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Crítica | Scream: 1X01: Red Roses

por Luiz Santiago
92 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 3,5

__ Call 911!

__ Calling Pottery Barn.

Mexendo no formigueiro dos “clássicos de ontem”, a MTV resolveu arriscar um mergulho perigoso no universo de Pânico (1996), a icônica obra de Wes Craven. A série, criada pelo trio Jill E. Blotevogel, Jay Beattie, Dan Dworkin — produtores com um currículo interessante, com produções de séries razoáveis a muito boas como Moonlight, Harper’s Island: O Mistério da Ilha, Cold Case e Criminal Minds — gerou especulações, revoltas e celebrações entre fãs e haters, especialmente na comparação entre a série e os filmes da franquia cinematográfica, o primeiro e mais estúpido erro de quem quer achar algum motivo para detratar algo, tem preguiça de construir argumentos e opta pelo mais burro.

Scream pega emprestado os elementos originais do roteiro de Kevin Williamson, mas não pretende fazer um filme com isso. Estamos em outra mídia e com uma outra proposta. É mais ou menos a mistura conceitual/dramática de Teen Wolf + Harper’s Island + Twin Peaks – QI – bom desenvolvimento de personagens + Pânico. Para um produto da MTV e com o roteiro o mais popular possível, o resultado desse episódio piloto é surpreendentemente positivo. E que chorem as viúvas descabeladas de 1996. Red Roses não é um episódio redondo e possui uma quantidade grande de erros, mas tem excelentes momentos e, pelo sim pelo não, é bastante divertido.

Começamos aqui com lembranças da personagem de Drew Barrymore em Pânico. Como é a sequência de abertura, fica clara a intenção do diretor Jamie Travis em emular o passado e, a partir daí, começar a andar para algum lugar que não sabemos ainda. Os clichês de planos, ângulos e câmera na mão estão lá, mas a fluidez da montagem confere elegância à sequência. Ela é batida em conceito, mas é bem filmada e quase convence em termos de atuação. Vemos pela primeira vez a nova versão do Ghostface com uma máscara assustadora e levemente inspirada em uma das máscaras de De Olhos Bem Fechados. Em resumo, estamos falando de uma abertura de 7 minutos que funciona como uma mola para a verdadeira trama, ondas as coisas se tornam enigmáticas e a curiosidade começa a crescer.

A metalinguagem e a relação com os slashfilms aparecem na manhã seguinte à sequência de abertura. E vamos à escola. Embora tenhamos personagens do Ensino Médio que agem como se estivessem na faculdade e o bizarro espanto de uma turma ao descobrir que uma aluna era lésbica (e sim, estamos na mesma emissora de Faking It!), os jovens acabam tendo uma atitude próxima do que era esperado para os padrões da emissora, algo que já tinha sido prometido nas promos e teasers divulgados antes — ninguém estava esperando mini-Lecters na MTV, certo?

Isso posto, é evidente que os personagens possuem motivos fracos e são descerebrados, mas essas características não incomodam a ponto de empurrar o público para longe do show ou nublar a ação em volta. Perceba que, a despeito das atuações medíocres — nem todas, mas a maioria — e questionável exploração dos personagens, existe um fio condutor que é sim interessante e animador. Para cinéfilos ou seriadores, a discussão metalinguística sobre o que se pode ou não pode fazer na TV é incrível (e daí vem a melhor sequência do episódio, que é quando a mãe de Nina a encontra), e traz referências aos filmes O Massacre da Serra Elétrica (1974) e Halloween: A Noite do Terror (1978) — inclusive na trilha sonora, com alusões melódicas ao arrepiante tema de John Carpenter — e séries como The Walking Dead, American Horror Story, Bates Motel e Hannibal. Tudo isso configura um tipo de cumplicidade com o público que sustenta bem o argumento geral do programa e deixa o finalzinho desse piloto ainda mais interessante.

As coisas podem degringolar do jeito que for a partir daqui, mas devo dizer que a minha baixa expectativa para o que ia encontrar em Scream talvez tenha me protegido de diversas formas. Tanto que mal posso esperar pelo próximo episódio da série e isso é definitivamente um bom sinal. Bem, pelo menos para mim, não para Emma. Quer dizer… ei, que barulho é esse? Ei! Tem alg…?

Pânico/Scream: 1X01: Red Roses (EUA, 30 de junho de 2015) – Series Premiere
Criadores: Jill E. Blotevogel, Jay Beattie, Dan Dworkin
Direção: Jamie Travis
Roteiro: Jill E. Blotevogel, Jay Beattie, Dan Dworkin, Kevin Williamson
Elenco: Willa Fitzgerald, Bex Taylor-Klaus, John Karna, Amadeus Serafini, Connor Weil, Carlson Young, Jason Wiles, Tracy Middendorf, Bella Thorne, Bobby Campo, Tom Maden, Brianne Tju, Sosie Bacon, Max Lloyd-Jones, Sharisse Baker-Bernard
Duração: 43 min.

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8 comentários

Tiago Moreira 5 de outubro de 2015 - 11:35

entrou agora no catálogo da Netflix .. comecei a assistir despretensiosamente na sexta e terminei no domingo meio chateado com o final .. mas a série vale a pena sim.
O Noah e a metalinguagem, pra mim, são o pontoa alto da série .. Agora é aguardar a segunda temporada e ver como essa história ai se desdobrar

3,5/5

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Luiz Santiago 5 de outubro de 2015 - 18:25

De fato, o Noah é o personagem que tem os melhores momentos e o escopo de metalinguagem que ele carrega. Isso eles conseguiram fazer bem, mas o final trouxe o medo pelo que está preparado para a segunda temporada, porque o tema me parece se esgotar bem rápido…

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Oscar 4 de julho de 2015 - 22:59

Eu gostei da série principalmente porque não abusaram dos assassinatos, uma morte logo no inicio e depois somente alguns sustos sem exageros. E os atores mesmo não sendo os melhores, as personagens ainda tem potencial para que tenham alguma história interessante antes de morrerem.

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Luiz Santiago 5 de julho de 2015 - 01:09

Sim, isso é verdade. Inclusive é citado ao final do episódio, como ponte metalinguística, que foi uma das coisas que eu mais gostei naquela finalização.

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jcesarfe 4 de julho de 2015 - 01:10

Também me surpreendi, achei que ia ser uma coisa horrível e até que é divertido, esperar para ver. (Mais uma série que terei de ver online já que não fizeram estreia simultânea com as TVs daqui)

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Luiz Santiago 4 de julho de 2015 - 02:49

Eu fui positivamente surpreendido. Estou animado para os próximos episódios.

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Hugo Andrade 3 de julho de 2015 - 20:26

Sou fã da cinessérie e adorei o 1.º Episódio!

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Luiz Santiago 3 de julho de 2015 - 21:10

Fique de olho, porque teremos críticas para todos os episódios dessa 1ª Temporada. 🙂

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