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Crítica | Os Caçadores da Arca Perdida (Marvel Comics)

por Ritter Fan
375 views (a partir de agosto de 2020)

Muita gente se esquece, pois a Marvel Comics, já há algumas décadas, é monolítica, essencialmente só publicando material próprio, mas a editora foi uma das grandes pioneiras em adaptações em quadrinhos de obra cinematográficas, tendo sido responsável, por exemplo, por Star Wars, com uma publicação mensal, após a adaptação do primeiro longa, que foi o começo do chamado Universo Expandido. Com isso, a partir de 1977, houve uma intensificação dos longas que ganharam versões em quadrinhos pela editora, com a revista Marvel Comics Super Special, em formato grande, sendo um desses veículos, com adaptações de Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Tubarão 2 e Jornada nas Estrelas: O Filme, somente para citar algumas que antecederam o lançamento de Os Caçadores da Arca Perdida no mesmo mês da estreia do famoso filme de Steven Spielberg nos EUA.

Como acontecia em alguns casos de mais hype, a adaptação de Caçadores foi primeiro publicada na referida revista como uma história só, com uma republicação, em três edições no formato padrão americano, não muito tempo depois. Em 1983, com o sucesso da empreitada e principalmente com excelente recepção de seu Universo Expandido de Star Wars, a editora iniciou uma série mensal batizada de The Further Adventures of Indiana Jones, que foi publicada até 1986, contando com 34 edições, um dos únicos casos nessa era de ouro das adaptações cinematográficas em quadrinhos que recebeu essa abordagem expansiva, hoje tão comum.

Retornando à adaptação do longa, o trabalho de transformar o roteiro de Lawrence Kasdan em linguagem de quadrinhos ficou por conta de ninguém menos do que Walt Simonson, que merece comenda por ter conseguido enxugar o material para que ele coubesse em pouco menos de 70 páginas de quadrinhos sem que perdesse sua essência. No entanto, diferente do trabalho da Marvel com a adaptação de Uma Nova Esperança, que acabou tendo bem mais espaço de manobra pelas circunstâncias da empreitada, resultando em uma obra que facilmente se sustentava sobre suas próprias pernas, Simonson ficou, provavelmente por determinação da Lucasfilm, muito preso ao material fonte. Sua competência para fazer a transposição é inegável, mas, para manter-se dentro dos ditames editoriais, ele precisou retirar um pouco dos momentos que criam todo o charme ao redor do arqueólogo mais famoso do cinema. Com isso, além da fidelidade exacerbada ao material fonte, foram extirpadas da adaptação sequências antológicas como as do final da fuga da floresta no Peru, toda a subtrama do macaquinho no Cairo, a luta de Indy contra o grandalhão nazista ao redor do avião e a dolorosa cena do espelho no navio.

O resultado ainda é uma leitura agradável, não tenham dúvida, mas um pouco desalmada, por assim dizer, seguindo uma cartilha que não permite desvios, quase que em uma linha de produção burocrática. Nem mesmo a arte, aqui um combo dos gigantes John Buscema nos lápis e Klaus Janson nas tintas, consegue destacar a obra para além de uma transposição direta do material fonte para a Nona Arte, com uma estrutura de seis ou sete pequenos quadros por página que diminuem consideravelmente a grandiosidade da aventura de Indiana Jones e Marion Ravenwood, mesmo que, uma vez ou outra, sejamos premiados com algumas raras páginas inteiras com um quadro só. Não ajuda que a quantidade de diálogos e de narração seja talvez grande demais para o tamanho acanhado da publicação, forçando que Rick Parker faça malabarismos nas páginas para poder inserir o que precisava ser inserido, muitas vezes detraindo da fluidez, ainda que não tanto quanto no caso da adaptação de Blade Runner, que seria publicada um ano depois.

A versão em quadrinhos de Os Caçadores da Arca Perdida é muito mais uma curiosidade do que algo realmente valioso para os fãs da franquia protagonizada por Indiana Jones. A leitura é rápida e por vezes divertida, mas a falta de liberdade da equipe criativa aliada à necessidade de se converter um longa de quase duas horas em meras 70 páginas torna a experiência um tanto quanto decepcionante. Dr. Jones definitivamente merecia mais do que apenas algo que muito claramente foi feito na correria apenas para aproveitar o grande lançamento nos cinemas americanos.

Os Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark – EUA, 1981)
Contendo: Marvel Comics Super Special Magazine #18, Raiders of the Lost Ark #1 a 3
Roteiro: Walt Simonson (baseado em roteiro cinematográfico de Lawrence Kasdan)
Arte: John Buscema
Arte-final: Klaus Janson
Letras: Rick Parker
Cores: Michele Wolfman
Editoria: Archie Goodwin, Jo Duffy, James Shooter
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: junho de 1981 (Marvel Comics Super Special Magazine), setembro a novembro de 1981
Páginas: 69

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