Crítica | Os Homens de Preto (The Men in Black)

Pouca gente sabe ou se lembra, mas a franquia cinematográfica MIB – Homens de Preto é baseada em quadrinhos que, hoje em dia, são propriedade da Marvel Comics. Originalmente publicados pela Aircel Comics, a criação de Lowell Cunningham ganhou uma minissérie de apenas três edições em 1990 e, depois que a editora foi adquirida pela Malibu Comics, mais outra no ano seguinte. Em 1994, a Marvel comprou a Malibu e, com o filme na agulha, um prelúdio, uma continuação e uma adaptação do filme original foram lançados. Mas, depois disso, não teve mais nada. A propriedade nunca mais viu a luz do dia nos quadrinhos e talvez por isso ela seja razoavelmente desconhecida.

Seja como for, Os Homens de Preto é muito claramente um fruto de sua década, os famigerados anos 90 em que os exageros narrativos tomaram a indústria dos quadrinhos de assalto, contaminando praticamente todas as publicações de mainstream a indie nos EUA. A história é a versão séria do que os filmes nos mostram: o agente veterano Kay (ou K), da misteriosa organização Homens de Preto recruta o novato Jay (ou J) para as mais diversas missões que, aqui, vão além de alienígenas, começando com uma guerra em torno de uma nova droga, passando para os obrigatórios alienígenas (e insetoides como o vilão do primeiro longa) e chegando, na terceira edição, a um demônio que vive dentro de um dado de 12 lados de um jogo de RPG. São histórias consideravelmente soltas e auto-contidas em cada uma das três edições, mas que carregam em comum a temática do relacionamento complicado entre os dois agentes, com o primeiro sendo o grosseirão de sempre e o segundo tentando conciliar todo esse novo universo que é aberto para ele.

São histórias simples e objetivas que existem para permitir diversão descompromissada pelo leitor, sem qualquer esforço intelectual, sem nenhuma tentativa de se fazer comentários sócio-políticos relevantes. Em outras palavras, é o equivalente em quadrinhos dos blockbusters hollywoodianos descerebrados e não há nada de essencialmente errado nisso se esse tipo de obra não for a única consumida. E Cunningham não enrola, escrevendo seus personagens de maneira muito básica, mas conseguindo criar aquela boa e velha dinâmica de buddy cop com abismo de gerações que diverte o leitor a cada página pelo simples choque entre suas respectivas atitudes. Kay não tem papas na língua e fala o que quer sem se preocupar com o politicamente correto ou com as pessoas ao seu redor enquanto que Jay tenta ser humano e conciliador, mas nem sempre conseguindo.

A arte em preto e branco ficou ao encargo de Sandy Carruthers que trabalha traços caricaturais, exagerando nas feições dos agentes e nas sequências de ação, mas sem deixar de pautar-se pelo máximo de realismo dadas as circunstâncias. Suas criaturas não são lá terrivelmente originais, mas elas cumprem o recado de maneira satisfatória. Incomoda-me, porém, as proporções corporais por ela empregadas especialmente nos agentes K e J, que sempre parecem ter cabeças proporcionalmente maiores do que seus corpos, dando aquela impressão que eles são aqueles bobble heads que os americanos tanto gostam de colecionar.

Os Homens de Preto é uma leitura rápida e fácil que divertirá na medida correspondente á proposta de Cunningham, mas nada mais do que isso. Assim como os aparelhos que apagam a memória que os agentes usam com muita constância, a minissérie será esquecida assim que a última página for virada.

Os Homens de Preto (The Men in Black, EUA – 1990
Contendo: The Man in Black #1 a 3
Roteiro: Lowell Cunningham
Arte: Sandy Carruthers
Letras: Diane Valentino
Capas: Max Fellwalker
Editoria: Chris Ulm
Editora original: Aircel Comics
Data original de publicação: janeiro a março de 1990
Páginas: 75

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.