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Crítica | Para Sempre Alice

por Gabriela Miranda
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Enclausurada. Nos moldes de um filme dramático, Julianne Moore encarna uma mulher confiante que vê perder um pouco mais de si à medida que a memória é deletada da vida dela. Nesse sentido, podemos relacionar as tentativas dela em retardar a doença e fugir da condição de vítima com a literalidade do filme Memórias de Uma Mente Sem Lembrança, em que ele vai sendo apagado em si mesmo. Longa indicado ao Oscar, Para Sempre Alice é um relato saudoso e tudo que resta é a sombra ou a casca de uma mulher que perde a noção sobre a própria história.

O Alzheimer toma tudo. Junto com a consciência vai a dignidade e a personalidade. Acompanhar a progressão do peso deste estado clínico para uma mulher jovem parece uma maneira de puxar o holofote mais para perto do assunto. Mas a imagem de degradação é bastante acentuada. A vulnerabilidade de Moore é o que define a atuação dela, que é bastante crível.

Embora exista uma dinâmica familiar no centro de tudo, até mesmo por ser uma doença geneticamente transmitida, as melhores sequências são de Moore sozinha. Esse lado que ninguém além da pessoa que sofre pode mostrar é o que vale o debate. É nesses momentos que o espectador repara o quão difícil é se desapegar de si mesmo.

Um símbolo da perda da autonomia conquistada com a maturidade é a pulseira de metal que carrega gravado os dizeres que revelam a condição atual de seu corpo, algo como a corrente que bebês costumam ter. Uma infantilização do ser que é enfatizada pelo tratamento que começa a ser dispensado a ela.

Entre as cenas mais memoráveis estão a que ela resolve compartilhar o drama com o marido e exprime a voz do medo até então recatado. Mas de fato a cena mais marcante é a de uma palestra que ela faz sobre o que é ter, sentir e viver o Alzheimer. É a arte de perder. E o vazio nos olhos não suporta inserções de acontecimentos que possam vir e engole o passado. E agora?! Ela continua sendo Alice?

Para Sempre Alice (Still Alice, EUA, França – 2014)
Diretor: Richard Glatzer e Wash Westmoreland
Roteiro: Richard Glatzer e Wash Westmoreland, baseado no romance de Lisa Genova
Elenco: Julianne Moore, Alec Baldwin, Kristen Stewart, Kate Bosworth, Hunter Parrish
Duração: 101 min.

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2 comentários

Melissa Andrade 23 de fevereiro de 2015 - 15:04

Realmente o que carrega o filme é a atuação da Moore. Achei o núcleo familiar muito fraco para dar suporte ao que a personagem precisava. Amém ela ganhou o Oscar, foi merecidíssimo hehehe
Excelente texto Gabi 😉

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Gabriela Miranda 9 de março de 2015 - 18:25

Concordo com você sobre o núcleo familiar, Mel! Mas acho que tiveram atuações mais intensas e impactantes mais dignas do Oscar do que a de Moore aqui. Sou fã do trabalho dela e ela merece bastante reconhecimento na indústria, mas… apostava em outros nomes dessa vez. beijoos =)

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