Crítica | Patrulha do Destino – 1X06: Doom Patrol Patrol

PLANO CRITICO DOOM PATROL PATRAOL PATRULHA DO DESTINO

  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Se tem Lou Reed, com Perfect Day, já é um excelente episódio e ponto final! Não precisa nem mais de crítica, valeu, falows!

Depois de Paw Patrol eu realmente não sabia o que esperar da série. Existem programas que a gente acompanha, que nos divertem tanto que, em nossa leitura, funcionam tão bem, que a gente dá a ele a oportunidade de nos surpreender, tendo a plena noção de que o que vier, será bom. Às vezes isso pode não acontecer, é verdade, e vem aquele episódio-bomba ou medíocre (toda série tem o seu, não?) e é como diz o ditado: “tudo, não terás“. Porém, em Doom Patrol Patrol, a expectativa é mais uma vez recompensada e temos um episódio que faz algo que eu jamais esperaria da série e que gostei imensamente: dar um histórico para a Patrulha do Destino levando em consideração uma formação anterior da equipe.

Escrito por Tamara Becher-Wilkinson, o capítulo faz valer imediatamente a sugestão de Mr. Nobody para Crazy Jane de que ela deveria procurar a Patrulha do Destino, e isso foi uma excelente jogada de marketing e de programação dos showrunners da série, pois criar um histórico de diferentes Eras, tal qual temos nos quadrinhos (e não só para a Patrulha, vale dizer) aumenta o leque de possibilidades para o show, além de expor ainda mais uma porção de mistérios em torno de Niles e mostrar o quão fantástico e infame é esse homem. Eu confesso que fiquei enfurecido com o estado final dos membros da antiga versão da Patrulha (Rhea, Arani e Mento), agora cuidados por Joshua Clay, o Tempest lá da Showcase #94.

O que mais me impressiona nos roteiros aqui é a forma como os conflitos de episódios anteriores são apropriadamente recolocados sem prejuízo ao drama narrado no presente. Vejam que a linha de busca ao Chefe se mantém em paralelo ao desenvolvimento do grupo (isso eu já tinha comentado nas críticas anteriores), mas agora que os resultados de fato começam a aparecer — os personagens estão claramente mudando –, é possível perceber que os roteiros tornam-se mais densos e que o elemento de bizarrice sempre está acompanhado de algo mais pesado que o normal, de alguma forma mais triste… patético de um jeito que a gente sente dó. Notem o absurdo hilário com o Homem-Animal-Vegetal-Mineral, vilão do qual vimos o nascimento em Puppet Patrol e que aqui, durante um assalto, é atacado pela sua cabeça de dinossauro (eu to digitando isso gargalhando).

Cada um dos membros da presente não-Patrulha são confrontados com um elemento ruim de suas vidas ou de seus ambientes; e a partir deles, reconsiderando algumas coisas, tentando entrar em paz (Larry e Rita, com os dois ganchos mais bonitos do episódio, especialmente Larry, que já é o existencialista mais bem trabalhado numa série de super-herói) ou entrando em guerra (Cliff e Cyborg) diante de uma situação de desconforto familiar. Eu tenho tido um verdadeiro alumbramento no desenvolvimento dos personagens dessa série, e histórias como essas, que fazem uso de um ponto canônico até então desconhecido para puxar memórias, criar espaços de tortura e forçar os heróis a seguirem em frente, são sempre as premissas mais ricas, resultando nisso que a gente tem aqui. Palmas para a direção de arte desse episódio — e para a fotografia, em segundo lugar — por criar com perfeição o contraste entre o ambiente ficcional e o real do antigo QG da Patrulha.

A nostalgia aliada ao abandono de heróis sequelados por uma batalha é o grande foco aqui. Como Jane descreveu muito bem, eles estão jogados, como brinquedos quebrados. Doom Patrol Patrol partiu meu coração, me fez vibrar com o encorpamento dado ao show e com o uso do passado para lançar luzes sobre o futuro. E mesmo sem a real presença do Chefe em cena (ele só aparece como o lado sombrio projetado por Mento), o texto mostrou um pouco de quem Niles realmente pode ser… Doom Patrol não está para brincadeiras não.

Doom Patrol – 1X06: Doom Patrol Patrol (EUA, 22 de março de 2019)
Direção: Christopher Manley
Roteiro: Tamara Becher-Wilkinson
Elenco: Diane Guerrero, April Bowlby, Joivan Wade, Matt Bomer, Brendan Fraser, Timothy Dalton, Riley Shanahan, Matthew Zuk, Phil Morris, Alimi Ballard, Will Kemp, Alec Mapa, Jasmine Kaur, Madhur Jaffrey, Dennis Cockrum, Alan Heckner, Lucia Scarano
Duração: 55 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.