Crítica | Pantera Negra: Herói Local

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Devido ao estilo cronista de  Christopher Priest narrar suas histórias, tomando os relatórios de Everett Ross como linha central das aventuras, Herói Local (arco composto pelas edições #13 a 17 desse título do Pantera Negra) é uma continuação bem grudada aos eventos de Inimigo do Estado, dando a impressão quase inacreditável de que os problemas em torno de Wakanda e seu soberano jamais acabam. Esse estilo de continuidade realmente cabe muito bem para o tipo de trama que o autor pretende guiar, uma vez que essa constância de problemas para resolver é, de fato, aquilo que cerca um chefe de Estado, especialmente um que também é um super-herói e vive às voltas com tentativas de golpe, invasão territorial e até problemas além-mar, basicamente causados para fazer o Pantera perder prestígio frente à comunidade internacional.

A forma como Priest organiza esse teatro político é extremamente cativante e ganha ainda mais destaque porque está coberto por um humor meio bobo e adorável vindo dos relatórios confusos de Ross, que nunca consegue narrar uma história em ordem cronológica e torna as coisas impossíveis para Niki Adams, ao mesmo tempo que deixa tudo o mais divertido possível para o leitor, sendo o único real problema dessa aventura uma personagem, a senhorita Queen Divine Justice (Asira), com quem não consegui me conectar de jeito nenhum nessa primeira jornada e cujas passagens ou jeito forçado de jovem militante maluca, além da dúvida de sua real função dentro da história tornaram algumas páginas aqui bem difíceis de digerir.

Por outro lado, o leitor tem de tudo um pouco acontecendo em torno do Pantera Negra, começando com as palhaçadas de Hydro-Man (Morris Bench), passando pela volta de Erik Killmonger (que ainda terá espaço no arco seguinte) e terminando em uma luta semi-épica nos Estados Unidos, com presença de Luke Cage, Punho de Ferro, FalcãoHulk na jogada, só para citar alguns. Essa parte da história é um espetáculo interessante, mas desvia bastante de algo que a gente realmente quer ver, ou seja, histórias em Wakanda, histórias que mostrem o Pantera em seu próprio território. A justificativa para este afastamento, no entanto, é bem melhor aqui do que fora em O Cliente, e termina muito melhor também.

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Everett Ross: a pior escolha de T’Challa para pior-melhor regente de Wakanda.

Com uma equipe artística nova, contando com Sal Velluto nos desenhos, Bob Almond na finalização e Brad Vancata nas cores (embora este já tenha trabalhado com o Pantera antes, em Panther’s Prey), o título ganha uma cara mais “final de anos 90”, com cenas de pura avacalhação cênica, com milhões de coisas espalhadas e acontecendo ao mesmo tempo, cenas meio preguiçosas de quadros repetindo a mesma ação e só mudando o texto ou acrescentando silêncio e interessante maneira de demarcar a passagem do tempo e dos blocos narrativos na história, com destaque especial para o trabalho de coloração.

Herói Local mostra diferentes pessoas, heróis oficiais ou não, agindo em diversos patamares para conseguir aquilo que mais querem. A luta entre o bem e o mal sempre ganha destaque quando os peixões do conflito estão em cena, mas são arcos como esses, que dão uma boa atenção aos pequenos heróis locais, que colocam a roda da ação para funcionar, mesmo que por puro acidente. É a política estatal ou cotidiana sendo feito da maneira que a gente mais costuma a fazer: por tentativa e erro. Uma bem-humorada jornada com pitadas de crise romântica que certamente vale a leitura.

Black Panther: Local Hero (Black Panther Vol.3 #13 – 17) — EUA, 1999 – 2000
Roteiro: Christopher Priest
Arte: Sal Velluto
Arte-final: Bob Almond
Cores: Brad Vancata
Letras: Sharpefont & P.T.
Capas: Sal Velluto
Editoria: Ruben Diaz
24 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.