Crítica | Padre Sérgio (1918)

estrelas 3,5

Yakov Protazanov integra a primeira geração dos diretores russos. Inicialmente realizador de filmes para o czar, Protazanov adotaria a causa soviética e, como exemplo máximo dessa mudança de ideologia vemos o seu Aelita, a Rainha de Marte (1924), talvez o filme mais fraco de sua carreira, mas que deve ser valorizado como um documento histórico de ficção científica daquele período do cinema.

Todavia, Protazanov assinou filmes notáveis e importantes para a história do cinema russo, dentre eles, Padre Sérgio (1918), a primeira adaptação da obra homônima de Leon Tolstói. Em pouco mais de uma hora, vemos a fidelíssima adaptação do diretor – exceto uma ou duas passagens ao final do filme – da história do Príncipe Kossotski, que abdicaria de seu brilhante futuro para se tornar padre, o Padre Sérgio do título.

Não podemos nos esquecer que o filme traz o verniz característico de sua época histórica. Lançado um ano depois da Revolução Proletária (outubro de 1917), e no ano em que Lênin retira a Rússia da I Guerra Mundial, Padre Sérgio pode ser lido de diversas formas, seja como um louvor à personalidade política de Lênin e outros camaradas do Partido, que sacrificavam-se para o bem do povo – pelo menos em tese – ou como um lamento pessimista à realidade do país, sofrendo em Guerra Civil.

O filme traz muitas características incômodas do primeiro cinema, como por exemplo, o encavalamento dos planos ou os olhares enviesados dos atores para a câmera. À parte esses impasses, Padre Sérgio configura-se uma ótima adaptação literária, louvavelmente fiel ao original (não que isso seja uma obrigatoriedade no cinema, ou que seja critério essencial para uma boa adaptação literária, todavia, não podemos deixar de citar quando isso acontece) e com um final surpreendentemente pessimista (tal como no livro), algo não muito comum para um filme da época.

Padre Sérgio (Otets Sergiy, Rússia, 1918)
Direção: Yakov Protazanov
Roteiro: Alexandre Volkoff (baseado na obra de Leon Tolstói)
Elenco: Ivan Mozzhukhin, Olga Kondorova, V. Dzheneyeva, Vladimir Gajdarov, Nikolai Panov, Nathalie Lissenko, Iona Talanov, Vera Orlova, Pyotr Baksheyev, Polikarp Pavlov, Nicolas Rimsky
Duração: 75min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.