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Crítica | Os Novos Filmes de Scooby-Doo – A Série Completa

por Iann Jeliel
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Leia, aqui, as críticas de todo nosso material de Scooby-Doo.

Após a famosa série clássica Cadê Você?, Scooby-Doo iria passar por uma fase gigantesca de crossovers, buscando dividir a fama com outros desenhos animados de sucesso à época, ou aproveitar figurinhas pouco conhecidas para as alavancar. No caso, a primeira dessas séries seria Os Novos Filmes de Scooby-Doo, onde os personagens iriam viver suas tradicionais aventuras perseguindo monstros assustadores, digo, pessoas mascaradas,  enquanto cruzam o caminho com alguma dessas celebridades, que por muitas vezes iria fornecer a estrutura de mistério. Essa que se mantém padronizada nos mesmos moldes anteriores, contudo diante de um maior descompromisso de apreço estético do poderio da imagem e som, por muitas vezes as reutilizando, porque o que importa mesmo é o entretenimento da interação referente.

Essa deslegitimação da fórmula tem um preço que se reverbera em muitas camadas da série. A principal é por parte da duração, os episódios dobrariam de tamanho e passariam a beirar os 40 minutos. Isso não é exatamente um problema em si, na verdade é a partir disso que poder-se-ia aproveitar para a maturação de investigações um tanto mais elaboradas e com um escopo mais grandioso que se uniria ao crossover. Entretanto, na prática não funcionava assim, como dito, o ar de descompromisso assumido na verdade simplificava os mistérios, bem como suas características secundárias. A motivação de início sempre pareou um passeio acidental para um lugar assombrado e a premissa de se levar a investigar um acontecimento estranho, aqui isso acontece, mas o acidental fica sempre direcionado a um mesmo motivo fútil, como a gasolina acabar ou a Máquina Mistério atolar, quebrar em alguma região e coincidentemente o participante estar por lá para ajudar.

Aquela montagem inicial de mostrar a ameaça previamente é abandonada, o que perde ainda mais o sentido quando em muitos episódios já explicita quem é o culpado, mais uma vez reforçando a pouca importância do mistério em si, mas como ele irá se comportar com a participação do crossover. Dentro de uma duração curta, seria justificável esse apreço, mas na longa duração, muitos capítulos se tornam inchados e a repetição da fórmula fica evidente. Especialmente pela reciclagem de monstros e efeitos de animação, era tudo “fantasma” e as variações são bem pouco criativas. Há exemplos de episódios ótimos, como aqueles do Scooby-Doo com o time de basquete Harlem Globetrotters, que literalmente traziam o design do Barba Vermelha de Cadê Você?, só que com traços menos robustos e pintados de branco, o que diminuía consideravelmente seu impacto pela questão do déjà-vu.

A série também era menos convidativa, a busca de pistas levava muitas vezes ao lugar apenas de descobrimento do que se tratava a ameaça, e não necessariamente à resolução de um suspeito e motivações, reveladas somente ao final na explicação para as autoridades – era legal ter o privilégio de desvendar junto. Contudo, nenhum desses problemas mencionados exatamente seguiam um padrão de execução, como diria o nome, cada capítulo correspondia a um filme próprio que se potencializava com os convidados. Então, quanto melhor o convidado, melhor o episódio. Se fosse para classificar em algum padrão, acredito que os melhores eram aqueles compartilhados com outros desenhos e personagens da cultura popular, pois se assumiam realmente mais fora da forma de mistério tradicional e se libertavam diante das possibilidades do universo próprio dos personagens especiais.

Além dos mencionados Harlem Globetrotters, tinham Batman e Robin, A Família Addams, Os Três Patetas, O Gordo e O Magro e outros desenhos bacanas já existentes da Hanna-Barbera como Josie e As Gatinhas (1970), Jeannie é um Gênio (1973) e Speed Buggy, só para mencionar alguns dos melhores. Inclusive, a do Batman ficou tão marcada no imaginário de Scooby-Doo que seus dois episódios originalmente foram distribuídos em separado por DVD em Scooby-Doo Encontra Batman, e de fato, são os dois melhores episódios da série, que além de contar com uma investigação própria criativa nos moldes de Cade Você?, a ilustre presença de Coringa e Pinguim como vilões deixava tudo mais divertido. E para não deixar de citar, algumas das participações mais marcantes de celebridades seriam Don Knotts, Jonathan Winters, Sandy Duncan, Tim Conway, Davy Jones e Jerry Reed, todos dublados pelos seus respectivos na vida real.

A série tinha duas temporadas, a primeira relativamente melhor por estar mais empolgada com as ferramentas participativas, embora destaque negativamente o piloto pelo estranhamento automático da mudança de direção, após ele, é mais costumeiro relevar os certos elementos deixados de lado e alguns erros mais comuns de continuidade no desenho pela decupagem mais simplista. É preciso reconhecer esse formato para aproveitá-lo na temporalidade, e independente disso, a essência personificada do quinteto da Mistério S.A está presente, e somente ela é suficiente para uma bela diversão.

Os Novos Filmes de Scooby-Doo (The New Scooby-Doo Movies – EUA, 1972-1973)
Criadores: Ken Spears, Joe Ruby
Direção: Joseph Barbera, William Hanna
Roteiro: Larz Bourne, Jameson Brewer Tom Dagenais, Ruth Brooks Flippen, Fred Freiberger, Willie Gilbert, Heywood Kling, Bill Lutz, Larry Markes, Norman Maurer, Jack Mendelsohn, Sidney Morse, Ray Parker, Gene Thompson, Paul West, Harry Winkler
Elenco (Dubladores Originais): Don Messick, Casey Kasem, Frank Welker, Heather North, Nicole Jaffe, John Stephenson, Daws Butler, Ted Knight, Mike Road
Elenco (Dubladores Brasileiros): Orlando Drummond, Mário Monjardim, Luís Manoel, Juraciara Diácovo, Nair Amorim, Waldir Fiori, Carlos Marques
Duração: duas temporadas, 24 episódios (1ª Temporada – 16 episódios / 2ª Temporada – 8 episódios), 42 minutos cada episódio

 

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