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Crítica | Ozark – 1ª Temporada

por Rafael W. Oliveira
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Assim como havia dito no início  da crítica de Gypsy, a Netflix  costuma resultar em efeitos, no mínimo, interessantes em suas produções de menor ambição, que não buscam exatamente o barulho de títulos como Sense8 ou Stranger Things. Tendo como exemplo as recentes (mas não exatamente populares) Glow e Gypsy, além da hoje popular Orange is the New Black que começou como uma produção tímida da gigante do streaming, nos encontramos diante do fato de que, quando há a liberdade criativa e o desprendimento do controle em entregar algo massificado para o público, a Netflix é capaz de acertar, e muito. Ozark chega para figurar entre estes acertos.

Criada por Bill Dubuque (roteirista de O Juiz e O Contador), nota-se a preferência do showrunner em abordar a corrupção interna e externa de personagens envoltos em situações-limite de extremo desespero, e aqui nos vemos diante de Marty Birde (Jason Bateman), um consultor financeiro cuja empresa serve de fachada ideal para os serviços de lavagem de dinheiro que Marty realiza para um cartel comandado pelo narcotraficante Del (Esai Morales). Após seu companheiro de firma tentar roubar de Del e acabar perdendo a vida por isso, Marty consegue salvar a própria ao prometer lavar muito mais dinheiro se puder se mudar com a família para o lago de Ozark, que atrai diversos turistas nos períodos de verão. Ao lado da esposa Wendy (Laura Linney), totalmente consciente de seu trabalho, e dos filhos Charlotte e Jonah (Sofia Hublitz e Skylar Gaertner), Marty chega em Ozark e não demora a perceber que, naquele lugar, sua vida não se tornará menos difícil.

Constantemente comparada a muitíssimo bem-sucedida Breaking Bad por retratar pessoas aparentemente de boa índole serem corrompidas pelo dinheiro, pela ambição e pelo poder, Ozark pode facilmente figurar entre os mais completos estudos da índole humana recentes para a TV, por mais que sua inventividade visual e intensidade narrativa passe longe da já mencionada Breaking Bad ou de Narcos, para citar exemplos. Há uma grande consciência de Dubuque e de seu time de roteiristas sobre o peso de seus personagens e seus desdobramentos ao longo dos dez episódios, de como elaborar as ações e reações corretas de acordo com a personalidade cada rosto. Não há pontas soltas em Ozark, e por mais que vez ou outra exista um sentimento de dispersão (afinal, para quê serviu o envolvimento da filha com aquele rapaz?), a narrativa segura o interesse ao trabalhar com eficácia a constante movimentação da história em um ambiente tão pequeno como o lago de Ozark, tão repleto de figuras misteriosas e corrompidas, o que não acalmará a vida de Marty e Wendy.

E seja pelo conflito de Marty devido a infidelidade no passado da esposa (a cena onde o personagem reproduz o vídeo que comprova o adultério é assustadora) ou pelo esforço de Wendy em superar seu arrependimento e manter sua família unida sem deixar de ser uma eterna cúmplice do marido, é na sustentação da relação entre Bateman e Linney que Ozark constrói seu alicerce, e de onde é gerado todos os surpreendentes desdobramentos da série. Graças à segurança de suas interpretações (ele, por sinal, bastante elogiado por ter se afastado completamente de sua costumeira veia cômica), Bateman e Linney funcionam seja dividindo as cenas, seja isoladamente em seus próprios conflitos, e em meio a esse roteiro consistente, o espetáculo faz uso deste alicerce familiar para cutucar as feridas norte-americanas acumuladas ao longo da construção e desconstrução do chamado “american dream”, injetando sutilmente certas doses de sarcasmo e ironias nessa descortinação do american way of life fora das cidades grandes.

E ainda que uma segunda temporada permaneça, por enquanto, improvável, esta primeira temporada de Ozark satisfaz prazerosamente o espectador com todo o jogo dúbio de seus entrelaces, seus personagens em constante tensão (a fotografia azulada ressalta a frieza emocional daquela realidade com tendência à violência) e raramente previsíveis, o que garante um entretenimento moralmente flexível, questionador e muitíssimo bem produzido. Mais um ponto para a Netflix.

PS: reparem, em cada início de episódio, nos símbolos que irão aparecer na tela e que irão dar uma pista dos rumos de cada capítulo. Aposta inteligente.

Ozark – 1ª Temporada — EUA, 2017
Showrunner: Bill Dubuque, Mark Williams
Direção: Jason Bateman, Andrew Bernstein, Ellen Kuras, Daniel Sackheim
Roteiro: Bill Dubuque, Paul Kolsby, Mark Williams, Martin Zimmerman, Whit Anderson, Ryan Farley, Alyson Feltes, Chris Mundy
Elenco: Jason Bateman, Laura Linney, Sofia Hublitz, Skylar Gaertner, Julia Garner, Jordana Spiro, Jason Butler Harner, Esai Morales, Peter Mullan
Duração: 10 episódios de aprox. 60 min.

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9 comentários

André Pereira 22 de setembro de 2019 - 11:54

a série é boa, os vilões são bons, como o casal traficante ,o velho do porão,e o casal principal, a mãe do dono da corretora marcou muito,vale a pena assistir

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Elton Miranda 29 de outubro de 2018 - 08:59

A série é boa, mas A familia dele é muito chata, chata mesmo, Fiquei feliz quando achei que eles iam sumir da série, Ma fiquei com raiva quando voltaram Haja personagens chatos

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Rodrigo 12 de setembro de 2018 - 10:40

Olá!!!Esperando ansiosamente pela critica da 2ª temporada!!Abraços

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Anônimo 7 de setembro de 2018 - 02:08
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Gerson Assis 4 de setembro de 2018 - 10:18

Adorei a série. Vou começar a ver a segunda temporada

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Alison Cordeiro 27 de agosto de 2017 - 16:25

A série incomoda demais com as situações-limite, o que é um ponto positivo por sempre manter a expectativa ativa. Boa sacada da Netflix. A cena da Charlotte com o rapaz entendi mais como uma tentativa de fuga e rebeldia da personagem, abalada por tudo o que vinha passando. A família como um cresceu ao longo da série, deixando de ser meros coadjuvantes para tomar parte na história.

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Kevin Kempner 22 de agosto de 2017 - 23:42

Boas atuações de Bateman e Linney. A série consegue construir muito bem a personalidade de seus personagens e se manter fiel à elas até o final (poderíamos facilmente ter visto um romance entre Martin Byrde e a dona da pousada Blue Cats, mas a série prefere mostrar um Martin abalado pela traição da esposa e focado em lavar 8 milhões para salvar sua família e a si mesmo). No fim, a série deixa muitas pontas soltas para uma nova temporada e realmente uma segunda temporada já foi confirmada. Ponto positivo para a Nertflix.

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Raoni De Lucia 9 de agosto de 2017 - 03:36

O primeiro episódio prende do início ao fim, e no decorrer da série ficamos na tensão de saber o que ainda falta acontecer. O que foi aquela cena do padre ao entrar com o filho no lago? Simplesmente mais um grande acerto da Netflix! Ótima crítica!

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Ark 1 de outubro de 2018 - 14:55

Essa cena do padre…meu Deus… Para que m é pai, acho que a emoção foi até mais intensa.

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