupla de assassinos na lanchonete; ou o momento da primeira reunião da gangue de Big Jim, ao estabelecer o poder de Kitty sobre o Sueco, colocando a moça deitada de forma sedutora em uma cama e contrapondo com o nervosismo que isso provoca no Sueco. A fotografia de Bredell, que se vale de um jogo de sombras longas e luz dura, que bebe da fonte do expressionismo alemão e casa de forma perfeita com a atmosfera Noir perseguida por Siodmak.

Entende-se por que Os Assassinos se tornou um dos grandes clássicos Noir de Hollywood, já que o estilo visual do diretor, somado as interpretações de Burt Lancaster e Ava Gardner, que personificam o homem caído em desgraça e a Femme Fatale sem soarem caricatos, são as ambições de qualquer obra do subgênero. Ainda assim, a estrutura narrativa um pouco cansativa e uma certa falta de foco dramático na segunda metade tiram um pouco da qualidade da experiência.

Os Assassinos (The Killers)- Estados Unidos, 1946
Direção: Robert Siodmak
Roteiro: Anthony Veiller, Richard Brooks, John Huston (Baseado em conto de Ernest Hemingway)
Elenco: Burt Lancaster, Ava Gardner, Edmond O’Brien, Albert Dekker, Sam Levene, Vince Barnett, Virginia Christine, Charles D. Brown, Jack Lambert, Donald MacBride, Charles McGraw, William Conrad, Phil Brown, Jeff Corey, John Berkes, Gino Corrado, Howard Freeman, Frank McClure, Charles Middleton, Queenie Smith.
Duração: 103 min.

RAFAEL LIMA . . . Sou Um Time Lord renegado, ex-morador de Castle Rock. Deixei a cidade após a chegada de Leland Gaunt. Passei algum tempo como biógrafo da Srta. Sidney Prescott, função que abandonei após me custar algumas regenerações. Enquanto procurava os manuscritos perdidos do Dr. John Watson, fiz o curso de boas maneiras do Dr. Hannibal Lecter, que me ensinou sobre a importância de ser gentil, e os perigos de ser rude. Com minha TARDIS, fui ao Velho Oeste jogar cartas com um Homem Sem Nome, e estive nos anos 40, onde fui convidado para o casamento da filha de Don Corleone. Ao tentar descobrir os segredos da CTU, fui internado no Asilo Arkham, onde conheci Norman Bates. Felizmente o Sr. Matt Murdock me tirou de lá. Em minhas viagens, me apaixonei pela literatura, cinema e séries de TV da Terra, o que acabou me rendendo um impulso incontrolável de expor e ouvir ideias sobre meus conteúdos favoritos.