Crítica | Paradise Police – 2ª Temporada

Depois de mais de um ano e meio privando os espectadores de cavalares injeções de incorreção política, escatologia, nojeira e piadas relacionadas quase que exclusivamente com sexo (nem sempre entre humanos) e drogas, Paradise Police volta com uma temporada encurtada de oito episódios para continuar a contar a história da Loucademia de Polícia dos anos 2010 que tenta emular South Park sempre que pode, mas nunca chegando nem perto. Ou seja, um verdadeira alívio!

Como ficou claro ao final da 1ª temporada, Waco O’Guin e Roger Black, criadores da série, resolveram seguir uma estrutura continuada que trabalha um macro-arco narrativo relacionado com a caçada da polícia ao Rei das Drogas da cidade de Paradise, algo razoavelmente incomum para obras do tipo, mas que é muito bem-vindo. Com isso, a ação começa exatamente de onde parou, com Dusty na prisão e Fitz, finalmente revelado como o vilão, comandando o submundo do crime. O lado negativo dessa escolha é que a 2ª temporada fica razoavelmente confinada, muitas vezes simplesmente repetindo a estrutura e as gags anteriores, só que com roupagem levemente diferente.

Dessa forma, não seria de todo equivocado dizer que o que temos é apenas mais do mesmo. Se a própria temporada anterior já começou a se repetir prematuramente, a questão é agravada na continuação, que se mostra sem fôlego para realmente inovar. Se o saco escrotal foi um dos alvos preferidos do humor de O’Guin e Black, ele volta com força total, com direito a um personagem que tem “bolas” avantajadas, com direito à revelação de que Karen tem uma tara por elas. Como disse, é a mesma coisa só que com as proverbiais pequenas diferenças.

Quando, porém, Paradise Police sai de sua zona de conforto, a comicidade arrisca entrar em ebulição, como é o caso do episódio quase que integralmente dedicado a abordar todas as lendas (e fatos) urbanos que cercam o conglomerado Disney, com direito até mesmo ao assassinato do Pateta e o subsequente uso de sua pele esfolada como disfarce. Episódios como esse – que são raros, vamos combinar – é que mostram o verdadeiro potencial do humor destrutivo da dupla de showrunners e é o que retira Paradise Police simplesmente do rótulo do “mais do mesmo”. Outro exemplo semelhante é quando as polícias se multiplicam na cidade, uma só de homens, outra só de mulheres e assim por diante, com a exploração muito bem bolada de todos os estereótipos possíveis, além de uma série de estocadas em todos os exageros politicamente corretos que vemos por aí.

Mas a série sem dúvida rateia ao não conseguir trabalhar seu humor de maneira que dependa menos de, por exemplo, Karen bebendo uma garrafa de uísque, vomitando dentro dela e, em seguida, bebendo seu próprio vômito, e galgando um ou dois degraus acima em termos de relevância humorística. Tudo gira em torno da nojeira rasgada, nas piadas sobre fezes – há um episódio quase inteiro sobre a “absurda” e “desrespeitosa” incapacidade de Kevin de defecar na delegacia -, sobre os acessórios sexuais de Hopson, o velho tarado, e sobre o vício em drogas de Bullet. Diverte às vezes, mas, quase sempre o que vemos é algo completamente esquecível que é muito capaz de revoltar os mais sensíveis (não tenho problema com piadas escatológicas, mas confesso que não consegui fazer meu habitual “lanchinho” enquanto assistia a série e tive que pausar quando alguém se aproximava da sala…). Em suma, é humor que tem muito mais um fim em si mesmo do que algo que almeje algum tipo de perenidade como seus diversos pares – inclusive a tão festejada, mas que não sou lá muito fã Rick and Morty – sem dúvida conseguem alcançar.

No final das contas, Paradise Police é diversão rápida e rasteira que acaba conseguindo tirar algumas boas gargalhadas do espectador especialmente quando arrisca ser mais do que é. De resto, no momento em que os créditos começam a rolar, já fica difícil lembrar o que foi assistido.

Paradise Police – 2ª Temporada (Idem, EUA – 06 de março de 2020)
Criação: Waco O’Guin, Roger Black
Direção: Brian Mainolfi, Lauren Andrews, Matt Garofalo
Roteiro: Roger Black, Waco O’Guin, Dan Signer, Steve Tompkins, Rocky Russo, Jeremy Sosenko
Elenco (vozes originais):  David Herman, Tom Kenny, Sarah Chalke, Kyle Kinane, Cedric Yarbrough, Dana Snyder, Grey Griffin, Waco O’Guin, Roger Black
Duração: 242 min. (8 episódios)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.