Crítica | Patrulha do Destino – 1X07: Therapy Patrol

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  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

E quando a gente pensa que Doom Patrol não tem mais possibilidade de nos impressionar, vem um episódio como Therapy Patrol e… booom! faz o serviço de nos enlouquecer ainda mais, o que já é um trabalho duro para uma série com este alto patamar. Em primeiro lugar, quero dizer que eu amo narrativas entrecortadas e organizadas sob montagem paralela, narrando uma história sob distintos pontos de vista, numa perfeita representação do efeito rashomon. Aqui, isso se dá sob a ótica de um grupo com intensos problemas internos, tanto pessoais, quanto de relacionamento entre si.

O roteiro de Neil Reynolds (que co-escreveu o outro episódio cinco estrelas da Temporada até aqui, Donkey Patrol) está plenamente ciente do formato que tem em mãos e da sutileza e inteligência necessárias para estruturar um texto sob essa premissa de diferentes pontos de vista, cada um com uma surpresa, uma verdade, um modo diferente de conhecer, justificar ou entender um evento. Este é um verdadeiro exercício de escrita de roteiro, porque a cada nova sequência o texto precisa ser sagaz o bastante para manter o público interessado, para fazer valer o modelo e para, através dos novos eventos, fazer com que a linha que a tudo perpassa empurre episódio e série para frente.

Uma vez iniciada, a narrativa nesse estilo não pode ser interrompida até que se complete o ciclo envolvendo todas as suas peças, o que certamente pode virar uma armadilha se o roteirista não tiver o devido cuidado. Para fugir do problema, Reynolds optou por trazer mais contexto de vida para cada um dos heróis da não-Patrulha, inclusive fazendo com que a indicação psicológica e íntima do título tivesse um motivo real de existir, reintroduzindo algo que nos foi mostrado por 3 diferentes pontos de vista (Vic, Rita, Cliff) em Puppet Patrol e que foi novamente demonstrado, com uma consequência trágica, em Doom Patrol Patrol: eles estão sendo manipulados pelo Sr. Ninguém. Falar uns com os outros, como o Homem-Robô muito bem sugere, é algo vital.

Considerando a alteração de realidade mais o intenso e cíclico roteiro, coube à direção o papel de nos mostrar cada uma das versões de maneira visualmente criativa, especialmente depois da segunda repetição. O diretor Rob Hardy  não tem preguiça nenhuma de levar a câmera para os mais diferentes lugares da casa, expondo com uma grande variedade de ângulos e planos essa conversa que o texto explora de modo tragicômico, onde Cliff brilha imensamente do início ao fim. A edição de som aqui também merece grande destaque porque os gritos de Cliff, o volume das frases em cada um dos cômodos, a intensidade da explosão da arma do Cyborg ouvida em diferentes partes da casa, tudo isso é editado de maneira exemplar e, bem no comecinho do episódio, é o elemento técnico de maior destaque, ao lado da fotografia; até que o roteiro assume as rédeas e nos faz mergulhar em mais um oceano particular de confissões, loucuras, risos e lágrimas.

Sabendo que só pode vencer impedindo que os heróis cacem-no, Mr. Nobody está fazendo de tudo para que a Patrulha enlouqueça, tal qual ocorreu com o grupo da Era de Prata neste Universo. E ele está usando todos os meios possíveis para isso, vide o Admiral Whiskers, que após ver o massacre da mamãe ratinha, jura vingança e parte para acabar com Cliff de todas as maneiras que conseguir. Se a coisa é impossível e absurda, a gente já sabe: veremos em Doom Patrol. E isso é absolutamente maravilhoso!

Doom Patrol – 1X07: Therapy Patrol (EUA, 29 de março de 2019)
Direção: Rob Hardy
Roteiro: Neil Reynolds
Elenco: Diane Guerrero, April Bowlby, Joivan Wade, Alan Tudyk, Riley Shanahan, Matthew Zuk, Phil Morris, Kyle Clements, Charmin Lee, Bethany Anne Lind, Alan Heckner, Lana Jean Turner, Greyson Chadwick, Bryan McClure
Duração: 55 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.