Crítica | Patrulha do Destino – 1X11: Frances Patrol

PLANO CRITICO PATRULHA DO DESTINO FRANCES PATROL

  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Vamos todos parar um minuto para apreciar, em conjunto, como Doom Patrol é uma diferente série de super-heróis, tocante e inteligente, com uma excelente surpresa a cada semana e uma condução de drama que até agora, passados 11 episódios, eu tenho dificuldade de acreditar que de verdade está acontecendo. Alguns pontos contribuem bastante para isso, como o fato de ser uma série de equipe — o que torna a condução e o trabalho de cada indivíduo + núcleo principal ainda mais difícil — e como o fato de ser uma série cheia absurdos e loucura que, ainda assim, consegue ser excelente condutora de emoção e de coisas reais sobre a vida. Está aí Frances Patrol que não me deixa mentir.

Novamente partindo do retorno dos personagens em Jane Patrol, temos agora “o que aconteceu com Larry“. Eu não imaginava que o showrunner iria guiar seus escritores para explorar esse momento como uma partícula narrativa primária, a partir da qual coisas aconteceram, nós não vimos, e agora chegou a ver desas coisas se revelarem. É simples e inteligente ao mesmo tempo, porque evita introduções que podem não sair como esperado e também evita o trabalho de certos temas em elipse, algo que praticamente pede para dar errado e exige muito do tipo de cena que conterá a elipse além, obviamente, do roteirista. Neste capítulo,  April Fitzsimmons usa rapidamente o gancho conhecido de Jane Patrol, mas numa abordagem realmente nova, algo que o diretor Wayne Yip corrobora, colocando a câmera do outro lado do set.

A sensação de repetição que observamos em Hair Patrol não ocorre aqui, e rapidamente passamos para o assunto central deste episódio, mais uma vez, imprevisível. Entendo que o enredo aqui nos quis trazer alguns pontos finais em certas narrativas, e é bom que isso aconteça antes do Finale, para evitar que haja correria na resolução das muitas pontas abertas ao longo da temporada. O “fim” do arco de luta de Larry com o Espírito Negativo chega a um ponto belo e emocionante aqui, com o reencontro do herói com seu antigo namorado. Ele também assume um ‘relacionamento incomum’ com a entidade. É tão sutil e tão bonita a forma como o texto construiu esse ponto da trama que realmente me tocou. Sem falar que a direção de fotografia na penúltima cena, ao som de Moon River (uma das minhas canções favoritas) deu um toque ainda mais especial a tudo, fazendo — vejam só a astúcia — um contraste de paleta, ainda sob a mesma canção, para mostrar o “reencontro” de Clara com Cliff, que não teve coragem de encarar a filha, mas deixou o relógio para ela no bar.

Gostei de como o episódio permitiu que cada um dos personagens tivessem o seu momento para brilhar, da ótima maquiagem para o corte no braço de Vic e seus dilemas, à tentativa fracassada de uma reunião convocada por Jane, à jornada de exploração de Rita e Cliff e ao ciclo entre “imaginação realista” e presente entre Larry e John. Em todos esses blocos há um texto fechado e coerente consigo (bom… com pequenas rusgas na sequência do pântano) e que fixam o tom da reta final desta temporada, agora com Cybog na Ant Farm e toda aquela conversa (e medo) a respeito de Grid e da antiga Patrulha do Destino. Quatro episódios para o fim e nosso coração não aguenta mais de ansiedade…

Doom Patrol – 1X11: Frances Patrol (EUA, 26 de abril de 2019)
Direção: Wayne Yip
Roteiro: April Fitzsimmons
Elenco: Diane Guerrero, April Bowlby, Joivan Wade, Riley Shanahan, Matthew Zuk, Tom Fitzpatrick, Gary Basaraba, Kyle Clements, Bethany Anne Lind, Cj Sykes, Chris Mayers, David Abed, Jon Briddell, Katina Rankin, Matt Bomer, Brendan Fraser
Duração: 52 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.