Crítica | Patrulha do Destino – 1X14: Penultimate Patrol

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  • Há SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Meu Deus do céu, que série é essa???“. Este foi o meu pensamento ao longo da projeção deste penúltimo capítulo de Patrulha do Destino, oportunamente chamado de Penultimate Patrol. A decisão dos Super-Zeros, ao final de Flex Patrol, tem uma sequência soberba aqui, com o reencontro de Danny, the Street e o primeiro alvo dos Patrulheiros, o Beard Hunter, agora redimido. A fluidez do roteiro de Chris Dingess aqui é algo fora de série. Até com a possibilidade de “escrever errado” esse episódio ele brincou, manipulando ao máximo as cenas finais do capítulo, alterando a percepção de tempo e criando uma falsa memória de estrutura dramática para nos dar a impressão de “furo de roteiro”. Então, quando tudo parecia perdido… booooom!, lá estávamos novamente no mesmo lugar, rindo do que acabamos de presenciar. #fomostapeados

A primeira parte da busca, como disse, se dá em Danny, the Street, onde Flex Mentallo serve de condutor para os Patrulheiros entrarem no Espaço em Branco, as margens dos quadrinhos, onde o Chefe e o Sr. Ninguém estão. Se alguém (alô-ooo!) até aqui estava animado e embasbacado com o altíssimo nível do trabalho de metalinguagem na série, Penultimate Patrol veio mostrar que nós, inocentes, não sabíamos de nada. De capas e edições da My Greatest Adventure até uma apresentação hilária de Danny à outra parte da quase-Patrulha; uma concisa e bem-vinda história do passado do Sr. Ninguém e a citação da Irmandade Negra (Brotherhood of Evil) para incrementar o contexto, temos um episódio que começa acenando para o épico e vai se preparando num perfeito ritmo de ação, dando uma pequena pausa para todos relaxarem antes de pegarem no duro ( ͡° ͜ʖ ͡°).

A sequência em que Flex flexiona (hehehehe) os músculos errados e faz todo mundo em Danny gozar (inclusive a própria Rua) foi uma das coisas mais incríveis, inesperadas, engraçadas e prazerosas de se ver em uma série de super-heróis. Sabe quando você se dá conta do que está acontecendo e fica tão sem reação que não sabe se ri, se balança a cabeça, se aplaude, se sai gritando para todo mundo ir ver Doom Patrol? Então, eu fiquei assim. O roteiro ainda usa esse momento para colocar Cliff fingindo orgasmo (tadinho!) e começa a fazer ligações com o bloco de Cyborg (palmas para a montagem!), que volta à ativa, após uma conversa honesta com o pai e a confirmação de que ele é mesmo um infame manipulador.

A fotografia é outro setor que merce destaque, assim como a inteligentíssima direção de Rebecca Rodriguez, brincando o máximo possível com a profundidade de campo e usando diversas perspectivas para nos transmitir a sensação do que Nobody é capaz de fazer com a realidade. Cenas emotivas como a que Flex conta para Danny sobre a morte de Dolores ou a tocante cena de Vic abrindo o coração para o pai são exemplos de como isso funciona em momentos mais calmos. Já toda a sequência da Patrulha na memória que vivem antes de entrarem nas margens da HQ e tudo o que ocorre junto ao Sr. Ninguém são a verdadeira cereja do bolo. Aqui está explicada a estrutura do lugar que já havíamos visto, mas não sabíamos o que era; a névoa e o jogo de realidades criado pelo vilão, que está em toda a sua glória, roubando cada segundo em que aparece e mostrando o quanto Alan Tudyk merece o mundo pelo trabalho na construção desse personagem.

Agora só mais mais um episódio para o fim da temporada. O momento da explicação da verdade. A verdade que, como tudo neste Penultimate Patrol, veio para nos chocar com gosto: Niles é o responsável por tudo o que aconteceu com os Patrulheiros. O hype para o Finale está mais de oito mil!!!

Doom Patrol – 1X14: Penultimate Patrol (EUA, 17 de maio de 2019)
Direção: Rebecca Rodriguez
Roteiro: Chris Dingess
Elenco: Diane Guerrero, April Bowlby, Joivan Wade, Alan Tudyk, Matt Bomer, Brendan Fraser, Timothy Dalton, Riley Shanahan, Matthew Zuk, Phil Morris, Devan Long, Tommy Snider, Julie McNiven, Victoria Blade, Ashley Dougherty, Todd Allen Durkin, Swift Rice, Chad J. Wagner
Duração: 55 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.