Crítica | Patrulha do Destino – 2X01 a 3: Fun Size Patrol, Tyme Patrol, Pain Patrol

Fun Size Patrol

Tyme Patrol

Pain Patrol

  •  SPOILERS. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

E pouco mais de um ano depois de Ezekiel Patrol, exibido em maio de 2019, a DC Universe retorna com sua melhor e mais maluca série até o momento, trazendo não um, não dois, mas três episódios de uma vez só, fazendo do retorno da Patrulha do Destino, em sua 2ª Temporada, um grande evento. E para efeito de melhor estrutura do presente texto, vou tratar esse retorno como um arco, assumindo na maior parte das vezes um sentido geral para tudo o que trouxe o conjunto. Mas aqui e ali precisarei fazer algumas marcações bem específicas sobre cada capítulo, para pontuar a progressão do meu argumento. Tudo isso explicado, vamos à crítica.

Dos três episódios, Fun Size Patrol é o mais fraco, apesar de ser compreensível o módico começo. A entrada de Dorothy Spinner (Abigail Shapiro fazendo um excelente trabalho na criação dessa personagem) exigia um bom contexto e uma boa interação da menina com os membros da Patrulha, afinal de contas, ela entra num momento de fortalecimento de laços entre eles, agora confrontando-se com a verdade sobre Niles e seus experimentos, algo que esse arco explora com bastante densidade, respondendo a uma porção de dúvidas e anseios dos espectadores em relação a esse processo. A ameaça de Mr. Nobody, agora preso no quadro, ainda paira no ar, mas a equipe tem maiores preocupações, e isso tem a ver com a recém-chegada.

À parte os excelentes efeitos, maquiagem e figurino desse primeiro episódio, o que realmente ganha destaque aqui, e por um bom motivo, são as habilidades de Dorothy, seu amigos imaginários e como o status já definido na temporada passada recebe aqui uma justificativa maior — mas não apoiável — das experiências de Niles, que fez tudo o que poderia fazer para proteger a filha. O clímax dessa dinâmica tóxica acontece só no terceiro episódio, que foi claramente escrito para isso (como uma versão mais prática e intensa de Therapy Patrol). Todavia, aqui são plantadas todas as sementes e uma fútil tentativa de remediar um problema dividido em duas partes é desenvolvido no excelente Tyme Patrol.

Eu não tenho exatamente  certeza se essa adaptação da equipe para a TV irá chegar ao ponto onde veremos a Patrulha do Destino oficialmente formada, uniformizada e lutando, em base regular de seus dias, contra os mais diversos inimigos. Mas o trabalho que o show vem desenvolvendo nesse caminho de humanizar, problematizar e intensificar as dores dos membros do grupo é muito prazeroso de se acompanhar. E o tom da série claramente mudou o caráter de sua dinâmica interna. Entendemos que os personagens estão mais próximos, mas antagonizam Niles, ao mesmo tempo que possuem um senso de responsabilidade para com Dorothy e compartilham uma resignação frente às suas condições físicas. É uma percepção e uma relação complexa, mas que gera bons frutos, seja no grupo unido, seja com os membros do grupo em suas próprias linhas, como no caso de Larry (melhor desenvolvido) ou de Vic (não tão bem desenvolvido ou interessante assim).

A estreia se fecha com o meu episódio favorito dos três, o fantástico Pain Patrol, que traz o abominável e interessantíssimo Red Jack, vilão que serve como ponte temática para o tratamento das questões que estavam rondando a equipe desde o primeiro capítulo. Eu não tinha ideia de como a série trabalharia o impacto no grupo após descobrirem o que Niles fez, e aqui temos uma progressiva e muito bem organizada maneira de tratamento para essas questões, sem atropelar a temática inicial do ano (morte de Niles e possibilidade de Dorothy trazer a perdição para o mundo) e dando a oportunidade para cada um demostrar o que sente. Sem perder a mão na loucura, com momentos notáveis vindos de cada personagem, excelentes atuações e mais a ótima linha dramática sobre a mudança de personalidade primária em Jane, Doom Patrol retorna com tudo. E que continue assim! Em tempos como esses, um show com esse nível de qualidade, diversão e loucura é o que a gente precisa para fugir um pouco.

Patrulha do Destino – 2X01 a 3: Fun Size Patrol, Tyme Patrol, Pain Patrol (EUA, 25 de junho de 2020)
Direção: Chris Manley, Harry Jierjian, Samira Radsi
Roteiro: Jeremy Carver, Shoshana Sachi, April Fitzsimmons, Neil Reynolds, Tom Farrell, Tamara Becher-Wilkinson
Elenco: Diane Guerrero, April Bowlby, Joivan Wade, Matt Bomer, Brendan Fraser, Timothy Dalton, Riley Shanahan, Matthew Zuk, Mark Sheppard, Abigail Shapiro, Julie McNiven, Michael Harney, Stephanie Czajkowski, John Getz, Karen Obilom, Brandon Perea, Mark Ashworth, Vanessa Cater, Kat Cressida, Sarah Borne, Roger Floyd, Shay Mack
Duração: cerca de 53 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.