Crítica | Patrulha do Destino – 1X10: Hair Patrol

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  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Estava bem claro, ao fim de Jane Patrol, que o episódio seguinte da série abordaria o que aconteceu na mansão de Niles Caulder enquanto Cliff estava no Underground tentando trazer Jane de volta, através de uma ligação com o Homem-Negativo. E eis que temos aqui a introdução nas telinhas de mais um personagem maluco criador por Grant Morrison, o estranho Ernest Franklin, ou Beard Hunter, cuja estreia aconteceu na Doom Patrol #45, em junho de 1991.

Interpretado com muita competência por Tommy Snider, que dá um ar cínico e quase impossível a um vilão hábil, gordinho e galhofeiro (além de ter um poder absurdamente nojento, já que ele precisa engolir o pelo da barba de um homem para… rastreá-lo e ter acesso às suas memórias), o Beard Hunter se mostra como um vilão de ocasião que é capaz de, em torno dele, fazer surgir diversas frentes de ação. Percebam como o roteiro de Eric Dietel faz uma breve apresentação do indivíduo, nos reintroduz aos eventos que colocaram 3 Patrulheiros fora de ação e costura esses dois lados através do Departamento da Normalidade (e agora sabemos que Niles também trabalhava para o mesmo grupo que Larry, mas em sua formação anterior, enquanto Departamento das Estranhezas).

Em termos gerais, Hair Patrol foi uma excelente “desculpa” para mostrar mais do passado de Niles, e eu confesso que fiquei extremamente feliz com a não-obviedade da escolha, além do fato de trazerem ingredientes muito importantes para o desenvolvimento da personalidade do Chefe, um dos assuntos mais discutidos dentro e fora da série.  Niles tem o tipo de moral que gira entre a defesa e a condenação, sendo alguém complexo e imensamente bem relacionado, fato que já vimos, em diversas situações, ao longo dessa temporada. O flashback, que talvez para alguns pareceu longo e aleatório demais no início, ganhou na ótima cena entre Niles e Nobody, um profundo significado. Temos agora alguma motivação interessante por parte do Chefe e talvez algo que vá explicar e/ou justificar (se isso ainda for necessário para alguns) a questão das idades na série. Veremos.

As cenas entre Vic e Rita também entram na seara de boas escolhas do roteiro. Não se trata de uma dupla óbvia para fazer parceria e aqui, diante de um momento de crise e ameaça, eles conseguem lidar muito bem com a situação, tendo eu mais uma vez que destacar a peculiar forma com que a atriz April Bowlby interpreta Rita. Dos maneirismos à forma como lida com as coisas ao seu redor, ela realmente nos passa a força de uma ex-estrela de cinema sob condições nada favoráveis. É maravilhoso vê-la com suas caras, bocas e tons de voz tentando colocar panos-quentes em tudo ou esperar que outras pessoas cuidem do “serviço sujo”, até que entende que ninguém virá, e então, ela mesma parte para a ação. Embora eu quisesse que a personagem utilizasse seus poderes aqui, foi bom ver como esteve à frente de alguns movimentos e serviu muito melhor à situação do que o próprio Cyborg.

Mas o foco do episódio está mesmo no excelente passado do Chefe, inclusive ganhando uma boa dianteira na concepção técnica. Fazer fotografia de ambientes escuros nunca é algo fácil, especialmente em lugares amplos, e o que Scott Winig faz aqui é realmente um trabalho muito bom, com destaque para as nuances de cor entre o interior e o exterior da caverna. Também vale destaque o belo design da criatura que aparece aqui, durante o chamado de Oyewah (Pisay Pao). Esse ambiente do passado de Niles me parece ter um papel importante na busca do Departamento e na própria “coisa” que ele hoje está defendendo do Sr. Ninguém. Considerando que temos mais cinco episódios pela frente, é de se imaginar que os caminhos para a busca do Chefe devem se estreitar e em cada um dos capítulos daqui para frente tenhamos algum tipo de resposta ou adicção de conhecimento importante para nos fazer montar o quebra-cabeça do serial. Estamos chegando lá!

Doom Patrol – 1X10: Hair Patrol (EUA, 19 de abril de 2019)
Direção: Salli Richardson-Whitfield
Roteiro: Eric Dietel
Elenco: Diane Guerrero, April Bowlby, Joivan Wade, Alan Tudyk, Matt Bomer, Brendan Fraser, Timothy Dalton, Riley Shanahan, Matthew Zuk, Max Martini, Tommy Snider, Pisay Pao, April Billingsley, Joan Van Ark, William Tokarsky
Duração: 52 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.