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Crítica | Os Goonies

por Ritter Fan
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Adeus, Willy. Obrigado.
– Mikey

Quando escrevi a crítica de Os Caçadores da Arca Perdida, afirmei, sem medo de errar, que o primeiro capítulo das aventuras de Indiana Jones é o Filme de Aventura por excelência, algo que continuo acreditando piamente. No entanto, Os Goonies merece uma colocação nem que seja subsidiária nessa classificação pessoal, talvez como o Filme de Aventura Infantil por excelência ou, talvez, até, o Filme sobre Amizade por excelência. A combinação da direção de Richard Donner, colocando nas telonas um roteiro de Chris Columbus com base em história concebida por Steven Spielberg, que também atuou como produtor executivo da obra, contando com um elenco infantil e adolescente que funciona como um relógio suíço diante das câmeras é uma daquelas raras combinações astrais que culmina em um filme atemporal e universal que se mantem pertinente, atual e adorado geração após geração.

Capturando uma atmosfera extremamente agradável de união, fraternidade e de jovens que estão ainda descobrindo as maravilhas da vida, o roteiro de Columbus lida com a descoberta de um mapa do tesouro no sótão da casa do asmático Mikey (Sean Astin em seu primeiro papel no cinema) que levaria ao tesouro do pirata One-Eyed Willy (ou Willy Caolho, em português), talvez a última esperança do jovem de evitar que sua casa e a de seus amigos e vizinhos sejam retomadas pelo banco. Reunindo o falastrão Mouth/Bocão (Corey Feldman, no ano seguinte de sua participação em Gremlins e no anterior a Conta Comigo, o outro grande filme sobre amizade infantil), o inventivo Data/Dado (Ke Huy Quan/Jonathan Ke Quan, o Short Round de Indiana Jones e o Templo da Perdição e quem deveria ter sido o verdadeiro herdeiro do arqueólogo) e o atrapalhado e comilão Chunk/Gordo (Jeff Cohen em seu único papel no cinema), que juntos se autodenominam Os Goonies, Mikey sai para caçar o tesouro sendo hesitantemente seguido por seu irmão mais velho Brand (Josh Brolin em seu primeiro papel), a namorada dele Andy (Kerri Green) e a melhor amiga de Andy, Stef (Martha Plimpton) em uma aventura adorável.

Como vilões, além do banco que quer de volta a casa dos Goonies e o esconderijo do pirata repleto de armadilhas mortais, há a família de bandidos Fratelli, composta pela sinistra matriarca Mama Fratelli (Anne Ramsey) e seus filhos Jake (Robert Davi), Francis (Joe Pantoliano) e Sloth (John Matuszak), este último com deformações no corpo e problemas mentais, mas que estabelece uma linda conexão especialmente com Gordo, depois que o hilário susto inicial passa. Apesar da relativamente grande quantidade de personagens, todos são muito bem apresentados e muito bem caracterizados, ainda que naquele estilo arquetípico que se espera de produções assim e que, muito sinceramente, fazem parte do jogo e que funcionam mesmo em razão do carisma do elenco e da capacidade de Donner de extrair o máximo de cada um, especialmente o maravilhamento infantil dos quatro Goonies.

Para além de um elenco perfeito, que contribui com inesquecíveis momentos cômicos e de tensão, a produção é caprichada, com efeitos práticos de se tirar o chapéu, cenários detalhados que contaram até mesmo com uma réplica em tamanho real de um navio pirata (e que só foi revelada ao elenco na hora da filmagem para que as câmeras capturassem a surpresa genuína de cada criança) e um trabalho soberbo de maquiagem para criar Sloth, um “monstro” de enorme coração que consegue assustar e até criar um pouco de repugnância no começo, para imediatamente tornar-se um ícone inseparável dos demais. Tudo isso, ajudado pela fotografia quente de Nick McLean e embalado pela muitas vezes esquecida ótima trilha sonora de Dave Grusin reforçada por “The Goonies ‘R’ Good Enough”,  hino de Cindy Lauper, funciona para emprestar o realismo necessário para que o espectador consiga mergulhar profundamente na história e só sair de lá quando, de repente, os créditos finais começam a rolar, em uma daquelas experiências cinematográficas com a mágica de Spielberg que simplesmente não tem preço.

Durante a nova conferida no filme e redação da presente crítica, vesti a boina e cachecol de crítico chato que sempre tento ser, e imbui-me da tarefa de achar problemas significativos na produção. Eles talvez existam e talvez, aqui e ali, incomodem alguns espectadores, mas devo ser sincero em dizer que Os Goonies é como se fosse um template de tudo o que é bom, gostoso e alegre que a vida pode oferecer na forma de uma obra cinematográfica que sabe clicar em todos os botões corretos e fazer com que representantes de todas as idades e demografias consigam a apreciar suas mensagens e seu puro joie de vivre. Portanto, que se danem eventuais defeitos. Eles de forma alguma retiram um segundo sequer da qualidade dessa delícia audiovisual.

Dessa maneira, sim, é sem dúvida justo afirmar que Os Goonies merece ser apreciado e adorado por gerações atrás de gerações em busca de sorrisos nos rostos, de lágrimas de alegria nos olhos, de esperança no coração e, para os mais velhos, daquela fugidia criança interior. Goonies never say die!

Os Goonies (The Goonies, EUA – 1985)
Direção: Richard Donner
Roteiro: Chris Columbus (baseado em história de Steven Spielberg)
Elenco: Sean Astin, Josh Brolin, Jeff Cohen, Corey Feldman, Kerri Green, Martha Plimpton, Ke Huy Quan (como Jonathan Ke Quan), John Matuszak, Robert Davi, Joe Pantoliano, Anne Ramsey, Lupe Ontiveros, Mary Ellen Trainor, Keith Walker, Curt Hanson (como Curtis Hanson)
Duração: 114 min.

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