Crítica | Patrulha do Destino – 1X03: Puppet Patrol

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  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

A busca pelo Chefe colocou a Patrulha do Destino na estrada. Com a maior simplicidade na concepção do roteiro, Tamara Becher-Wilkinson e Tom Farrell emendaram a busca desses heróis perdidos por si mesmos (tema central das apresentações, em Pilot e Donkey Patrol) a um enredo de estabelecimento de equipe, o que deve ser o tom de pelo menos a primeira metade desta temporada.

Quem já acompanha meus textos por episódio de série sabe da minha chatice e pragmatismo ao encarar roteiros em show, sempre com essas duas colunas que, a meu ver, são essenciais para a construção de um bom drama numa temporada: a proposta deve ser boa em si mesma (para o episódio, isoladamente) e ao mesmo tempo boa em seu contexto (para a série, alinhado-se ao padrão proposto pela temporada). Tudo o que vem além disso são particularidades que precisam ser discutidas quando acontecerem, mas esta é a base. E por que estou falando isso? Porque não demorará muito para que comentários de demérito sobre os rumos da série apareçam, dizendo que “estão demorando demais para falar realmente da Patrulha do Destino como um time de verdade“. Ah, os apressadinhos…

Destacando as colunas narrativas que comentei antes, vamos analisar o que a série Doom Patrol nos trouxe até aqui. Um grupo de pessoas física ou psicologicamente alteradas foram salvas por um homem chamado Niles Caulder (O Chefe). A essência dos quadrinhos está toda aqui. E assim como na mídia original, não conhecemos, no início, muito sobre o Chefe, e vamos tendo informações sobre os Patrulheiros de maneira picotada, como crônicas que se ligam à temática da história central (base dos roteiros de Arnold Drake na Doom Patrol Vol.1, por sinal). Pensando na lógica da TV hoje, qual seria o passo mais correto? Criar uma equipe mais ou menos bem estabelecida e com uma linha tênue de conflitos internos ligados às novas adições? Isso funcionou em Titãs? A longo prazo, não. Então por que diabos iriam repetir a mesma fórmula em Patrulha do Destino? Fica aí o questionamento.

Mostrando um grupo de indivíduos egoístas, desconectados um do outro, com pouco ou nenhum senso de responsabilidade para com possíveis “vítimas de vilões” e, exceto por Cyborg (herói já estabelecido nesse Universo, com direito a uma piadinha de Cliff sobre a entrada dele na Liga da Justiça em 2020), sem reais atributos heroicos, a série faz o melhor serviço de introdução que poderia haver para esse tipo de grupo. Diante dos acontecimentos ao longo da temporada três coisas devem ocorrer: eles vão saber lidar melhor com seus poderes; eles vão aprender a trabalhar em equipe; eles realmente se tornarão a Patrulha do Destino. Diante disso é que meu argumento anterior se fixa. Faz sentido que num episódio como este Puppet Patrol tenhamos mais um pouco de informações a respeito do Chefe, da criação do Sr. Ninguém e a colocação da Patrulha diante de coisas que podem mudar o seu status físico atual. Simplicidade, amigos. Nada de arroubos épicos antes da hora.

Em dado momento do episódio o grupo de separa. Jane, Cliff e Larry são teletransportados para o Paraguai, por uma das personalidades de Jane; e Rita e Cyborg ficam no meio do caminho, até a parte final do capítulo. A separação serviu mais para ajudar a fechar o primeiro ciclo de explicação (e apresentação) dos vilões e também para demarcar sentimentos mais fortes dos personagens. Vocês sabem que eu não resisto a um bom drama individual, independente do gênero em que apareça e aqui, o roteiro faz muito bem o dever de casa, não apelando para o melodrama fácil, mas também não fazendo com que os conflitos internos e familiares dos heróis pareçam “forçados” ou “superficiais”. Vejam que as cenas na Fuchtopia, hoje administrada pelos descendentes de Von Fuchs (bem… mais ou menos…), todos são confrontados com terrores e demônios íntimos, e notem como o andamento do roteiro está afiado, dando atenção especial a cada um dos Patrulheiros em diferentes episódios, sendo Larry o escolhido da vez.

Boa trilha sonora, bons figurinos e bom tom cômico marcam mais este capítulo da Patrulha do Destino, que conta com um inesquecível momento de luta/carnificina (me lembrou Preacher!) e um pequeno embrulho desnecessário na inclusão do chatonildo Silas Stone, além de pequenas rusgas de ligação entre o bloco “algum lugar bem longe do Paraguai” e o Paraguai. O que acontece neles é muito bom, mas a forma como foram interligados não está entre as melhores coisas do episódio, que mesmo assim, é um baita divertimento. Doom Patrol segue, e segue muito bem. Agora quero ver o Homem-Animal-Vegetal-Mineral em ação! Aliás, que design sensacional, nunca perdendo a bizarrice de vista!

Doom Patrol – 1X03: Puppet Patrol (EUA, 1º de março de 2019)
Direção: Rachel Talalay
Roteiro: Tamara Becher-Wilkinson, Tom Farrell
Elenco: Diane Guerrero, April Bowlby, Joivan Wade, Alan Tudyk, Matt Bomer, Timothy Dalton, Riley Shanahan, Matthew Zuk, Phil Morris, Julian Richings, Julie McNiven, Kyle Clements, Charmin Lee, Jim Dougherty, Jason Kirkpatrick, Brendan Fraser, Thom Williams
Duração: 52 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.