Crítica | Pantera Negra vs. Deadpool (2018 – 2019)

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Pantera Negra vs. Deadpool (2018 – 2019) é uma daquelas minisséries que entram para a lista de maravilhosas “parcerias não muito prováveis” entre o Mercenário Tagarela e outros heróis da Marvel, coisas na linha de A Morte do Wolverine: Deadpool & Capitão América (2014) e Gavião Arqueiro vs. Deadpool (2014 – 2015), só para citar safras dos últimos cinco anos. Essas são obras que representaram com bastante humor, ação e esperada violência a relação de Deadpool com pessoas (e animais) em ambientes e regras não muito comuns para ele.

Nesta saga escrita por Daniel Kibblesmith (que em 2018 escreveu a excelente mini do Dentinho), começamos no dia de Ubusuku Bokufa — traduzindo, a Noite dos Mortos de Wakanda — onde T’Challa e Shuri caminham entre o povo e… têm sua cena cortada para uma sequência de ação do Deadpool guiando da maneira mais irresponsável possível um ônibus escolar cheio de crianças. O roteiro aqui não dá um único ponto sem nó, e mesmo que não aproveite bem algumas oportunidades entre as edições três e quatro ou force certas investidas por parte do Sr. Pool, o resultado conquistado por meio de pequenas pistas é algo realmente muito bom, com o benefício de ser genuinamente engraçado e jamais descaracterizar o espadachim da boca grande.

Para histórias do tipo team-up ou vs., o leitor sempre espera uma estrutura de texto que mostre do que as partes em cena é capaz, tanto em inteligência quanto em uso de força ou poderes. O que Kibblesmith realiza nessa minissérie é realmente uma aplaudível sucessão de eventos onde Deadpool resolve ser altruísta, para variar, e tenta salvar a vida do carteiro ‘amigão da vizinhança’, o velhinho Willie Lumpkin (sim, aquele que apareceu pela primeira vez lá na Fantastic Four #11, de 1963, criado pelos inesquecíveis Lee & Kirby). Mas como estamos falando de Deadpool, sempre teremos ações lidas de maneira errada pelos heróis e uma série de problemas paralelos que combinam com a loucura do anti-herói, contando o tempo inteiro com observações sarcásticas a respeito dele próprio (“assumindo” ser uma cópia de um certo exterminador por aí…) ou sobre o “jeito Marvel de fazer histórias“. E como sempre acontece nos bons roteiros que colocam Deadpool quebrando a quarta parede, o resultado das piadas e o impacto que ela tem para saga são impagáveis.

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A brincadeira com a chegada do Tagarela a Wakanda funciona mais da primeira vez do que na segunda, basicamente porque existe uma real — e hilária… e bizarra — explicação para a primeira chegada, enquanto a segunda recebe uma superficial informação que se mescla à ação e à comédia, sem se dar muito o trabalho de ser lógica. Não é exatamente um erro crasso, mas é um passo em falso do roteiro. E já que estamos falando de passos em falso, vale dizer que a forma como o Pantherpool é criado não condiz com o que esperávamos da inteligência artificial da Wakanda. Podemos até trabalhar com a circunstância atenuante de que era um “uniforme antigo”, mas mesmo assim… O sistema é tão avançado que escaneou e identificou Wade Wilson pelo DNA, então, por que diabos deixou que ele se apossasse do manto? E com isso nem estou querendo escrutinar a sequência, porque o ponto maquiavélico é válido para essa história: o final de toda a jornada é tão bom, que os meios se justificam. Mas como esta é uma crítica, a rusga precisava ser citada.

A arte de Ricardo Lopez Ortiz não é daquelas que agradam a todos, mas eu realmente gostei. Ela tem uma finalização rústica, traços irregulares, normalmente chamados de “caricatos demais”, mas para esse tipo de história é uma arte que cai como uma luva. As cores de Felipe Sobreiro também se destacam em sua paleta majoritariamente quente. Em termos estéticos, Pantera Negra vs. Deadpool tem uma concepção igualmente cômica, um pouco despreocupada, rústica, talvez carente de quadros e páginas maiores (ou duplas), mas que se sustentam muito bem. Uma divertida e improvável história que estabelece alguns interessantíssimos pontos para o Universo do Pantera Negra (as células-tronco artificiais universalmente doadoras) e uma parceria que, com certeza, eu gostaria de ver novamente nos quadrinhosChimichangas Forever!       

Black Panther vs. Deadpool #1 a 5 (EUA, dezembro de 2018 a fevereiro de 2019)
Roteiro: Daniel Kibblesmith
Arte: Ricardo Lopez Ortiz
Cores: Felipe Sobreiro
Letras: Joe Sabino
Capas: Rain Beredo, Ryan Benjamin
Editoria: Wil Moss, Sarah Brunstad, Tom Brevoort
24 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.