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Crítica | Os Monstros – 1X01: Munster Masquerade

A segunda família monstruosa da TV.

por Ritter Fan
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Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.

Número de temporadas: 02
Número de episódios: 70
Período de exibição: 24 de setembro de 1964 a 12 de maio de 1966.
Há continuação ou reboot?: Sim. A série ganhou cinco telefilmes entre 1966 e 1996, além da série revival The Munsters Today, que teve três temporadas, 73 episódios e que foi ao ar entre 08 de outubro de 1988 e 25 de maio de 1991.

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É muito curioso – quase inédito – que um mesmo canal de televisão tenha levado ao ar, com uma diferença de apenas seis dias, duas sitcoms em preto e branco sobre uma típica família suburbana americana formada de monstros como uma crítica justamente a esse tipo de núcleo familiar televisivo e que tenham durado quase exatamente o mesmo tempo (64 x 70 episódios), com uma sendo encerrada pouco mais de um mês depois da outra. Mas esse é o inusitado caso de A Família Addams, que foi ao ar em 18 de setembro de 1964 e Os Monstros, que viu a luz do dia no dia 24 do mesmo mês e ano, sendo ambas transmitidas pela ABC e canceladas, respectivamente, em 08 de abril e 12 de maio de 1966. E o mais curioso e ainda mais estatisticamente improvável, já que a canibalização de ideias normalmente leva uma das obras ao esquecimento: as duas tiveram grande sucesso e as duas acabaram profundamente inseridas na cultura pop.

É talvez possível argumentar que A Família Addams é a que se tornou mais famosa ao longo das décadas, mas essa é uma discussão irrelevante, já que Os Monstros também foi e continua sendo muito querida no mundo, inclusive no Brasil, onde também foi transmitida com bastante destaque. O interessante da criação de Allan Burns e Chris Hayward é que ela acabou sendo produzida pela Universal e, em razão disso, beneficiou-se de licenças para o uso dos chamados Monstros da Universal, notadamente Drácula e o monstro de Frankenstein, que ganharam versões cômicas, mas bem próximas das caracterizações clássicas do estúdio, notadamente o patriarca Herman Munster, vivido como um delicioso bobão de bom coração por Fred Gwynne, que é quase um facsímile de Boris Karloff.

A estrutura narrativa é substancialmente parecida com a da irmão levemente mais velha A Família Addams, com Herman, casado com Lily (Yvonne De Carlo) vivendo em um mansão mal-assombrada com seu filho Eddie (Butch Patrick), um lobi-menino, o avô de Lily, chamado apenas de Vovô (Al Lewis), um vampiro que mora do porão e passa o tempo fazendo as mais diferentes experiências e com a sobrinha deles Marilyn (Beverley Owen, que seria substituída por Pat Priest a partir do 14º episódio) que é o verdadeiro diferencial da série, já que ela é uma adolescente “normal” e é considerada feia por todos os Munsters. É inclusive Marilyn – e seu namoro com Tom Daily (Linden Chiles) – que funciona com o estopim narrativo do episódio piloto, com o rapaz, sem conhecer a família da namorada, convidando todo mundo para uma festa à fantasia em sua casa.

Todo o humor gira ao redor justamente do choque entre os hábitos bizarros dos Munsters e dos humanos normais, com Marilyn completamente alheia ao fato de que ela vive com uma família incomum para dizer o mínimo, em uma mansão cheia de teias de aranha, atmosfera lúgubre e um corvo que não para de falar no lugar de um cuco no relógio. Aliás, a mansão construída no backlot da Universal que, décadas depois, por incrível que pareça, seria usada como uma das casas de Wisteria Lane em Desperate Housewives, é um primor da direção de arte, muito mais interessante que a da família concorrente. Igualmente, as próteses e maquiagem de Herman são incomparavelmente mais complexas que as de Tropeço, o mordomo dos Addams. Por outro lado, pelo menos aqui neste episódio inicial, já que é evidente que a série ganha desenvolvimento posteriormente, a família Munster é mais unidimensional, com cada personagem caracterizado por atitudes padrão que não mudam muito, algo bem diferente da atmosfera mais sensual entre o casal Addams ou mesmo a relação entre irmãos da outra família.

Seja como for, Munster Masquerade é puro divertimento descompromissado que é capaz de atravessar gerações sem perder a graça ou a relevância, assim como A Família Addams. Há uma energia contagiante nesses monstros sessentistas que é quase inexplicável e que cria quase que um vício por mais, o que provavelmente explica o sucesso absoluto das duas séries simultaneamente.

Os Monstros – 1X01: Munster Masquerade (The Munsters – EUA, 24 de setembro de 1964)
Criação: Allan Burns, Chris Hayward
Direção: Lawrence Dobkin
Roteiro: Joe Connelly, Bob Mosher
Elenco: Fred Gwynne, Yvonne De Carlo, Al Lewis, Butch Patrick, Beverley Owen, Mel Blanc, Mabel Albertson, Frank Wilcox Lurene Tuttle, Linden Chiles
Duração: 25 min.

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