Crítica | Patrulha do Destino – 1X04: Cult Patrol

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  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Um mar de referências aos quadrinhos e mais um capítulo cômico, bizarro e interessante aparece em Patrulha do Destino, trazendo pela primeira vez algo mais ou menos parecido com um “trabalho em equipe”, embora este seja um tema central para o andamento da temporada, como levantei nos argumentos de Puppet Patrol. Aqui chegamos a um momento muito importante para a série — que ainda continua em boa recepção por parte do público –, onde ela alcança o limite dos espectadores inteiramente pragmáticos. Com uma proposta de desenvolvimento individual e também coletivo de um time que precisa procurar por alguém que sabe muito mais do que eles sobre o mundo e sobre suas próprias vidas, é compreensível que bastante gente incomodada se mudasse a esta altura do campeonato, procurando realismo em outro show. Realismo duro nunca foi sequer a proposta dos quadrinhos originais da Patrulha do Destino… não é na adaptação que isso viria, certo?

No absurdo fantasioso de Doom Patrol, temos desta vez o Culto do Livro Não Escrito e a introdução na série do mago Willoughby Kipling. Ele é um britânico, místico agente dos Cavaleiros Templários, criado por Grant Morrison e Richard Case em 1990, porque a DC ficou com medinho de como poderia ser o andamento da história e então proibiu que os artistas utilizassem John Constantine. Aqui, a chegada de Kipling à mansão de Niles caulder não é marcada por boas notícias e, como disse antes, seu anúncio de que o Apocalipse (mais um!) está a caminho força os “heróis” a uma interação maior entre si e maior entendimento de suas habilidades. Seguindo a linha do episódio anterior, vemos Larry e Rita nos holofotes, ambos com bons passos para o uso de seus poderes: a Mulher-Sorvete dá a sua primeira esticada e a Múmia-da-Culpa começa a entender o Homem-Negativo.

Eu já salientei que este é um tipo de drama que gosto muitíssimo de acompanhar e a série tem dado todos os ingredientes necessários para que cada indivíduo encontra o seu destaque à medida que a história geral da temporada também avança. É claro que num capítulo como esses, o texto terá dificuldades de apresentar tudo o que se deve, tanto que há um cliffhanger no meio de uma ação destruidora (aquém daquele que tivemos em Pilot, mas não ruim) e tropeços notáveis na chegada dos dois personagens masculinos: Kipling e Elliot Patterson, o menino-livro a partir do qual será possível invocar o Decreator. Além disso, não gostei nem um pouco da atuação de Ted Sutherland, então será bom vê-lo sair logo da série. Aqui, porém, minha reclamação é pontualíssima, aplica-se a ele apenas. Nos momentos de interação, tanto o roteiro quanto a boa dramaturgia voltam. Meu amor pela equipe principal a tudo perdoa…

Mark Sheppard como Kipling foi uma boa escolha. O ator tem experiência na construção de um personagem místico e o faz aqui dentro da premissa das HQs para o seu personagem, ou seja, como uma refração de Constantine. Claro, tem quem goste, tem quem não goste, mas quanto ao personagem e à sua interpretação, não tenho problemas. Já quanto à sua introdução na série… digamos que não estamos falando de algo 100% livre de problemas. Uma armadilha de roteiro para falar a verdade, no caminho do que eu salientei nos primeiros passos de Constantine em Legends of Tomorrow. Não importa a série: magos realmente possuem problemas para se estabelecerem por completo quando eles não são o centro das atenções do roteiro.

As cenas em Nurnheim coroam o episódio com a melhor atuação do diretor Stefan Pleszczynski — num estilo de maquete de estranha proporção para a qual temos a explicação com um lindíssimo zoom out no final –; enquanto a melhor parte da fotografia se dá no momento da invasão à casa, onde Cyborg (utilizando armamento pesado aqui!) e Kipling lutam contra os enviados da Mãe-Arconte. A primeira parte do Culto do Livro Não Escrito veio para adicionais mais loucura ao caldeirão. E fazer com que Cliff se torne ainda melhor, se é que isso é possível…

Doom Patrol – 1X04: Cult Patrol (EUA, 8 de março de 2019)
Direção: Stefan Pleszczynski
Roteiro: Marcus Dalzine, Chris Dingess
Elenco: Diane Guerrero, April Bowlby, Joivan Wade, Matt Bomer, Timothy Dalton, Riley Shanahan, Matthew Zuk, Lilli Birdsell, Ted Sutherland, Skye Roberts, Sydney Kowalske, Michael Scialabba, Chantelle Barry, Beau Hart, Marco Schittone, Seth Michaels, Yeselie Denise, Gary Peebles, Brendan Fraser
Duração: 50 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.