Crítica | Patrulha do Destino – 1X12: Cyborg Patrol

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  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Organicidade. Gravem bem essa palavra. Já na reta final desta 1ª Temporada de Doom Patrol, não existem mais segredos a respeito dos esforços dos roteiristas e das conquistas que os showrunners tiveram ao criar uma linha dramática inventiva e muito bem pensada para a temporada, fazendo os super-zeros saírem de “lugar nenhum” e chegarem ao que parece ser uma primeira missão em tese bem organizada e em grupo. Ou algo parecido. E isso se dá de um modo nada convencional.

Cyborg Patrol junta pela primeira vez a Patrulha do Destino com tarefas específicas para cumprir e um cronograma de ação e subterfúgio dentro da Ant Farm que me fez vibrar, rir e comprovar o quanto essa série é diferente, se colocada diante da maioria de seus pares de gênero. A maneira como as coisas estão se amarrando desde Frances Patrol nos dá aquele tipo de alegria ímpar de ver um grande plot ganhando o rumo que merece, especialmente se este rumo faz parte de uma temática paralela, muda, disfarçada no meio de uma premissa-fantasma (a caça do Chefe) e que na verdade serviu para, diante das muitas adversidades, colocar pessoas acomodadas em ação. Em outras palavras: forjar heróis vindos da crise.

Como já é possível pensar em termos conclusivos, imaginem que a saída da ‘Patrulha’ com o Doom-Bus, em Pilot, e o “despertar” do Sr. Ninguém, que após a bagunça dos protegidos de Niles encontrou o paradeiro de sua presa, foi só o início de um processo que formaria um novo grupo de super-heróis. Estando sob a asa de Niles por tanto tempo e não tendo o boom que os fizesse desobedecer, esses personagens viviam na máxima reclusão possível, ajudando nos experimentos de Niles e sendo por ele ajudados. Foi no desencontro e no caos que eles precisaram deixar os anos de comodismo de lado e, aos poucos, encontrarem caminhos para entenderem a si mesmos e lidarem com os outros. Uma tarefa que (notem a ironia) justamente no momento em que o mais preparado dentre eles precisa de ajuda, fará com que o primeiro ensaio de ação em grupo surja de uma vez por todas.

Os avanços em linhas individuais ao longo de todos os episódios anteriores marcaram a presença limpa, sem meandros ou dramas desnecessários de todos os personagens aqui. Tudo flui bem porque os arcos individuais foram abertos e ao menos majoritariamente encerrados, sobrando espaço para futuras adições ou possíveis alterações, dependendo do que Nobody tem em mente e que fará no encerramento da temporada. E como parte do pesadelo, essa primeira missão se dá ao lado de Silas Stone, o homem em quem ninguém confia. Sério, vejam a astúcia e o cinismo absurdo dos criadores e como os roteiristas souberam comprar e colocar no papel o programa geral criado para a temporada.

A direção de Carol Banker aqui é totalmente ativa, inclusive nos momentos mais “parados” dos personagens. Existem dois atos gerais, um pequeno, no QG da Patrulha e outro maior, o principal do episódio, dentro da Ant Farm, todos muito bem guiados e fotografados, embora eu goste mais do segundo. Sua câmera não é inquita, no sentido de se mexer aleatoriamente e apenas para incomodar o público, mas existe um ótimo planejamento de movimentos internos e também a criação do ritmo preciso, pautado pela montagem (com destaque para todas as cenas dentro da Ant Farm). O humor e as pitadas de horror também funcionam bem nesse local-pesadelo de Larry, que está claramente em paz com o Espírito Negativo e falou mais nesse episódio do que na série inteira até o momento. O time está quase pronto!

Único aspecto que me impediu de dar nota total foi porque o roteiro não se conclui de fato, deixando o arco de Cyborg em andamento, como um gancho para o próximo episódio. A questão da culpa, as desavenças com o pai e as mudanças do personagem precisavam de mais tempo para serem finalizados e é isso que nós temos pela frente, agora com um bom caminho andado em termos de dinâmica de grupo de coias para fazer a seguir. Cada vez mais nos aproximamos do final e da verdade. Seja lá o que isso queira dizer em Doom Patrol.

Doom Patrol – 1X12: Cyborg Patrol (EUA, 3 de maio de 2019)
Direção: Carol Banker
Roteiro: Robert Berens, Shoshana Sachi
Elenco: Diane Guerrero, April Bowlby, Joivan Wade, Alan Tudyk, Riley Shanahan, Matthew Zuk, Phil Morris, Devan Long, Jon Briddell, Mac Wells, Ritchie Crownfield, Keith Flippen, Darla Delgado, Benjamin Taylor Davis, Matt Bomer, Brendan Fraser
Duração: 45 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.