Home Colunas Crítica | Os Caça-Fantasmas – 1X01: Ghosts R Us

Crítica | Os Caça-Fantasmas – 1X01: Ghosts R Us

Quem você vai chamar?

por Ritter Fan
474 views (a partir de agosto de 2020)

Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.

Número de temporadas: 07
Número de episódios: 140 + 13 (no total 33 segmentos) de Slimer!
Período de exibição: 13 de setembro de 1986 a 05 de outubro de 1991
Há continuação ou reboot?: Foi sucedida por Os Novos Caça-Fantasmas, que teve uma temporada e 40 episódios que foram ao ar entre 1º de setembro e 08 de dezembro de 1997

XXXXXXXXXX

Apesar de eu não ser o maior fã de Os Caça-Fantasmas, sou o primeiro a reconhecer a impressionante capacidade de penetração na cultura pop que o longa de 1984 teve, permanecendo firme no imaginário popular desde seu lançamento até os dias de hoje. Seguido por uma fraquíssima continuação tardia que ninguém sequer se lembra que existe e por um semi-reboot que troca os gêneros dos protagonistas, em 2016, além de uma abordagem de “nova geração” em 2021, a franquia sobreviveu mesmo pela força do primeiro filme e, também, por uma incrivelmente longeva série animada de TV que começou a ir ao ar em 1986, antes do segundo longa, portanto, e, que depois de sete temporadas e 140 episódios principais (descontando a série paralela do Geleia), foi encerrada, deixando muitos fãs saudosos.

The Real Ghostbusters – a adição do “The Real” foi resultado de uma briga judicial com a Filmation que tinha uma animação que se chamava Ghost Busters, assim mesmo, separado, baseada em uma série live-action homônima dos anos 70 – é uma aposta acertada e segue a estrutura básica da “assombração da semana”, sem inventar muita coisa. Os protagonistas são os mesmos do filme, ou seja, a quadra de caçadores de fantasmas Peter Venkman (Lorenzo Music), Egon Spengler (Maurice LaMarche),  Ray Stantz (Frank Welker) e Winston Zeddemore (Arsenio Hall), o fantasma verde e gosmento Geleia e a assistente Janine Melnitz (Laura Summer), a ambientação é a mesma do filme, ou seja Nova York, com eles trabalhando a partir de um antigo prédio do Corpo de Bombeiros completamente modificado e, claro, com os mesmos gadgets do filme, como as traquitanas para capturar os fantasmas, os uniformes e, claro, o icônico rabecão branco Ecto-1, além de alguns outros, como o Ecto-2 (uma espécie de ultraleve). Em outras palavras, para as crianças e jovens da época que queria mais de seus heróis paspalhos, a animação seguiu exatamente a mesma receita vitoriosa.

O primeiro episódio, Ghosts R Us, é curioso por ter um roteiro que insere a pendenga judicial com a Filmation na história, já que uma família de fantasmas capturada pelos nossos heróis foge da prisão ectoplásmica do quartel-general deles graças à gulodice do Geleia e parte para criar um serviço fraudulento concorrente batizado com o nome do episódio – e que também é uma brincadeira com a famosa rede americana de lojas de brinquedos Toy “R” Us -, para desmoralizar o grupo, o que faz com que Janine, quando recebe ligações de potenciais clientes, reitere que eles são “os verdadeiros” Caça-Fantasmas. Essa jogada inteligente, porém, não reverbera na história em si, que nada mais é do que um “copia e cola” bem mais simplificado do primeiro filme, com uma estrutura de fantasmas menos perigosos abrindo espaço para uma mega-assombração que toma a forma física de algo. No lugar de um gigantesco boneco de marshmallow, temos uma “pilha de brinquedos” enormes como um Transformers atacando a cidade.

Tudo acontece muito rapidamente, com Geleia sempre na berlinda, já que Venkman quer mais é eliminá-lo, até que, claro, ele, ao final, prova seu valor. A ação é caótica, mas simpática e a arte é caricatural, inclusive no que se refere aos humanos. Não é exatamente bonita, mas é fácil de se acostumar, com a vantagem – que alguns podem ver como desvantagem – de cada personagem icônico ter sua versão própria na animação, sem que o departamento de arte tenha procurado seguir os traços do elenco original. Até mesmo as vozes não procuram imitar as clássicas, o que empresta ao desenho características próprias e inconfundíveis, ainda que, ao mesmo tempo, muito familiares.

Ghosts R Us, muito corretamente, não se preocupa com introduções e parte da acertada premissa de que todo mundo já conhece os Caça-Fantasmas, o que permite que o ritmo seja constante e imparável até os segundos finais. Não é, porém, um episódio capaz de atrair mais do que crianças pequenas – e eu sei que essa nem era a intenção, mas é sempre bacana quando uma produção para crianças oferece algo mais, digamos assim – ou pais exasperados que são tragados por seus filhos para a frente da TV. Um episódio que diverte de maneira bem rasinha e bobinha, mas que sem dúvida marcou uma geração.

Os Caça-Fantasmas – 1X01: Ghosts R Us (The Real Ghostbusters – EUA, 13 de setembro de 1986)
Direção: Richard Raynis
Roteiro: Len Janson, Chuck Menville
Elenco: Lorenzo Music, Maurice LaMarche, Frank Welker, Arsenio Hall, Laura Summer
Duração: 24 min.

Você Também pode curtir

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais