Crítica | Pantera Negra: A Busca do Pantera

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Depois de duas grandes jornadas à frente do Pantera Negra (a excelente saga A Fúria do Pantera e a muito boa Pantera Negra Contra o Klan), Don McGregor passou um tempo afastado dos quadrinhos, mas não o bastante para impedir que o andar de uma carruagem colocasse em seu colo a responsabilidade de criar mais uma saga para o rei de Wakanda, em uma série-antologia que deveria aparecer na revista Marvel Comics Presents. Entre as edições #13 e 37 desse título, McGregor trouxe para o público uma nova ideia, algo da História de Wakanda que, até então, ninguém sabia e toda a missão do protagonista neste enredo está relacionada a este segredo: a busca pela segunda esposa de T’Chaka, que desaparecera, na África do Sul, em circunstâncias muito estranhas quando T’Challa tinha por volta de três anos de idade.

A história editorial de A Busca do Pantera é longa, com muitos ajustes de concepção inicial para o título (com a dúvida se seria algo solo ou parte de uma coletânea) e de editor, posto que acabou ficando com Terry Kavanagh. Até mesmo Don McGregor “caiu por acidente de percurso” na saga, pois o contato inicial foi para que ele escrevesse uma série sobre Killraven, o Guerreiro dos Mundos, mas no fim de tudo, essa ideia acabou voltando-se para as fronteiras de Wakanda e o autor foi bastante cioso de seu tempo e adicionou à busca do Pantera por sua mãe o então fortemente criticado Apartheid britânico na África do Sul, horror histórico que infelizmente duraria até 1994 (tendo iniciado em 1948).

Na saga, que tem capítulos bastante curtos, acompanhamos os passos de T’Challa desde o seu primeiro encontro com uma fonte sul-africana até o momento em que ele acha Ramonda, e então a jornada termina. A arte de Gene Colan e a finalização de Tom Palmer seguem o padrão de grandiosas exposições de primeira página visto em A Fúria do Pantera e é responsável por deixar o leitor embasbacado pelas representações de grande violência, pelas excelentes cenas de luta e pela leveza, elegância e cuidado com que exibem o Pantera Negra pulando de árvores e tetos, fugindo de soldados sul-africanos, de cães-guarda, de carros militares. Até a quebra sequencial um pouco estranha (mas inteiramente compreensível) que temos no meio da saga, com o personagem saindo da cidade de trabalhadores negros e indo até Johannesburg, a arte mantém sua grandeza mesmo na colocação do Pantera em um cenário urbano, com destaque para a excelente e angustiante cena do herói contra um soldado africânder na escada-rolante de um shopping.

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Como os capítulos curtos e o autor e os artistas tinham sempre muito coisa para falar e mostrar, é bem interessante observar como a medida e o ótimo casamento entre texto e arte funcionam ao longo dos 25 capítulos dessa Panther’s Quest. McGregor fez questão de começar cada nova história com uma citação de discurso, livro, música ou poema relacionado à questão de luta pelos direitos civis (servindo para qualquer lugar onde a condição do negro é lamentável, mas falando diretamente à África do Sul) e ao passo que narra as crônicas de avanço de T’Challa pelo território sul-africano, denuncia a manipulação da imprensa, o abuso do Exército, as muitas formas de preconceito racial e também social (elemento bastante forte nos primeiros capítulos e no bloco em Johannesburg), os grupos de divisão ideológica e violenta entre os próprios negros e as muitas condições políticas a serem levadas em consideração quando se põe na mesa a liberdade e a dignidade de um povo.

Repleto de cenas de luta que tiram o fôlego e com a apresentação de uma interessante novidade sobre a Família Real de Wakanda, temos aqui o Pantera Negra em busca por sua mãe Ramonda, em plena África do Sul sob o Apartheid. Uma história que explora o luto, a amizade, o ódio e a psicologia do herói, sempre entrando em situações-limite e tendo que lidar com as consequências não só para si mesmo, mas para muitas pessoas à sua volta, peso que aumenta quando consideramos o papel de Chefe de Estado que o Pantera Negra representa. Mesmo com um certo sabor de anticlímax na última edição, A Busca do Pantera é uma história imperdível.

Marvel Comics Presents Vol.1 #13 a 37: Panther’s Quest (EUA, fevereiro a dezembro de 1989)
Roteiro: Don McGregor
Arte: Gene Colan
Arte-final: Tom Palmer
Cores: Glynis Oliver, Mike Rockwitz (com Gregory Wright na edição #22)
Letras: Joe Rosen (com Jade Moede na edição #31)
Capas: Bill Reinhold, Veronica Gandini, Jon Bogdanove, Hilary Barta
Editoria:
 Terry Kavanagh
225 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.